Blogs e Colunistas

Hillary Clinton

16/03/2013

às 14:00 \ Tema Livre

Neil Ferreira: Chico Primeiro é tão gracinha que nem parece hermano

"Meu voto obedeceu à orientação de Bento XVI: captei sua mensagem e votei no africano". Na foto, Cardeal Turkson (Foto: EFE)

"Meu voto obedeceu à orientação de Bento XVI: captei sua mensagem e votei no africano". Na foto, o cardeal Turkson, de Gana (Foto: EFE)

Por Cardeal Neil Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

CHICO PRIMEIRO É TÃO GRACINHA QUE NEM PARECE HERMANO

Não votei nele, mas gostei. Meu voto obedeceu à orientação de Bento XVI, na homilia em que sugeriu à Igreja a penitência pelos pecados, a renovação, a transparência e a abertura de um diálogo mais amplo com a sociedade. Captei a mensagem e votei no africano, que poderia ser um sopro de oxigênio para o Vaticano, assim como o Joaquinzão Barbosa foi para a Justiça brasileira.

Eu queria um Joaquinzão Barbosa; seria uma tremenda tacada de marketing, que viraria a Igreja de cabeça pra baixo sem que ela se deslocasse um milímetro sequer de onde sempre esteve.

Como Minas, estaria e ficaria onde estava, sem nunca dali arredar o pé por nada deste mundo. Como Lampedusa escreveu em “O Gatopardo”, é necessário mudar muito para ficar no mesmo lugar.

Um novo Papa tipo Joaquinzão Barobosa, seria uma chacoalhada na opinião pública. Despertaria em alguns setores do clero tipo linha Frei Betto, nosso Demônio de porta de igreja, esperanças de desvio a bombordo — fim do celibato dos padres, aceitação do aborto e do casamento gay. Sem chance.

Ser concedida a uma mulher a possibilidade de ser a Segunda Papisa, nem pensar, em que pese o poder atribuído à Merkel, Hillary, Michelle, La Kirchner, La Roussef e La Bundchen, não nesta Eternidade, quem sabe em outras, pouco mais distantes.

Em nenhuma das 115 cabeças dos cardeais eleitores, entre as quais incluo a minha, jamais passou um fiapo de intenção de mexer numa política, sim é política, que vem sendo testada há apenas 20 séculos e já tem alguém aí com a ideia de jerico de mudar tudo.

A foto do “Osservatore Romano” publicada na nossa imprensa, dos cardeais milimetricamente alinhados, como batalhões do exército da Coréia do Norte no funeral do seu líder, sob o teto sem igual no mundo da Capela Sistina, congelou o que parece congelado há 2 mil anos.

Quem observa nota que nada há de congelado, o que há lá nunca parou de se mover, para frente, para trás, para os lados, para cima, nunca para baixo, embora tenha sofrido baixíssimos baixos, de onde se recupera.

Aí, a fumacinha preta. Um ohhh e um frisson, no Mundo. Aí, a fumacinha branca. Um ohhh e um frisson no Universo. Numa sociedade de ícones modernosos, permanecem os que tenho o desplante de chamar de clássicos: a Cruz de Cristo, a Estrela de Davi, a Suástica e a Foice e o Martelo. Não me envergonho de acrescentar as fumacinhas preta e a branca.

(Uma parte mais desavergonhada do meu ser atreve-se a acrescentar, entre parênteses e a sottovoce, a maçã mordida da Apple. Corro o risco de Bill Gates me dedurar a Deus que coloquei aqui o fruto proibido. Para Gates, seguidor fiel das Escrituras, a maçã mordida é e sempre será o fruto proibido).

Aí, o grand finale. As luzes da sacada acesas, abrem-se as cortinas do espetáculo (lembra do cara que narrava futebol como enorme dramaticidade?), aparece lá um dos meus colegas, acho que o mais velhinho, são tantos os mais velhinhos que nem sei mais quem é qual e com sua voz trêmula quase d’além túmulo, fala de maneira quase incompreensível “Habemus Papam” e em seguida pronuncia um nome com sobrenome italiano. Deu zebra ! O Papam é hermano.

É anunciado que ele escolheu o nome de Francisco, foi o que foi informado, assim mesmo, Francisco. Neste momento em que escrevo, há uma tremenda discussão teológica, feita na frente da tv, se ele é Francisco ou Francisco I. Nem eu, a bordo das minhas vestes cardinalícias, posso aconselhar uma saída para o impasse.

"A escolha de Francisco foi um show com audiência mundial equivalente às do “Oscar”, dos playoffs da NBA e do Superbowl" (Foto: Giuseppe Cacace / AFP)

"A escolha de Francisco foi um show com audiência mundial equivalente às do 'Oscar', dos playoffs da NBA e do Superbowl" (Foto da Praça de São Pedro lotada: AFP)

Mas eis que Francisco assume o seu cargo de pastor, humilde (nem parece argentino) pede que os fieis rezem por ele. A Praça de São Pedro, lotada, embandeirada, contei uma boa meia-dúzia de bandeiras brasileiras, orava, aplaudia, cantava.

Você pensa que os musicais e o showbizz são invenções da Broadway e do cinema de Hollywood; não são.

A invenção é da Igreja, que apresenta seu espetáculo e seus figurinos com tanta pompa e circunstância; os americanos são aprendizes esforçados, que contribuíram com o sentido de mídia.

Mas até nisso a Igreja aperta o cerco. A escolha de Francisco foi um show com audiência mundial equivalente às do “Oscar”, dos playoffs da NBA e do Superbowl.

A do próximo Papa vai bater em todas essas e até na final da Champions League.

25/02/2013

às 22:52 \ Vasto Mundo

Anotem aí: Michelle Obama vai entrar para a política depois que o marido deixar a Casa Branca

A primeira-dama Michelle Obama anunciando, direto da Casa Branca para o Dolby Theatre, o vencedor do Oscar de melhor filme: desenvoltura de político profissional (Foto: Getty Images)

Amigas e amigos do blog, não tenho mais dúvidas: depois de assistir pela TV, na madrugada de hoje, à aparição triunfal da primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, no fecho da festa do 85º Oscar e anunciando, da Casa Branca para o telão do Dolby Theatre, o vencedor do melhor filme (Argo, de Ben Affleck), estou seguro de que a mulher do presidente Barack Obama fará carreira política.

Michelle, mulher bonita, de porte imponente, inteligente e advogada competente, terá apenas 53 anos quando deixar a Casa Branca, em janeiro de 2017. Sua grande desenvoltura ao falar para o público, novamente comprovada na festa do Oscar — desenvoltura de político profissional –, a enorme exposição pública a que está sujeita por ser a mulher do presidente dos Estados Unidos e seu preparo pessoal sugerem que ela seguirá a trajetória de Hillary Clinton.

Como se sabe, a ex-primeira dama (1993-2001), depois que o marido, Bill Clinton, precisou se aposentar — nos EUA um presidente só pode ser eleito duas vezes –, seguiu trajetória própria, elegendo-se duas vezes senadora pelo Estado de Nova York antes de tentar obter a indicação democrata como candidata à Presidência, que disputou taco a taco com Obama em 2008 até que o futuro primeiro presidente negro enfim se firmou e venceu a convenção do partido.

Eleito, Obama estendeu o cachimbo da paz a Hillary, conduzindo-a para o posto mais importante do governo, após o seu próprio — o de secretária de Estado, que ela deixou no dia 1º passado, após quatro anos.

Podem escrever: daqui a alguns anos, Michelle estará concorrendo ao Senado. Quem viver, verá.

11/02/2013

às 18:30 \ Vasto Mundo

EUA: os fotógrafos de presidentes, esses historiadores visuais

O presidente Obama e a primeira-dama em um momento privado no elevador do Washington convention center, na sua inauguração, em 2009. O fotógrafo, Pete Souza, é conhecido por suas imagens icônicas

O presidente Obama e a primeira-dama Michelle em um momento privado no elevador do Washington Convention Center, na sua inauguração, em 2009. O fotógrafo, Pete Souza, é conhecido por suas imagens icônicas

A organização National Geographic acaba de lançar o livro O fotógrafo do presidente — 50 anos dentro da Sala Oval (The President´s Photographer — Fifty years inside the Oval Office), de John Bredar e Pete Souza.

Conta a vida íntima de fotógrafos de presidentes dos Estados Unidos, esses historiadores visuais e elos fundamentais entre o público e os presidentes. O livro trás imagens e lembranças dos nove profissionais oficiais da Casa Branca.

Cecil Stoughton foi o primeiro, designado por John F. Kennedy em 1960. Todos os antecessores eram da Marinha dos EUA ou do Departamento de Parques Nacionais.

Confiram algumas das imagens:

Semanas após a inauguração, o presidente Obama, a primeira-dama, amigos e membros do Congresso usam óculos 3D para assistir aos comerciais do Super Bowl XLIII, no cinema privativo da Casa Branca. (Foto: Pete Souza)

Algumas semanas após a posse, a 20 de janeiro de 2009, Obama, Michelle, amigos e membros do Congresso usam óculos 3D para assistir aos comerciais do Super Bowl XLIII, no cinema privativo da Casa Branca (Foto: Pete Souza)

-

O fotógrafo-chefe de George W. Bush, Eric Draper, flagrou Barbara Bush fotografando pai e filho (ambos ex-presidentes), em 28 de janeiro de 2001. “Uma coisa que eu aprendi de imediato,” diz Draper, “é que quando você diz, ‘Sr. presidente,’ ambos olham.”

O fotógrafo-chefe de George W. Bush, Eric Draper, flagrou Barbara Bush fotografando o pai, ex-presidente, e o filho, então no poder, em 28 de janeiro de 2001. “Uma coisa que eu aprendi de imediato,” diz Draper, “é que quando você diz, ‘Sr. presidente,’ ambos olham”

-

Uma série de imagens do fotógrafo Robert McNeely mostra o presidente Bill Clinton e a primeira-dama totalmente engajados em questões em conjunto, como neste momento em que eles estão ouvindo uma entrevista a bordo Air Force One.

Uma série de imagens do fotógrafo Robert McNeely mostra o presidente Bill Clinton e a primeira-dama Hillary muito coordenados, como neste momento em que eles estão ouvindo uma entrevista a bordo Air Force One

-

O fotógrafo David Hume Kennerly fez esta foto um dia antes da família Carter se mudou para a Casa Branca. Na última passada pela casa que deixaria no dia seguinte, Betty Ford, que disse que sempre quis dançar em cima da mesa da sala do gabinete, não teve dúvidas: tirou os sapatos, pulou em cima da mesa, e fez uma pose.

O fotógrafo David Hume Kennerly fez esta foto incrível um dia antes de a família Carter se mudar para a Casa Branca, em janeiro de 1977. Na última passada pela casa que deixaria no dia seguinte, Betty Ford, que disse que sempre quis dançar em cima da mesa da sala do gabinete, não teve dúvidas: tirou os sapatos, pulou em cima da mesa, e fez uma pose

-

 

O fotógrafo Yoichi Okamoto desapareceu atrás do presidente Lyndon B. Johnson para fazer esta imagem e, para tal, ficou abaixo da linha dos olhos de todos os outros repórteres presentes.

O fotógrafo Yoichi Okamoto desapareceu atrás do presidente Lyndon B. Johnson para fazer esta imagem e, para tal, ficou abaixo da linha dos olhos de todos os outros repórteres presentes.

-

As imagens do fotógrafo Cecil Stoughton, da viagem para o Texas por John F. Kennedy, entraram para a história por ser parte do fatídico dia do assassinato.  Essa possivelmente é a mais famosa e importante imagem feita por um fotógrafo presidencial: Lyndon B. Johnson empossado em pleno ar, a bordo do Air Force One.

As imagens feitas pelo fotógrafo Cecil Stoughton da viagem do presidente John F. Kennedy ao Texas naquele fatídico novembro de 1963 entraram para a história, e esta talvez seja a mais famosa de todas as fotos feitas por um fotógrafo presidencial: Lyndon B. Johnson empossado em pleno ar, a bordo do Air Force One, assistido por Jacqueline Kennedy, cujo tailleur ainda tinha manchas do sangue do presidente assassinado

-

Cecil Stoughton evoluiu sua cobertura fotográfica com imagens típicas de cerimoniais, para fotos estilosas como essa, de John F. Kennedy e sua filha Caroline, à bordo de um iate em Hyannis Port, Massachusetts, em agosto de 1963.

Cecil Stoughton evoluiu sua cobertura fotográfica das típicas imagens cerimoniais para fotos estilosas como essa, de John F. Kennedy e sua filha Caroline, a bordo de um iate em Hyannis Port, Massachusetts, em agosto de 1963

 

LEIAM TAMBÉM:

Em fotos, o forte marketing de Obama como “um cara comum” e “um bom sujeito” — um dos fatores de sua vitória

FOTOS: Cenas que muito poucos vêem — a intimidade na Casa Branca

Fotos: imagens exclusivas da Casa Branca e do que nela ocorre

18/11/2012

às 16:00 \ Vasto Mundo

Boa leitura para um feriadão: em 11 itens, o manual que Obama segue para governar o país mais poderoso do mundo

As 11 lições de Obama (Foto: Charles Ommanney / Getty Images)

Das 11 principais orientações que o presidente segue para governar os Estados Unidos, várias ele aprendeu já na Casa Branca (Foto: Charles Ommanney / Getty Images)

Matéria de Andrea Murta, de Washington, publicada na revista Alfa

 

O MANUAL DE OBAMA

Decisões complexas para tomar. Oposição ferrenha. Expectativas de mais. As lições aprendidas pelo homem mais poderoso do mundo enfrentando os problemas mais monumentais do planeta

Barack Obama chegou a Charlotte, na Carolina do Norte, palco da convenção do Partido Democrata em que aceitou oficialmente a candidatura à reeleição, com seu ar relaxado e confiante. Nada em sua expressão sinalizava o frenesi que ocorria nos bastidores. Mas seus assessores ainda decidiam o local do discurso – e, de um estádio para cerca de 70 mil pessoas, optou-se por um auditório que abriga no máximo 20 mil.

Barack Obama (Foto: Peter Yang / August / Latinstock)

Obama: "não dá para mudar Washington por dentro" (Foto: Peter Yang / August / Latinstock)

Obama não consegue mais encher um estádio, afirmaram os críticos. A equipe negou, indignada, dizendo que a troca se deu por possibilidade de mau tempo. Eventuais pancadas de chuva ou popularidade baixa, o fato é que, embora o presidente continue calmo e contido como antes, seu tom definitivamente mudou.

O homem que se elegeu dando um banho na oposição nas urnas e prometendo resgatar o espírito americano hoje está mais humilde. Nesses quatro anos, Obama pegou pela frente uma crise econômica que, em 2009, paralisava o crédito bancário, varria até 800 mil empregos do mapa por mês e afundava os mercados financeiro e imobiliário.

Precisou tomar decisões militares delicadas, como exterminar Osama bin Laden ou mandar reforços à Líbia. E foi obrigado a abrir mão da esperança de governar sem confronto, por consensos racionais, depois da vitória esmagadora dos republicanos nas eleições para o Congresso em 2010, quando o Capitólio foi invadido por radicais conservadores do Tea Party.

Hoje, ele confessa a pessoas próximas o que aprendeu nos corredores da Casa Branca: “não dá para mudar Washington por dentro”.

Essa não foi sua única lição. Obama entendeu que seu dia a dia é feito de uma matéria escorregadia e traiçoeira: administrar altas expectativas, crises e conflitos. Os piores do mundo. O guia prático da arte de governar segundo Obama já pode ser escrito. Para compilar seus melhores itens, ALFA ouviu assessores, amigos, consultores, jornalistas e inimigos do presidente reeleito.

1. Ouça bons e variados argumentos

“Tudo o que chega na mesa do presidente é, por definição, difícil ou importante de mais para ser decidido por outra pessoa”, diz um dos assessores de Obama na Casa Branca que encontrou a reportagem de ALFA para um café em Washington. “Por isso, o presidente leva tempo para se resolver.”

Antes de tomar uma decisão, Obama procura esgotar todos os lados da questão, ouvindo o máximo de opiniões possível, inclusive até a de funcionários mais juniores. “A unanimidade no processo deliberativo é desencorajada na Casa Branca. O presidente encara isso como preguiça”, revela o assessor.

Reformular a política para o Afeganistão, por exemplo, levou quatro meses de reuniões e informes. “Obama, no começo, ficou frustrado porque achou que os comandantes militares não estavam apresentando uma gama de opções tão ampla quanto ele gostaria”, diz um consultor de política externa que trabalha com o Conselho de Segurança Nacional. “Foi então realizada uma revisão pragmática, guiada por dados e fatos, sem questões ideológicas”, diz.

 

2. Saiba do que você está falando

Obama consome papel em altas quantidades. “Ele começa o dia lendo briefings de inteligência, e a primeira coisa que fala no início de qualquer reunião é sempre: `Eu já li o memorando’”, assegura um de seus assessores.

Além de jamais chegar a um encontro despreparado, tem fama de cultivar sua memória. “O presidente é capaz de lembrar com detalhes de textos que leu há seis meses”, diz o colaborador.

 

Obama bloqueia Reggie Love, seu assistente pessoal, durante uma partida em Nova York, em 2009: o presidente não gosta que ninguém alivie (Foto: Pete Souza / Getty Images)

Obama bloqueia Reggie Love, seu assistente pessoal, durante uma partida em Nova York, em 2009: o presidente não gosta que ninguém alivie (Foto: Pete Souza / Getty Images)

 

3. Evite bajuladores. Compita de fato

Em 2010, o presidente dos Estados Unidos levou 12 pontos internos na boca por causa de uma cotovelada que lhe acertaram num jogo de basquete (atualmente ele usa protetor bucal). Competitivo, ele detesta perder. E detesta ainda mais que o deixem ganhar. Quem joga com Obama assegura que pegar leve com o presidente é o melhor jeito de nunca mais ser convidado de volta.

Ele busca ser o melhor de verdade, seja na sinuca, nas quadras ou no poder. E não dá para fazer isso com adversários fajutos ou rodeando-se de puxa-sacos que só dizem amém. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

09/09/2012

às 19:30 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Chega de intermediários, vote no Carlinhos Cachoeira

Vote Carlinhos Cachoeira!

Vote Carlinhos Cachoeira! (Foto: VEJA.com)

CHEGA DE INTERMEDIÁRIOS, VOTE CACHOEIRA

Feliz com o julgamento do Mensalão?

Pois a CPI do Cachoeira, que investiga a movimentação ilegal de R$ 30 bilhões pelo bicheiro e sua turma, parou: como disse o presidente da CPI, até o primeiro turno da eleição não há como fazer com que parlamentares apareçam lá para trabalhar.

Ele é otimista: depois de 7 de outubro, dia do primeiro turno, há cidades com segundo turno, há composições em torno dos eleitos, coisas de interesse deles a fazer com o nosso dinheiro.

Aí entra a temporada de férias e festas de fim de ano. O ano que vem (após a Semana Santa, claro) é outro ano, com outros temas.

O objetivo maior da CPI já foi atingido: criar problemas para o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo.

E a Construtora Delta? Esqueça: Delta é apenas a quarta letra do alfabeto grego.

E, saiba o caro leitor, é preciso reconhecer o talento de Cachoeira. Indicou secretários, presidente de autarquia, botou a irmã de seu operador num carguinho legal – fora isso, nomeou muito mais gente para empregos menos cotados.

Interferiu em concorrências, aliou-se a uma grande construtora, espalhou-se por Tocantins, Goiás, Brasília, tinha sob controle, trabalhando para ele, até um promotor público daqueles bravos, metido a honesto, denunciando os malfeitos dos outros.

Amasiou-se por dois anos com a mulher de um amigo. Quando o amigo soube, foi buscar consolo com quem? Com Cachoeira. E, ao que se comenta, mesmo preso Cachoeira já recompôs seu esquema operacional.

Quando ele for solto, esqueça os intermediários: vote no Cachoeira.

 

Cascata de dinheiro

Na lista de bens de Cachoeira e seus amigos, 4 carrinhos desses

Na lista de bens de Cachoeira e seus amigos, 4 carrinhos desses

O PSDB preparou relatório com base no que foi apurado até agora na CPI do Cachoeira. O empresário zoológico e seus parceiros movimentaram pelo menos R$ 29 bilhões em dez anos, sendo uns R$ 24 bilhões nos últimos quatro anos.

A Polícia Federal avalia os bens dos investigados na CPI em R$ 167 milhões: são 21 empresas. 74 terrenos, 58 apartamentos, 36 fazendas, 3.400 bois, 32 motos, 18 prédios, 13 casas, quatro caminhões, 51 carros (entre eles, quatro Porsche).

27/04/2012

às 16:28 \ Vasto Mundo

Prostitutas, strip-teases, bebedeiras: o pavoroso vexame dos seguranças de Obama já fez quase todos perderem os empregos

sarah-palin-david-chaney

CAFAJESTAGEM -- Sarah Palin, na condição de candidata a vice-presidente dos Estados Unidos, é escoltada em 2008 por David Chaney, em foto do Facebook do agente envolvido no escândalo com prostitutas colombianas

UMA AVENTURA CARIBENHA

Os guarda-costas da Presidência americana se afundam em um escândalo de prostituição na Colômbia

(Publicado em VEJA de 25 de abril de 2012, por Tatiana Gianini)

Realizada no fim de semana dos dias 14 e 15 passados em Cartagena, na Colômbia, a 6ª Cúpula das Américas será lembrada como uma das mais “animadas” pela comitiva americana.

Menos pelas festivas imagens da secretária de Estado Hillary Clinton bebendo cerveja no gargalo e dançando em um bar da cidade caribenha e mais por causa da farra envolvendo prostitutas locais, onze militares americanos e doze agentes do Serviço Secreto, os guarda-costas responsáveis pela proteção do presidente Barack Obama e de seus assessores.

baila comigo Depois de cumprir a maçante agenda de reuniões da Cúpula das Américas, a secretária de Estado Hillary Clinton saiu para beber (ao lado) e dançar (abaixo) no Café Havana, em Cartagena, com sua comitiva. Ficou só trinta minutos, o suficiente para ganhar fama de baladeira

BAILA COMIGO -- Depois de cumprir a maçante agenda de reuniões da Cúpula das Américas, a secretária de Estado Hillary Clinton saiu para beber e dançar no Café Havana, em Cartagena, com sua comitiva. Ficou só trinta minutos, o suficiente para ganhar fama de baladeira

A prostituta foi quem chamou a polícia

A equipe  havia chegado a Cartagena uma semana antes do evento para verificar rotas seguras e discutir possíveis riscos de atentado contra a comitiva com a polícia local. Na noite da quarta-feira 11, às vésperas da chegada do presidente, os agentes do governo foram a uma casa noturna local para se entupir de uísque e vodca e para assistir a números de strip-tease.

A balada só foi revelada porque, depois da festa, uma prostituta que passou a noite com um dos seguranças de elite chamou a polícia quando seu cliente se recusou a pagar o combinado por seus serviços. O homem fez um acordo com a jovem, mas a confusão foi o bastante para que o incidente chegasse ao conhecimento das autoridades americanas.

Demissões, aposentadoria forçada e mais investigações

Logo após o retorno de Hillary, três agentes foram demitidos, três pediram demissão e David Chaney, um dos supervisores seniores do Serviço Secreto, foi forçado a se aposentar. Os outros cinco foram suspensos e são investigados por uma equipe do Serviço Secreto e do Pentágono que viajou para a Colômbia para interrogar as 21 mulheres que entretiveram os seguranças.

Em entrevista ao jornal The New York Times, a prostituta que se sentiu lesada disse não saber que seu cliente era um dos guarda-costas de Obama, mas que cobrou 800 dólares pela noite de sexo por achar que o estrangeiro era endinheirado.

Após aparentemente ter concordado com o valor, no dia seguinte o homem teria se oferecido para pagar apenas 30 dólares. Depois de ter sido expulsa do quarto do agente, ela pediu ajuda a uma amiga que passara a noite com outro homem do grupo para receber o dinheiro.

PIVÔ Dania Suarez, pivô da confusão

Dania Suarez, pivô da confusão

Como a prostituição não é crime na Colômbia, a polícia local apareceu para defender a moça, que só levou para casa uma combinação de dólares e pesos no valor de 225 dólares. A garota de programa foi identificada como Dania Suarez, mãe solteira de 24 anos.

O Serviço Secreto (não confundir com a CIA, a agência de espionagem) tem a função de proteger, além do presidente, do vice e suas famílias, chefes de Estado em visita ao país e candidatos à Presidência, entre outras personalidades. [Por razões históricas, o Serviço Secreto -- que de secreto, propriamente dito, não tem nada, tem até site -- pertenceu até recentemente ao Departamento do Tesouro, já que foi criado para investigar falsificação de moeda. Hoje, está sob a asa do Departamento de Segurança Interna.]

Orçamento reduzido enquanto funções aumentaram

Envolver-se com prostitutas quando se está a trabalho viola o código básico de conduta do Serviço Secreto, segundo o qual os agentes estão proibidos de exercer qualquer atividade prejudicial ao governo. Entre outros riscos, uma prostituta pode ser uma espiã interessada em conseguir informações sobre o esquema de segurança do presidente.

Consumir bebidas alcoólicas em excesso também deixa os profissionais expostos. “Como a elite da segurança, espera-se que eles sejam dignos de confiança e não se coloquem em situações comprometedoras”, diz o americano Ronald Kessler, autor do livro In the President’s Secret Service (No Serviço Secreto do Presidente).

Em 2003, o serviço secreto foi transferido do Departamento do Tesouro, ao qual foi subordinado por mais de 100 anos, para o de Segurança Interna. “A organização foi obrigada a competir por verba com outras agências de segurança, e com o tempo seu orçamento foi reduzido enquanto as funções aumentaram”, diz Kessler.

Isso não explica, porém, posturas como a do agente David Chaney, que em seu perfil no Facebook postou uma foto sua com a ex-candidata a vice-presidente Sarah Palin, com o comentário: “Eu estava dando uma conferida nela, se é que vocês me entendem”. Conta-se que, toda vez que um avião decolava para levá-los a uma nova missão, ele e seus colegas anunciavam: “Decolamos, alianças fora dos dedos!”.

A Cúpula das Américas terminou sem uma declaração final, por causa da insistência de alguns países em incluir Cuba nos próximos encontros.

Pouco consenso, muitos coquetéis.

18/04/2012

às 17:00 \ Política & Cia

No livre comércio que Hillary defendeu, o Brasil está atolado com o Mercosul

Hillary e o livre-comércio: enquanto o Brasil empaca, os EUA assinam tratados (Foto: VEJA)

Foi muito interessante a ênfase que a secretária de Estados norte-americana Hillary Clinton concedeu, durante sua estada o Brasil, ao livre comércio, fonte de riqueza, de inovação e de criação de empregos.

Não consta que Hillary estivesse querendo dar lições ao governo brasileiro, mas, de todo modo, não custa lembrar que, enquanto o Brasil continua empacado na assinatura de tratados de livre comércio com os principais países ricos do mundo — preso que está à estratégia de negociar em bloco como integrante do Mercosul, mesmo sofrendo constantes facadas pelas costas do governo da Argentina –, os Estados Unidos da secretária de Estado não perdem tempo.

Washington já assinou tratados de livre comércio com dezena e meia de países latino-americanos, mais uma dezena com pequenos países do Caribe e caminha acelerado nesse processo.

Lembram-se daquela famosa visita que Barack Obama realizou à Austrália no começo do ano, durante a qual parte da mídia fofoqueira internacional insinuou que a primeira-ministra australiana, a vistosa Julia Gilliard, teria sido carinhosa e calorosa demais com o presidente dos Estados Unidos?

A primeira-ministra da Austrália, Jullia Gilliard, com Obama: carinhos à parte, livre comércio a todo vapor (Foto: Reuters)

Pois bem, carinhos aqui, sorrisos ali, o fato é que Obama começara a construir o que já esboçara meses antes e que está, agora, em plena implementação: uma associação de livre comércio dos Estados Unidos com a própria Austrália, a Nova Zelândia e mais seis países da Ásia e/ou do Pacífico – Malásia, Brunei, Cingapura, seu ex-inimigo de guerra Vietnã, o Chile e o Peru.

Sim, até o Peru já está nessa, como parte da onda de modernização e prosperidade que tem vivido nos últimos dez anos, e que o governo nacionalista do presidente Ollanta Humala não pretende alterar um mílímetros.

Enquanto isso, o Brasil perde tempo e mercados devido ao enrosco do Mercosul — uma excelente ideia que não caminha por falta de uniformidade na vontade política de seus integrantes.

11/12/2011

às 12:18 \ Disseram

“Quando autoridades deixam de indiciar aqueles que atacam pessoas por exercerem seus direitos ou por expor abusos, elas subvertem a justiça e minam a confiança do povo em seus governos.”

“Quando autoridades deixam de indiciar aqueles que atacam pessoas por exercerem seus direitos ou por expor abusos, elas subvertem a justiça e minam a confiança do povo em seus governos.”

Hillary Clinton, secretária de Estado americana, referindo-se às eleições parlamentares na Rússia.

17/10/2011

às 14:01 \ Vasto Mundo

Primárias do Partido Socialista na França são lição de democracia para nossos partidos, que fogem delas como do diabo

François-Hollande-França-Reuters

François Hollande, vencedor das primárias do Partido Socialista, disputará a Presidência da França com Nicolas Sarkozy em abril próximo (Foto: Charles Platiau - Reuters)

A enorme participação popular no segundo turno das eleições primárias do Partido Socialista francês, estimada em 3 milhões de eleitores, neste domingo, 16, deveria servir de lição para nossos partidos, que falam no assunto de boca cheia e, na hora H, fogem da escolha democrática de seus candidatos como vampiros do sol do Saara.

Como se sabe, o ex-secretário-geral do PS durante 11 anos (1997-2008), François Hollande, saiu vencedor por larga margem — 56,4% dos votos, contra 43,6% de Martine Aubry, secretária-geral e candidata preferida de vários “barões” do partido –, depois de ter ficado na frente também no primeiro turno, dia 9 passado, diante de meia dúzia de candidatos. A ele caberá a tarefa de enfrentar, nas eleições presidenciais de 22 de abril de 2012, o presidente Nicolas Sarkozy, que tentará manter-se no Palácio do Eliseu.

Esse papel quase certamente caberia ao ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, mas seu envolvimento no caso de suposta agressão sexual a uma camareira de hotel em Nova York e o período que passou detido nos Estados Unidos tiraram-no do páreo.

Numa manifestação de unidade, Aubry, que admitiu a vitória do rival antes do término a apuração, já anunciou seu apoio a Hollande e seu engajamento na campanha eleitoral. O mesmo fizeram os demais candidatos, inclusive Segolène Royal, a candidata socialista derrotada por Sarkozy em 2007 e que, por coincidência, é ex-companheira e mãe dos quatro filhos de Hollande, com quem até então vinha mantendo relações pessoais frias e distantes.

A disputa fortalece

A grande maioria dos observadores, na TV e nos jornais franceses, dá conta de que há muitos anos não se via tanto entusiasmo nas fileiras do Partido Socialista como nestas primárias, as primeiras que o partido realiza. A maioria coincide que os socialistas sairão fortalecidos do processo.

É a mesma velha história em todo lugar em que há disputa aberta pela escolha do candidato: a disputa divide enquanto é travada mas, uma vez encerrada, enriquece o partido. Nem é preciso lembrar dos Estados Unidos, onde não raro o candidato vencedor das primárias leva não apenas o apoio dos rivais, como acaba incluindo-o no governo.

George Bush pai perdeu as primárias para Ronald Reagan em 1976, e se tornou seu vice, por oito anos. No final dos dois mandatos de Reagan, seria o candidato republicano à Casa Branca. O exemplo mais recente é o do presidente Barack Obama, que derrotou Hillary Clinton nas primárias democratas em 2008 mas a teve a seu lado durante a campanha, até que, uma vez eleito, designou-a para o posto-chave de secretária de Estado.

Em outros países, disputas internas sempre fortaleceram partidos como o Conservador e o Trabalhista britânicos, o Social-Democrata e o Democrata Cristão alemães — e por aí vai.

No Brasil, a opção pelo conchavo

Aqui no Brasil, prefere-se sempre o conchavo. Fala-se em primárias desde a Constituinte de 1988, mas… Agora mesmo, para a escolha do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, o próprio idealizador do processo de ampla consulta dentro do partido — Lula — está querendo apontar, com o dedo, o candidato, no caso o ministro da Educação, Fernando Haddad.

O PSDB também vem no mesmo lero-lero há anos. Quando parte para a escolha, ela é o resultado da conversa de meia dúzia de chefes. Os militantes e simpatizantes — que, no caso do PS francês, também puderam votar — ficam chupando o dedo.

13/08/2011

às 10:18 \ Vasto Mundo

Bill Clinton, em entrevista a VEJA, mostra como um ex-presidente pode ser ativo e fazer uma grande diferença mesmo fora da política

Bill Clinton

Bill Clinton, 42º ex-presidente dos EUA: exemplo de como fazer diferença mesmo fora da política

Amigos, é muito interessante esta entrevista que o diretor de Redação de VEJA, Eurípedes Alcântara, fez com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, publicada nas “Páginas Amarelas” da edição nº 2.222, de 22 de junho passado. Clinton, na conversa, mostra-se muito feliz com o que tem podido realizar com sua fundação, que movimenta bilhões de dólares e, acredita ele, ajudou a nada menos do que 200 milhõeos de pessoas no mundo.

Por isso mesmo, Eurípedes escreve que Clinton “se reinventou como personalidade global” e o chamou de “mais forte candidato ao posto de melhor ex-presidente vivo dos Estados Unidos” – um exemplo de como um ex-presidente, mesmo fora da política, pode ser extraordinariamente ativo, fazer diferença e contribuir muitíssimo para o bem-comum.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Mais forte candidato ao posto de melhor ex-presidente vivo dos Estados Unidos, Bill Clinton, de 64 anos, descobriu-se, em muitos aspectos, mais realizado agora do que quando ocupou a Casa Branca, de 1993 a 2001. Em uma reflexão amarga ainda no cargo, Clinton disse que ser presidente dos Estados Unidos era, muitas vezes, tão frustrante quanto dar ordens em um cemitério, “pois ninguém abaixo parecia escutar” o que ele estava dizendo.

Ele hoje viaja o mundo supervisionando as iniciativas da Clinton Foundation, que vão da prevenção da malária, da aids e da obesidade infantil à melhoria das condições ambientais das quarenta mais populosas metrópoles do planeta, com foco em energia limpa e na transformação dos lixões urbanos em avançados centros de reaproveitamento de energia. Clinton deu entrevista a VEJA há poucos dias, na suíte presidencial do hotel Sheraton, em São Paulo.
.
Seis anos depois de lançar-se nessa atividade, o senhor coleciona mais triunfos ou frustrações?
.
Nós, comprovadamente, melhoramos a vida de mais de 200 milhões de pessoas necessitadas no planeta. A cada ano, juntam-se a nós milhares de pessoas dispostas a nos ajudar a ajudar a quem precisa. Essas pessoas se comprometeram no total com 63 bilhões de dólares que financiam nossas inúmeras atividades. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário
 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados