Blogs e Colunistas

Duda Mendonça

09/02/2014

às 18:00 \ Livros & Filmes

Em livro, o porquê de FHC ter sido, na Presidência, um acorde dissonante

O PONTO FORA DA CURVA -- Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

O PONTO FORA DA CURVA — Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

Resenha de Augusto Nunes, publicado em edição impressa de VEJA

O ACORDE DISSONANTE

Como Fernando Henrique, o candidato que tinha tudo para dar errado, virou o presidente certo na hora mais incerta

O sociólogo convertido em político aos 48 anos tinha tudo para dar errado como candidato a qualquer coisa. Tal suspeita vira certeza com a leitura das revelações de Fernando Henrique Cardoso no livro escrito em parceria com o jornalista americano Brian Winter.

capa-fhcA versão em português de O Improvável Presidente do Brasil (Civilização Brasileira; 368 páginas; 35 reais) justifica o título com a exposição de traços de temperamento, marcas de nascença, heranças genéticas e outras particularidades que, se favoreceram a trajetória vitoriosa do professor admirado em muitos sotaques, pareciam condenar ao fiasco o político aprendiz.

E reafirma que a chegada de FHC ao Palácio do Planalto em 1994 foi muito mais surpreendente que o triunfo de Lula ou sua substituição por Dilma Rousseff.

O grande viveiro de cabeças baldias tem tudo a ver com o ex-operário sem compromisso com a verdade (e o plural) ou com a mulher que fala dilmês (e não diz coisa com coisa).

Assombrosa, portanto, é a constatação de que um intelectual puro-sangue foi autorizado pelo voto a reinar, durante oito anos, num país em que a palavra elite deixou de designar o que há de melhor num grupo social para tornar-se estigma.

Foi Fernando Henrique o acorde dissonante na ópera do absurdo composta pelos que o antecederam e retomada por seus sucessores. Vistos de perto, os presidentes brasileiros exibem muito mais semelhanças que diferenças. Se estivessem vivos, todos seriam parceiros na base aliada. Menos Fernando Henrique Cardoso, informam os paradoxos que fizeram dele uma figura sem similares.

No país do futebol e do Carnaval, ele jamais calçou um par de chuteiras e não vestiu fantasias nem mesmo quando criança. Na terra dos extrovertidos patológicos, que na campanha se engalfinham com um eleitor desconhecido a cada metro e derramam lágrimas de esguicho na vitória ou na derrota, ele nunca foi além de tapinhas nas costas e chorou menos que Clint Eastwood.

com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

 

No Brasil dos analfabetos sem cura, que instalam e mantêm no poder populistas iletrados, dedicou a maior parte da vida a ensinar, pesquisar, ler, escrever e, sobretudo, pensar. “Como poderia um professor de sociologia, paulista (embora nascido no Rio), ‘elitista’, ‘sem carisma’ e ‘arrogante’ derrotar um homem como Lula?”, perguntava-se.

Um marqueteiro da tribo de Duda Mendonça trataria de reconstruí-lo dos cabelos (sempre com cada fio em seu lugar) aos sapatos (muitos de cromo alemão). Em junho de 1994, com o candidato já em campanha pela Presidência, publicitários amigos tentaram aproximá-lo do que chamavam de “povão” com mudanças menos radicais.

“Decidiu-se que eu devia aparecer mais em mangas de camisa e tentar mostrar mais senso de humor”, exemplifica. “Especulava-se também que talvez eu precisasse de um apelido. Alguém sugeriu ‘FHC’, mas concluímos que era muito parecido com DDT. Acabamos ficando mesmo com Fernando Henrique.”

Com anêmicos 19% nas pesquisas que mantinham Lula acima de 40%, pensou em desistir. Não podia imaginar que derrotaria duas vezes, ambas no primeiro turno, o adversário invencível. Muito menos que FHC seria, ao lado de JK, uma das duas únicas siglas tombadas pelo patrimônio político nacional.

“Sempre tive muita sorte”, reconhece o beneficiário de uma extraordinária soma de acasos, ventos favoráveis, coincidências intrigantes e talento de sobra. Feliz com a vida de chanceler, foi surpreendido pelo presidente Itamar Franco com o convite para assumir o Ministério da Fazenda.

Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

 

Nunca entendeu as razões da escolha de um sociólogo sem intimidade com assuntos econômicos para domar a hiperinflação. Repassou a tarefa a uma equipe de especialistas que montaram o Plano Real com o expurgo dos erros que haviam cometido no Plano Cruzado. “Fui eleito pela economia”, reconhece Fernando Henrique no capítulo que narra a mais espetacular virada eleitoral desde a redemocratização do país.

Mas foi reeleito por milhões de brasileiros convencidos de que a estabilidade da moeda fora apenas a maior e mais improvável proeza do presidente. Há muitas outras no livro, que é uma espécie de “Fernando Henrique Cardoso para Estrangeiros”.

Não há nada que lembre a densidade informativa e a profundidade analítica do essencial A Arte da Política, coordenado pelo jornalista Ricardo Setti – hoje colunista de VEJA.com. “Mas nunca me referi de modo tão pessoal a certos acontecimentos”, avisa FHC. “É mais fácil, às vezes, entrar em pormenores pessoais conversando em outro idioma.”

As revelações em inglês permitem conhecer melhor alguns interiores, até agora indevassados, do homem que mudou a história de um país que pedia socorro em português.

24/11/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: A Nestlé controla a inflação controlada da Dilma

Como viciado em chocolate, posso dizer: a Nestlé testemunha a favor da Dilma -- esta sob controle a inflação controlada da Dilma (Foto: Grafikeller)

“Como viciado em chocolate, posso dizer: a Nestlé testemunha a favor da Dilma — esta sob controle a inflação controlada da Dilma” (Foto: Grafikeller)

Por Neil quero chocolate Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

A NESTLÉ CONTROLA A INFLAÇÃO CONTROLADA DA DILMA

Neil Ferreira

Chegou o momento de admitir o meu vício do uso de drogas pesadas; caí feio, rolei pelas sarjetas da vida, tentei de tudo pra me curar. Sem chance; não houve rehab que me reabilitasse. Saio de uma dura temporada de abstinência e caio de novo em outra — sou viciado em chocolate.

Não resisto ao brilho das embalagens, é um prazer magnífico comprar, desembrulhar, ouvir aquele barulhinho hipnotizante e sentir o perfume que antecede a primeira mordida. Só de pensar fico com a boca cheia d´água.

A mordida é pequenina pra durar mais, mas qual o quê; viciados como eu não aguentam ficar na mordidinha inicial para que o efeito tenha maior permanência no organismo. Fraco de vontade, não resisto; devoro em largos bocados e quando menos espero a droga acaba.

Saciado por algumas horas, a urgência de mais e em maiores quantidades volta e reviro a casa, fantasio que encontrarei mais, em recônditos esconsos em que a minha família o teria escondido.

Mentem como verdadeiros petistas (que nunca foram) que é pra me poupar do risco de uma overdose. Desconfio de que , como verdadeiros petistas (que nunca foram), guardaram a droga pra eles mesmos, escondida em seus quartos, com portas e janelas trancadas – também são viciados e bancam os santinhos do pau oco, os anjinhos da cara suja.

Como verdadeiros petistas (que nunca foram) metem a mão em tudo que está à vista e fora dela e quando os acuso da malfeitoria, exigem Ato de Ofício e me ameaçam com Embargos Infringentes. Ainda os ameaçarei de revistar-lhes as cuecas (de quem as usa)

Eu me lembro do filme Lost Weekend, aqui Farrapo Humano, 1945, Billy Wilder, Oscar em 1946 de melhor filme, melhor direção, melhor ator, Ray Milland, e melhor roteiro original.

Ray Milland, bebum dos brabos, desesperado procura dinheiro pra beber, revira o pequeno apartamento da namorada até que encontra uma amarfanhada nota de 5 dólares, escondida dentro de uma caneca de louça e sai correndo em busca de algum bar aberto pra matar a crise de abstinência.

É como me sinto quando fico sem as minhas doses habituais e crescentes de chocolate; a síndrome de abstinência em mim se manifesta com suores gelados, mãos trêmulas, uma dor insuportável no corpo inteiro como se estivesse sendo espancado com violência. Vejo jacarés nas paredes e no teto.

Ainda veremos chocolândias nas ruas de bairros ex-nobres, decadentes pelo abandono dos seus habitantes que se mandaram para as periferias emergentes. O novo IPTU, que a droga do brimo Haddad disse “bagar com alegria”, transformou ruas antes belas, tranquilas e arborizadas, em cheias de viciados comprando e usando chocolate dia e noite com sofreguidão, como as cracolândias de tão tristes presenças.

O vício transita dos escurinhos dos cinemas para o escondidinho das residências e depois abertamente nas ruas, bares, restaurantes e clubes noturnos, como sucedeu com o cigarro e com o uísque. (como Hemingway, prefiro Jake Daniels).

No cinema dos anos 40 e 50 do século passado, o uísque era oferecido como panacéia para as dores de cabeça que o mocinho ou o amigo do mocinho sofriam nas tramas. Pra mocinha, invariavelmente era um cigarro, por ela sugado com elegância, soltando baforadas nas caras dos fãs embevecidos.

Nos filmes da II Guerra Mundial, os heroicos good guys vencedores de batalhas sangrentas, sempre tinham uma Bolsa Invasão — uma barra de chocoloate e um maço de cigarros americanos –, pra ser dada aos civis famintos e maltrapilhos da cidades recém ocupadas, para conquistar seus corações e mentes.

Algum marquetero diabólico a serviço dos traficantes, como Duda Mendonça e João Santana traficaram e traficam mentiras, como “lulinha paz e amor” e “a inflação está sob controle”, teve a ideia de posicionar as drogas por perto das caixas, para atiçar as “compras de impulso”.

Você vai pagar a sua compra e vê a droga liberada, fica em êxtase, cede aos seus impulsos mais primitivos; e compra.

Descriminadas as demais drogas pesadas como álcool e fumo, veremos maconha, cocaína e crack em atraentes e chamativas embalagens, patrocinando milionárias campanhas de propaganda, como já foram as dos cigarros e agora são as das cervejas.

Lula, Zé Dirceu, Dilma, Genoíno, Brimo Haddad, Maluf, Saney, Santa Marina Cheia de Graça, Renan Avacalheiros, Martaxa Relaxa e Goza, e mais um bando de bandoleiros, estão de há muito liberados, já estamos em surto de overdose. Eu surtei.

Não estou nem de longe sugerindo que o vício do chocolate seja semelhante ao vício das drogas citadas. Mas escapar é de uma dificuldade semelhante, me afirmam, à de se tentar escapar do vício do cigarro; escuto narrativas assustadoras de vítimas de possíveis graves moléstias futuras, na boca, garganta, esôfago e pulmões principalmente.

"Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: '—A inflação está sob controle'” (Foto: Wallpoper)

“Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: ‘—A inflação está sob controle’” (Foto: Wallpoper)

Os maços de cigarros trazem pavorosas advertências, que de nada adiantam; ao que tudo indica o viciado não liga a mínima.

O chocolate tem um horrível efeito colateral, cuja advertência deveria estar bem à vista nas suas artísticas embalagens: engorda barbaridade. Todo o mundo que conheço, sabe; como no cigarro, ninguém liga. Eu sei e em nenhum momento larguei o vício e nem tenho forças para largar.

Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: “—A inflação está sob controle”.

Digam o que disserem os supermercados, a carne, batatas, arroz, feijão, alface, frutas, a inflação controlada da Dilma está sob controle. Más língua dizem quem controla a inflação controlada Dilma é o Mantega; não é, é a Nestlé.

A Nestlé, multinacional centenária, testemunha a favor da Dilma: os preços que pratica provam a afirmação. O chocolate diet Nestlé, o “Classic”, de embalagem escura, cor de cacau, que tenho nas mãos e na boca, mostra que é verdade – seu preço não sobe. Em compensação, o peso da barrinha emagreceu de 50 gramas para o peso leve de 30 gramas mais ou menos.

Repito e desenho se precisar: o preço não subiu mas o peso caiu. A inflação da Dima, portanto, está mesmo sob controle. Daqui a pouco os marqueteros vão gritar: “A Nestlé apoia a Dilma”.

Escrevi um dia “Bebo pra escrever. Escrevo pra esquecer”. Confesso mais uma: como chocolate pra viver. “Eu só quero chocolate, chocolate; chocolate, chocolate”. A bênção Tim Maia.

02/11/2013

às 16:00 \ Política & Cia

VÍDEO INCRÍVEL: será que Duda Mendonça, em 2002, antecipou os futuros mensaleiros?

 

 

Post publicado originalmente a 13 de novembro de 2012

Amigas e amigos do blog, o vídeo abaixo, produzido pelo publicitário Duda Mendonça para a pré-campanha do PT em 2002, visto hoje, parece profético..

O que é que vocês acham?

Vejam e respondam:

28/09/2013

às 17:00 \ Política & Cia

Duda Mendonça — o marqueteiro que ajudou a eleger Lula — flerta com fazer a campanha do tucano Alckmin

Duda Mendonça, com um passarinho na mão... (Foto: J. Freitas)

Duda Mendonça, com um passarinho na mão... (Foto: J. Freitas)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

ENTRE DOIS PALANQUES

O publicitário Nelson Biondi fará as propagandas do PSDB paulista que vão ao ar em outubro e é o favorito para comandar a campanha à reeleição de Geraldo Alckmin.

Biondi é sócio em uma agência de Zilmar Fernandes, que divide outra sociedade com Duda Mendonça, marqueteiro recentemente absolvido no julgamento do mensalão.

Duda tem contrato para fazer a campanha ao governo de Paulo Skaf, do PMDB, mas diz a amigos que o deixaria se fosse convidado por Biondi para trabalhar com o governador tucano.

11/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Advertência — a bandidagem do Mensalão pode sair livre, leve, solta

Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Dirceu O Inocente Injustiçado já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Por Neil profeta do caos Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

ADVERTÊNCIA: A BANDIDAGEM PODE SAIR LIVRE, LEVE, SOLTA

Esta é um obra de ficção: Montado no meu saber jurídico, superior ao do já esquecido Capinha-Preta Ministro Dias Toffoli, que só abre a sábia boca para pronunciar a sábia sentença “Voto com o Eminente Ministro Revisor”, e o já quase esquecido Lewandowski “O (Coisa)Ruim ”, só lembramos “O Bom”, o xará artilheiro do Dortmund, finalista da Champions League.

Digo eu: prepare o seu coração para esta quase inexorável manchete: “Zé Dirceu Livre”. É o seu Direito Constitucional à Isonomia com Duda Mendonça, ex-principal acionista da “Money Laundry Düsseldorf”, em liberda-a-de, liberda-a-de, abre as asas sobre eles.

Srs. Passageiros, apertem os cintos que vou decolar com a explicação do que entendi desse “imbroglio”. Se entendi errado, aguarde um pedido de desculpas no próximo voo, com serviço de bordo de 1ª Classe: uma suspeita barrinha murcha de cereais e um copo com água morna.

Há em tecedura um tapetão a ser puxado a qualquer momento, tecido por refinadas, habilidosas, cultas e bem treinadas mãos, supostamente abaixo de quaisquer suspeitas.

Mãos como as do quadro-laranja Fonteles, Deputado Federal, PT/Piauí, que nunca abriu a boca na Câmara nem pra bocejar e apresentou um projeto de Proposta de Emenda Constitucional (Pec), que é a cara escrita e escarrada de um golpe de Estado.

Se aprovada pelo Congresso, tirará poderes do STF, Guardião da Constituição.

A republicana igualdade entre os 3 Poderes irá esgoto abaixo, numa descarada manobra bolivariana de quinta categoria, a ser aprovada (será) por uma quadrilha de representantes do Povo – todos votados e eleitos, nenhum deles entrou pulando a cerca.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes.

Por um absurdo nunca antes visto num Estado Democrático e de Direito, esses criminosos integram a Comissão de Constituição e Justiça e votaram a favor do envio dessa Pec à “discussão” de um plenário pleno com a base comprada com a grana do Mensalão. O crime compensa.

Pode não se tratar de um tapetão de verdade. Aqui no porão da subcultura, onde habito na vizinhança dos mais de 100% do país dos mais de 200 milhões de ignorantes em matéria de Direito, é como se fosse um tapetão — e dos persas.

Certifico com conhecimento de causa por ser eu um tapete vira-latas, pisado pelos que têm o Pudê e a Grana. Eles têm A Força.

Late como tapetão, coça as pulgas como tapetão, balança o rabo como tapetão, é tapetão. Mesmo que se acuse de que é minha imaginação, sabe-se: a realidade é produto da imaginação.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

O que está sendo tecido é perfeitamente dentro da Lei. A Constituição assegura ao réu todo o Direito de Defesa e sua última instância são os embargos, que podem ser apresentados aos votos dos Ministros que contenham dúvidas quanto aos quesitos julgados, sua interpretação e sentenças proferidas. O respeito à Lei é um dos pilares da Democracia.

Os Mensaleiros utilizam essa última instância com base no mais profundo conhecimento do Direito à Chicana: Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis.

Teve manchete de 1ª página na Falha de S.Paulo quando tentou desmoralizar o Ministro Fux. Teve manchete de 1ª página no Estadão quando exigiu que o Ministro Joaquinzão fosse impedido de relatar os tais embargos. Quem tem medo do Joaquinzão?

Ganha notícias favoráveis quando pega um bronze na piscina com a atual Primeira Cumpanhera e até quando vai ao banheiro.

Foi acolhido no espaço mais nobre do blog do Noblat, a abertura, para apresentar seu furo de reportagem: “A campanha presidencial foi antecipada em 2 anos pela Oposição para prejudicar a reeleição da presidenta”, afirmou na maior cara de pau; parece piada do “Zorra Total”.

Esses embargos correriam o risco de serem recusados pelo STF, se a história recente dessa Corte fosse levada em conta. Com nove Ministros, as condenações e as sentenças foram proferidas por cinco Ministros pela condenação e quatro pela absolvição – a Gangue dos Quatro: Levandowski, Dias Toffoli e as meninas Carmem Lúcia e Rosa Weber.

Com a nomeação do novo Ministro Carequinha, que desconfio ser Cumpanhero (foi ele quem livrou a cara do Mermão Paloffi no julgamento de um de seus “ malfeitos”) , agora os Ministros são dez.

Na minha paranóia, tenho a quase certeza de que a votação dos embargos ficará nos cinco a cinco. Se der empate, a sentença é pró réu, o que quer dizer que a bandidagem sairá linda, leve e solta — e de ficha limpa.

Dirceu O Inocente agora Justiçado, Capitão do Time e Chefão (Godfather) da Quadrilha, poderá vir a ser até candidato a Presidente da República, a bordo de um Diploma de Inocente e Condecoração de Herói da Pátria – pra eles, Condenação é Condecoração. Fim da ficção, pode voltar ao mundo real.

Hélas pour nous.

10/05/2013

às 18:11 \ Política & Cia

Ao elogiar Eduardo Campos de olho em sua campanha presidencial, Duda Mendonça comete ato falho sobre Lula e Dilma

Duda Mendonça e Eduardo Campos (Foto: Antonio Cruz / ABr :: Aqui CE)

O publicitário e marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela mágica de criar o “Lulinha Paz e Amor” que acabou sendo eleito presidente em 2002, está feliz da vida por ter sido finalmente absolvido do processo do mensalão — uma vez que, em seu caso, o Ministério Público não recorreu da absolvição decidida pelo Supremo Tribunal Federal. (Duda recebeu parte do pagamento por seus serviços de uma conta hospedada num paraíso fiscal.)

Agora, segundo publicou recentemente a jornalista Vera Magalhães na coluna “Painel” da Folha de S. Paulo, Duda está de olho na eventual futura campanha do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente em 2014.

O marqueteiro considera Campos “uma mistura” de Lula com a presidente Dilma, e sentencia:

– É um líder carismático e, ao mesmo tempo, administrador sério. Saberá tocar projetos de ambos se chegar a presidente.

Pois bem, a primeira das duas frases permite, perfeitamente, a interpretação de que Lula era um líder carismático, mas não um administrador sério (se Dilma é uma mistura dos dois, uma das qualidades é dela, e certamente não o carisma)

Logicamente, cabe também a intepretação de que Dilma, a despeito de ser, em sua opinião, uma administradora séria, não tem carisma.

Releiam a frase e vejam se não é isso mesmo.

27/02/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Um marqueteiro em busca de um candidato: Duda Mendonça

Inocentado no mensalão, o publicitário Duda Mendonça quer voltar ao trabalho (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Inocentado no mensalão, o publicitário Duda Mendonça quer voltar ao trabalho (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Nota de Otávio Cabral publicada na edição de VEJA que está nas bancas

EU QUERO UM CANDIDATO

Absolvido no julgamento do mensalão, o publicitário Duda Mendonça sonha em voltar ao mundo da política.

Responsável pela campanha vitoriosa de Lula em 2002, pela qual recebeu 10 milhões de dólares em um paraíso fiscal, ele se associou a Antonio Lavareda na agência Black Ninja e passou a procurar candidatos à Presidência.

Já ouviu negativas de Aécio Neves e de Eduardo Campos e sabe que não tem chance de se aproximar de Dilma, já que é brigado com João Santana, marqueteiro da presidente.

Sua última esperança é conseguir um lugar na Rede de Marina Silva.

15/02/2013

às 15:45 \ Política & Cia

NEIL FERREIRA: Sexta-feira de Cinzas: Feliz Ano Novo

O Ano Novo do Calendário Chinês, o Ano da(s) Serpente(s), começou domingo passado (Foto: Getty)

O Ano Novo do Calendário Chinês, o Ano da(s) Serpente(s), começou domingo passado (Foto: Getty)

SEXTA-FEIRA DE CINZAS: FELIZ ANO NOVO

Por Neil pecador Ferreira, publicado hoje no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

 

O Papa, sangue nuzóio faca nos dente, rodou a baiana e saiu metendo o pé na porta; eitcha cabra da mulesta.

Se fosse Mega Sena, meu palpite seria: o próximo Papa será outro Joaquinzão Barbosa. (NF).

Sexta de Cinzas, sábado, domingo, segunda, Quaresma de Cinzas, Semana Santa de Cinzas; de Cinzas nada, o Carnaval não acabô ôô nem vai acabá áá, os Inocentes do Mêntega, Ala da Numerologia Maquiada e Fantasiada continua a desfilá áá.

2013 talvez comece nesta 2ª feira de Cinzas. A ver. O Ano Novo do Calendário Chinês, o Ano da(s) Serpente(s), começou domingo passado. Me disseram que nem feriado foi; ninguém teve passe pra cabular o trabalho e assistir a queima de fogos na Copacabana deles.

Só pode ver, fotografar e filmar o espetáculo feito pra passar em todas as tevês Globo do mundo, quem tem DNA provando que não é um patriota maoista disfarçado de turista carioca, tentando escafeder-se desse paraíso marxista-leninista neo-capitalista oriental. Os Norte-coreanos estão isentos, são irmãos camaradas (são cumpanheros, na Novilíngua língua deles).

Eles não param de fabricar essas bugigangas que quebram no instante em que você as abre. Abriu, olhou, quebrou, não tem conserto, joga fora. Otário que é, compra outro. “É tão baratinho, os coitadinhos ganham tão pouco ”; vai nessa. É “tão baratinho” porque não vale nada.

Cosi la nave va, a portuguesada aqui sustenta o pleno emprego e Pibão em ascensão na China Comuno-Capitalista e o não-emprego e a merreca que os camelôs faturam ocupando as avenidas, ruas e praças, sem esquecer a Twenty Five of March Street, a Miami ao sul de Queluz, famosa até entre os sacoleiros paraguaios, bolivianos e bolivarianos.

Quando o Pibão deles cai, o Mundo treme. Cai de inenarráveis 10% pra incríveis 8%, números muito além das doces miragens do Mêntega.

São miragens de oásis com cachoeira (até nas miragens, Cachoeira ?) de águas puras e frescas, cercada pelo Calçadão com o desfile de meninas bronzeadas puras e frescas, em pleno deserto, na porta do Céu. Alá lá-ô ôôôôôô, Mas que calor ôôôôôô.

Céu é “Centro de Educação Unificada”, que não quer dizer nada, invenção do Duda Mendonça auto-atribuída a ela mesma por ela mesma, a Vovó Periguete Relaxa e Goza.

Inventam marcas que nada significam que dão manchetes que significam menos ainda, como “Fome Zero”, “Minha Casa Minha Vida”, PACs I, II, III, ao infinito (não achei o “oito deitado” no teclado, reclamarei ao Bill Gates).

Explico os “s” no Ano da(s) Serpente(s). Os lig-lés têm apenas uma Serpente no nome deste Ano do seu Calendário. Nós não; nosso circo é rico. Temos serpentes amestradas a dar com pau; não tenho dedos nas duas mãos pra contá-las e olhe que tenho também todos os nove.

A de Brasília, dizem que cheia de veneno, é tratada no seu ninho como se na barriga tivesse o Ovo da Serpente, como no filme do Bergman, aquele sueco genial chatíssimo. Carnavalesca, fantasiou-se com o chapéu de couro da Maria Bunita, mulé do é lampa é lampa é lampa é Lampião.

Ao invés de oferecer o Fruto do Conhecimento ao Adão disponível, de má fé a serpente o esqueceu e ele vive a afirmar que “Num tenho conhecimento, num vi nada”, com convicção. Seus fiéis acreditam e rosnam ao desafiar os incréus pra sair no pescoção, cruzados renascidos da nova religião que são.

Depois do “Tríduo Momesco” que dura um mês na Bahia e duas horas em Sumpólo, voltei pronto pra entoar em prosa e velsos minha admiração pelo Lula da Silva e seus Postes, uma (um) iluminando(a) o serpentário do Planalto; outro, o brimo Haddad, que ainda não acendeu nenhuma lâmpida.

Reconheço que “o país dos mais de 80%” não tem vergonha de aceitar a bolsa-esmola para aprovar e votar em “Tudo isso que está aí”.

“Tudo isso que está aí” era o que de mais podre falsificavam para colar no FHC e até na Dona Rute; nunca colaram nada.

“Tudo isso que está aí” é o que os petistas de ontem, à beira da cadeia hoje, praticam e praticavam sem pejo. Roubam e saem gritando “pega o ladrão”. Pegaram os ladrões. O STF condenou e sentenciou alguns. Tá faltando um, oi zumzumzum.

O meu Carnaval foi o das pessoas comuns. Não mato 5ª e 6ª, como é do costume de quem ostenta carteirinha cumpanheral. Entro nos Acadêmicos da Descida só sábado de manhã.

Meu carro alegórico vai lotado de porcaritos, aquelas frituras empacotadas que enchem a barriga, engordam, aumentam o colesterol, entopem as veias, dão infarto e nem enganam a fome. E garrafas de água, pra fingir que sou abstêmio e não temo o bafômetro.

Lula do seu púlpito nega que seja candidato a Papa, ergo Habemus Candidatum. (Charge: Sponholz)

Lula do seu púlpito nega que seja candidato a Papa, ergo Habemus Candidatum. (Charge: Sponholz)

Com sorte, chego vivo em Ubachuva na 2ª à noite; chove. Esperto, faço meia-volta volver de imediato, reabasteço com combustível, pacotes dos mesmos porcaritos, mais garrafas de água e me enfio numa brecha no Bloco da Subida.

Depois de quatro dias e quatro noites de folia no mesmo congestionamento na ida e na volta, entro direto nos Unidos do Trampo . Desfilo na 4ª à tarde como todo mundo, menos a Ala dus Cumpanhero, que tem ponto facultativo e continua na avenida.

Feliz Ano Novo e que as serpentes não te envenenem com suas picadas.

Lula do seu púlpito nega que seja candidato a Papa, ergo Habemus Candidatum.

27/10/2012

às 19:30 \ Política & Cia

MENSALÃO — Duda Mendonça, em entrevista: “Acho que por ter falado a verdade é que fui absolvido. Não escondi nada”

SEGREDOS -- Com medo de morrer, Duda gravou um depoimento sobre tudo o que viveu nos últimos anos (Foto: Cristiano Mariz)

SEGREDOS -- Com medo de morrer, Duda gravou um depoimento sobre tudo o que viveu nos últimos anos (Foto: Cristiano Mariz)

Entrevista concedida a Rodrigo Rangel, publicada na edição impressa de VEJA

 

HORA DE RECOMEÇAR

O publicitário Duda Mendonça admite que estava preparado para o pior. Ele recebeu do empresário Marcos Valério o pagamento pelos serviços prestados à campanha de Lula. Parte do dinheiro foi depositada em um paraíso fiscal do Caribe, o que o próprio publicitário confessou no auge do escândalo.

Sete anos depois, a maioria dos ministros do Supremo entendeu que ele, além de desconhecer que o dinheiro tinha origem ilícita, não infringiu a lei ao receber o pagamento no exterior. Duda assistiu a sua absolvição pela TV. A cada voto favorável, acendia uma vela. “Meus santos são fortes”, diz, segurando os cinco patuás que carrega no pescoço (as imagens nas medalhinhas vão de Oxóssi, seu orixá, a Nossa Senhora).

Duda foi a missas e encomendou rezas em terreiros de candomblé. O suspense lhe afetou a saúde, e ele se submeteu a uma cirurgia no coração em 2006: “Quase morri”. Antes de ir para o centro cirúrgico, Duda ligou um gravador e, sozinho no quarto do hospital, registrou vários segredos de sua vida.

Sobre o que falou, ele não diz. “A gravação está guardada num cofre.”

 

O senhor esperava a absolvição?

Apesar de meus advogados sempre terem acreditado que eu seria absolvido, eles vinham me prevenindo de que, pela complexidade do julgamento, seria impossível antecipar o resultado. Um julgamento sempre gera apreensão.

Acendi velas. Rezei muito. Minha mulher, Aline, rezava e chorava sem parar. Ela, meus filhos e netos sofreram muito e tinham medo de que eu fosse condenado.

 

Como foi aguardar o veredicto por sete anos?

Não tenho nenhum inimigo, pelo menos que eu saiba, e, mesmo se tivesse, jamais desejaria a ele passar pelo que passei. Minha vida virou uma grande noite povoada por pesadelos que pareciam não ter fim. Sete filhos, sete netos, uma mulher, dezenas de amigos e parentes mais chegados faziam de tudo para esconder seu medo e sua agonia de mim, procurando me animar.

Era isso que mais me doía. Como explicar a crianças de 5, 6 anos as brincadeiras dos coleguinhas na escola chamando seu avô de mensaleiro?  Tinha a consciência tranquila de não ter nada a ver com o mensalão.

 

O senhor se arrepende de ter contado à CPI que recebeu de Marcos Valério, no exterior, o pagamento pelos serviços prestados à campanha de Lula?

Meu credor era o PT, de quem fui cobrar. Não recebi 1 real que não fosse devido pelo meu trabalho. Isso tudo já pertence ao passado.

Como já disse anteriormente, se cometi um erro, paguei por isso e aprendi a lição. Mas, em respeito ao Supremo, e por orientação de meus advogados, não falo sobre os fatos que foram objeto do julgamento.

 

O que levou o senhor a fazer aquela revelação na CPI?

Desde o primeiro momento, resolvi falar a verdade e assumir o ônus. Também porque não queria ser acusado por algo que eu não fiz.

 

O senhor sofreu pressão para não falar à CPI?

Absolutamente nenhuma, de ninguém.

 

Suas revelações à CPI estremeceram a relação com Lula e o PT?

Nunca fui unanimidade no partido. Acho que deve ter gente que não gostou. Mas os que tinham uma boa relação comigo continuaram tendo.

Continuo tendo a admiração que sempre tive pelo presidente Lula, mas houve um afastamento natural entre nós.

 

Sua confissão à CPI forneceu evidências suficientes para abrir um processo de impeachment do presidente. O senhor tinha consciência da gravidade de suas revelações?

Lógico que não. Isso nunca passou pela minha cabeça. Não faria sentido eu querer prejudicar um presidente que ajudei a eleger e por quem sempre tive e continuo a ter tanta admiração.

 

Em depoimento na CPI dos Correios: "Ouvi de muita gente que fui um idiota por ter falado a verdade. Mas, por outro lado, acho que foi por ter falado a verdade que fui absolvido" (Foto: J. Freitas)

Em depoimento na CPI dos Correios: "Ouvi de muita gente que fui um idiota por ter falado a verdade. Mas, por outro lado, acho que foi por ter falado a verdade que fui absolvido" (Foto: J. Freitas)

Como os marqueteiros vão receber pelas campanhas eleitorais, agora que o STF decidiu que caixa dois é crime?

Não tenho conhecimento técnico para fazer essa avaliação, mas é importante que existam regras claras. O Brasil precisa disso.

 

Valeu a pena falar a verdade?

Ouvi de muita gente que fui um idiota por ter falado a verdade. Mas, por outro lado, acho que foi por ter falado a verdade que fui absolvido. Não escondi nada.

 

Se pudesse voltar no tempo, o senhor aceitaria de novo receber o pagamento no exterior?

Jamais.

Se computar os prejuízos às minhas empresas e à minha imagem, gastei mais do que recebi.

O sofrimento e a cirurgia no coração não têm preço. Foram colocadas duas pontes de safena e duas mamárias.

 

Quais foram os prejuízos nos negócios?

A minha empresa de marketing político estava no auge. Depois daquilo, começou a dar para trás. Poucos tinham a coragem de me contratar. Só queriam conselhos, consultorias reservadas.

Quero agora esquecer o passado. A verdade é que fui absolvido, mas já paguei a minha pena por antecipação.

 

O que o marqueteiro Duda Mendonça faria para recuperar a imagem de Duda Mendonça?

O tempo é o senhor de todos os males. Marketing não é mágica. A Justiça me absolveu. A imprensa está me dando espaço para contar a minha história. Depois disso, é fazer o boca a boca. É coragem para recomeçar.

16/10/2012

às 16:00 \ Política & Cia

MENSALÃO, segundo Merval Pereira: ao absolver Duda Mendonça, símbolo do escândalo, Supremo faz julgamento técnico e não se deixa levar por apelos políticos

O plenário do Supremo, visto da plateia: julgamento técnico sobre Duda Mendonça (Foto: Carlos Humberto / STF)

Por Merval Pereira, do jornal O Globo 

O publicitário Duda Mendonça, que se transformou em símbolo da crise do mensalão quando, em CPI de 2005, surpreendeu a todos revelando que recebera pagamento de cerca de R$ 10 milhões no exterior pela campanha eleitoral que elegeu Lula presidente em 2002, foi absolvido ontem pelo Supremo Tribunal Federal das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O pagamento foi feito através do publicitário Marcos Valério a uma empresa que Duda Mendonça abriu no exterior apenas para receber o pagamento que lhe era devido, com dinheiro saído de contas de vários bancos pelo mundo, e essa revelação provocou na ocasião choro e ranger de dentes entre os petistas, sendo que muitos deles foram ao púlpito da Câmara e do Senado pedir desculpas ao povo brasileiro.

Estava criado naquele momento um clima propício ao pedido de impeachment de Lula, pois o pagamento ilegal se referia diretamente à campanha eleitoral, e ele só não aconteceu porque houve muitas negociações nos bastidores, e a oposição não quis enfrentar a luta política que certamente seria desencadeada.

Imaginando que Lula estava mortalmente ferido, optou por deixá-lo sangrar, na expectativa de que não tivesse recuperação. O cálculo da oposição mostrou-se equivocado, e, com a economia recuperando fôlego, Lula acabou se reelegendo em 2006.

Ontem, o STF recuperou do passado o episódio para, à luz da legislação, desidratá-lo, tratando-o como um caso menor de erro de um contribuinte qualquer que acabou pagando sua dívida com o Imposto de Renda e regularizou sua situação.

Denúncia falha levou Joaquim a ser voto vencido

Apenas o relator Joaquim Barbosa deu importância ao crime de lavagem de dinheiro do qual acusou o publicitário e sua sócia Zilmar Fernandes, tendo sido voto vencido, com apenas mais dois colegas acompanhando seu exemplo.

Duda Mendonça: por questões técnicas, escapou da condenação -- mas ficou claro que houve dinheiro sujo até na campanha de Lula em 2002 (Foto: oglobo.globo.com)

A posição da maioria do plenário foi definida muito mais por questões técnicas do que pela análise dos fatos concatenados, como continuou fazendo o relator.

Rosa Weber foi a primeira a chamar a atenção para a falha na acusação do Ministério Público (MP), que não apontou como crime antecedente da lavagem de dinheiro a evasão de divisas cometida pelo núcleo financeiro comandado por Valério.

“A denúncia não pode ser implícita”, advertiu a ministra quando o relator insistiu em que a peça do procurador-geral da República falava em “crimes contra o sistema financeiro nacional”, o que incluiria a evasão de divisas.

Barbosa ainda tentou defender a tese de que um “deslize verbal” da acusação não poderia invalidar a denúncia, que para ele estava clara: o publicitário Duda Mendonça abriu conta no exterior apenas para receber pagamento que o Partido dos Trabalhadores lhe devia.

Até mesmo a campanha de Lula em 2002 foi contaminada com dinheiro ilegal

O fato de o dinheiro ter sido enviado através das empresas de Valério para o exterior seria a prova de que Duda sabia que a origem daquele dinheiro era no mínimo duvidosa, o que o próprio réu admitiu em seu depoimento à Justiça.

Mas apenas Gilmar Mendes e Luiz Fux seguiram a linha do relator, ficando os demais com a tese do revisor, que viu na denúncia uma falha que a invalidava.

Foi ressaltado até mesmo o fato de o procurador-geral da República, em suas alegações finais, ter deixado a critério do plenário a definição do crime praticado por Duda, se lavagem de dinheiro ou evasão de divisas. Essa situação demonstrava, para o revisor e a maioria dos ministros, que o MP não estava convicto de sua acusação.

Não foi suficiente Barbosa lembrar que ele também não aceitara aquela atitude do procurador-geral, rejeitando-a.

Houve momento em que Barbosa, claramente irritado por sentir que perdia a discussão, admitiu que poderia até mesmo mudar seu voto para que o MP aprendesse a ser específico em sua acusação.

A decisão do STF de que Marcos Valério, seus sócios e os dirigentes do Banco Rural utilizaram-se de métodos ilegais como evasão de divisas para o pagamento do marqueteiro, e por isso foram condenados, confirma que até mesmo a campanha eleitoral de 2002 foi contaminada com dinheiro ilegal.

Mas o fato é que a maioria dos ministros ateve-se a questões formais para inocentar Duda Mendonça, o que retirou do processo um fator simbólico.

E demonstrou mais uma vez que o plenário do Superior Tribunal Federal não se deixa levar por apelos políticos no julgamento do mensalão.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados