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Duda Mendonça

06/12/2014

às 18:30 \ Política & Cia

O PT treme de novo: empresários admitem ter pago propina ao partido

Augusto Ribeiro de Mendonça Neto: ele confessou à PF ter pago 150 milhões de reais de propina para manter contratos com a Petrobras – e disse que parte desse dinheiro foi abastecer o caixa eleitoral do PT (Foto: Leo Pinheiro/Valor/VEJA.com)

Augusto Ribeiro de Mendonça Neto: ele confessou à PF ter pago 150 milhões de reais de propina para manter contratos com a Petrobras – e disse que parte desse dinheiro foi abastecer o caixa eleitoral do PT (Foto: Leo Pinheiro/Valor/VEJA.com)

Em 2005, Duda Mendonça confessou ter recebido do PT 5 milhões de dólares por debaixo do pano, dinheiro depositado em contas bancárias no exterior. Era o começo do mensalão. Agora, empresários admitem ter pago 150 milhões de reais em propina ao PT e a aliados. É o início do petrolão

Reportagem de Robson Bonin e Alexandre Hisayasu publicada em edição impressa de VEJA

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o primeiro a fazer acordo, revelou como funcionava a quadrilha dentro da estatal, as vinculações partidárias dos criminosos e a identidade dos empreiteiros envolvidos. Depois dele, foi a vez de o doleiro Alberto Youssef apresentar o nome de aproximadamente cinquenta políticos que receberam propina, entre deputados, senadores, governadores e ministros.

O mosaico do golpe bilionário aplicado contra a Petrobras começou a ganhar forma a partir das informações, das pistas e das provas fornecidas pelos dois delatores. Na semana passada, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, divulgou um conjunto de depoimentos prestados por executivos da empresa Toyo Setal, uma das fornecedoras de serviços à Petrobras, que acrescentam ao caso ingredientes com imenso potencial de destruição.

Segundo esses relatos, o PT não só é apresentado como o responsável pela montagem e pela operação do esquema de corrupção na estatal como também se nutriu dele. E ainda mais grave: dinheiro da corrupção pode inclusive ter ajudado a eleger a presidente Dilma Rousseff.

Em 2005, o marqueteiro Duda Mendonça assombrou o país ao revelar a uma CPI do Congresso os detalhes da engenharia criminosa montada pelo PT para pagar as dívidas da campanha presidencial de Lula. Contratado pelo partido para cuidar da propaganda eleitoral de 2002, Duda recebeu parte do pagamento — 5 milhões de dólares — em depósitos clandestinos no exterior. Era o início do até então maior escândalo de corrupção da história.

Sob os holofotes do Congresso, Duda mostrou extratos, ditou o nome dos bancos estrangeiros e os valores ocultos pagos lá fora. A história do partido mudaria para sempre desde então. Seus líderes — definidos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal como “profanadores da República” — foram julgados, condenados e enviados à cadeia.

No auge da crise, o PT temeu sucumbir à gravidade dos seus pecados, mas resistiu, reelegeu Lula, elegeu e reelegeu Dilma Rousseff, mas, ao que parece, não aprendeu nada com o susto do mensalão.

Em acordo de delação premiada, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos executivos da japonesa Toyo Setal, confirmou que participava de um cartel de empresas que comandava as obras da Petrobras e, em contrapartida, entregava uma parte de seus ganhos aos partidos do governo — exatamente como disseram o ex-diretor Paulo Roberto e o doleiro Youssef.

No caso da empresa japonesa, o “acerto” era feito com o diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. Militante petista, Duque foi alçado ao posto por indicação do mensaleiro José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, atualmente cumprindo pena de prisão por corrupção. Duque seria o responsável por coletar a parte do PT junto às empreiteiras que integravam o chamado “clube” do bilhão. Era ele também que decidia os valores que deveriam ser repassados diretamente ao partido.

“Os pagamentos se deram de três formas: parcelas em dinheiro, remessas a contas indicadas no exterior e doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”, declarou o empresário. Definidos os porcentuais e a metodologia de distribuição, os detalhes eram combinados com o tesoureiro do PT, João Vaccari. É desse trecho do depoimento que eclode uma constatação de estremecer: o delator confirmou que a Toyo Setal enviou parte do dinheiro roubado da Petrobras ao caixa eleitoral do PT, simulando uma doação legal.

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Outros destaques de VEJA desta semana

02/12/2014

às 18:43 \ Política & Cia

DORA KRAMER: A esquerda insiste nos mesmos erros e oposição reclama da incoerência do governo — e, enquanto isso, Lula e Dilma ganham tempo

O PT se agita e a relação com a presidente fica tensa, enquanto cresce no partido a turma do “queremismo”, pela volta de Lula (Foto: ABr)

Dilma e Lula: sem nenhuma preocupação com os gritos da esquerda a respeito da virada na economia (Foto: ABr)

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo

Se você acredita que Dilma Rousseff e Luiz Inácio da Silva estão dando grande importância aos reclamos de petistas indignados com a virada na economia ou às críticas de “estelionato” feitas pela oposição devido aos atos contrários às palavras ditas na campanha, é porque não está com a memória em dia.

Não lembra que há 12 anos o PT percebeu que para chegar ao poder, e nele conseguir se manter, seria indispensável abrir mão da coerência e aderir sem restrições ao mais absoluto pragmatismo? Sob todos os aspectos. Para o bem e para o mal. A parte boa disse respeito à economia. Como agora. Não faz muito tempo o ex-presidente Lula andou dizendo que assinou contrariado a Carta aos Brasileiros.

Pois sim. Foi a fiança que o permitiu se eleger, governar e ser celebrado pelo bom senso de ter esquecido tudo o que o PT tinha escrito e dito anteriormente. O país não lhe cobrou satisfações. Ao contrário, respirou de alívio. E, na ocasião, deixou barato o fato de aquele bom legado ser chamado de “herança maldita”.

Houve aqui e ali inquietações. Inesquecível o dia em que, logo no início do governo, o marqueteiro recentemente vitorioso, Duda Mendonça, diante da indagação sobre a aparente contradição de ter feito uma campanha baseada na promessa de mudança da política econômica saiu-se com esta: “E você (esta aqui que vos fala) quer mudança maior do que essa?”. Ou seja, mudando de posição estava cumprida a promessa.

Mas quase ninguém estava ligando para esse tipo de detalhe. Quando veio a adesão do governo à reforma da Previdência (setor público) que tanto combatera enquanto oposição, tampouco me esqueço. Cobrado, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, em entrevista ao Estado, respondeu secamente que o governo não devia explicações.

Um dos únicos a reconhecer que seria necessário o partido ao menos fazer uma autocrítica, a fim de rever posições, reconhecer os erros do passado e tocar a vida em frente com transparência foi Aloizio Mercadante. Falou no assunto só uma vez e calou-se para sempre. Já um grupo de deputados e militantes continuou inconformado e logo deixou o partido. Daí surgiu o PSOL, embora nem todos tenham aderido ao projeto.

Como também a crítica não era só essa. Incluía a exacerbação do pragmatismo nas alianças feitas com figuras notórias da pior qualidade, em nome de uma política que segundo Lula, ainda na Presidência, dizia ser a única possível de ser exercida no país. Resumiu à época numa frase: “No Brasil, Jesus teria de fazer aliança com Judas”.

E assim foi o partido perdendo-se em seus desvãos, dando o dito pelo não dito, desqualificando a crítica, a oposição e até mesmo a opinião dos seus. Até que uma voluntariosa tentativa de volta às origens na área econômica juntou-se à vocação autoritária e o governo da presidente Dilma Rousseff quase pôs ao chão o projeto de poder.

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18/11/2014

às 15:37 \ Política & Cia

MERVAL PEREIRA: Não, não é golpismo pedir o impeachment da presidente Dilma

(Foto: Mariela Guimarães/O Tempo)

Em Belo Horizonte, manifestantes pedem a destituição da presidente Dilma Rousseff (Foto: Mariela Guimarães/O Tempo)

SEM GOLPISMOS

Artigo publicado no jornal O Globo

merval-pereiraAs manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, sejam nas ruas, sejam de políticos oposicionistas ou de meios de comunicação, podem ser precipitadas, inconvenientes politicamente, mas nunca golpistas, como defensores do governo as rotulam na expectativa de reduzir o seu ímpeto. Nada tem a ver, pois, com pedidos de intervenção militar, esses sim vindos de uma minoria golpista.

A razão da demanda existe pelo menos em tese, seria a indicação, feita pelo doleiro Alberto Yousseff, de que a campanha de 2010 foi financiada por dinheiro do petrolão. E ainda está para ser aprovada a prestação de contas da campanha deste ano, que até segunda ordem será analisada no TSE pelo ministro Gilmar Mendes.

Ou ainda um crime de responsabilidade por não ter a presidente impedido o uso da Petrobras para financiamentos de sua base política, ou ter compactuado com esse esquema, durante o período em que foi a principal responsável pela área de energia.

No mensalão, quando o publicitário Duda Mendonça confessou que havia recebido pagamento no exterior, num paraíso fiscal, pelo trabalho de campanha de 2002, abriu-se a possibilidade concreta de impeachment do então presidente Lula, que não foi adiante por uma decisão política da oposição.

E quem diz que não há golpismo em usar a Constituição para destituir um presidente da República é o ex-presidente Lula, que aparece em um vídeo que se espalha pela internet defendendo essa tese em um programa de televisão após o impeachment de Collor, liderado pelo PT na ocasião. Disse Lula: “(…) foi uma coisa importante o povo brasileiro, pela primeira vez na América Latina dar a demonstração de que é possível o mesmo povo que elege um político destituir esse político. Eu peço a Deus que nunca mais o povo brasileiro esqueça essa lição”.

As democracias mais sólidas do planeta preveem a possibilidade de impeachment do presidente da República, e um exemplo disso é os Estados Unidos, onde nos anos recentes dois presidentes foram alvos de uma ação dessas pelo Congresso. Um, o ex-presidente Bill Clinton, envolvido em um escândalo sexual na Casa Branca, escapou da punição no Congresso, e outro, Richard Nixon, acabou renunciado diante da certeza de que seria impedido pelo Congresso.

No Brasil, o presidente da República reeleito pode ser impedido por fatos ocorridos no mandato anterior, pois o artigo 15, da lei 1.079, de 10 de abril de 1950, que “define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento”, diz que a “denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo”.

De acordo com o parágrafo primeiro e seus incisos, do artigo 86 da Constituição Federal, “O Presidente ficará suspenso de suas funções: I – nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal; II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal”.

Pelo mesmo motivo, o ex-presidente Lula não pode ser acusado de crime de responsabilidade por atos cometidos nos oito anos de sua gestão à frente da Presidência. Caso venha a ser acusado de algum crime, será julgado na Justiça de primeira instância, sem foro privilegiado.

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01/10/2014

às 15:35 \ Política & Cia

ELEIÇÕES SP: O debate que você não viu: homofobia, mensalão e a reação das famílias dos candidatos

Os candidatos ao governo de São Paulo: Geraldo Alckmin (PSDB), terceiro da esquerda para a direita,  Paulo Skaf (PMDB), segundo da direita para a esquerda, e Alexandre Padilha (PT), último da direita (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Os candidatos ao governo de São Paulo no debate da TV Globo: Geraldo Alckmin (PSDB), terceiro da esquerda para a direita, Paulo Skaf (PMDB), segundo da direita para a esquerda, e Alexandre Padilha (PT), último da direita (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Por Bruna Fasano e Andressa Lelli, de São Paulo, para VEJA.com

Mensalão – Alexandre Padilha (PT) e Laércio Benko (PHS) travaram o bate-boca mais quente do debate. Apoiador de Marina Silva, o nanico questionou Padilha sobre os ataques do PT à presidenciável do PSB e disse que muitos petistas mudaram de lado: “Muitos estão por trás das grades”, disse, referindo-se aos condenados no escândalo do mensalão. A ala tucana na plateia caiu em risadas. Padilha cobrou respeito: “Por mais de dez anos passei pelas áreas mais complexas e nunca fui acusado de nada. Marina é quem muda de posição a cada dia.”

Sofá de casa – Todos os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes levaram a família para assistir ao debate promovido na TV Globo, o último no primeiro turno. O campeão de acompanhantes foi Paulo Skaf (PMDB), que levou quatro filhos. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, levou a esposa, Lu Alckmin, dois filhos e as duas noras. Postaram selfies e fotos no Instagram.

Cegonha – Mulher de Alexandre Padilha, a jornalista Thássia Alves deixou o estúdio duas vezes para ir ao banheiro durante o debate. Thássia está grávida de quatro meses do primeiro filho do casal e diz que fará o pré-natal e o parto pelo SUS.

Não foi desta vez – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que acompanha o debate no estúdio, reconheceu que a eleição para o governo do Estado de São Paulo está morna. “Eu tenho impressão de que as pessoas começaram a prestar atenção na eleição estadual agora, que estava muito apagada. Os problemas estaduais são muito graves”, afirmou. O candidato do partido de Haddad, Padilha, ainda não conseguiu sair da casa dos 9% das intenções de voto. Faltam apenas quatro dias para as eleições.

Meu bem, volto já – Haddad deixou o estúdio da TV Globo no fim do segundo bloco e não foi mais visto. O relógio marcava 23h45.

Asseclas – Tanto petistas quando tucanos reuniram também as principais lideranças dos partidos para o debate. Na plateia, na primeira fila, torcendo por Padilha, estava o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o senador Eduardo Suplicy e presidente estadual do PT, Emídio de Souza. No lado oposto, os apoiadores de Alckmin: o deputado José Aníbal e o presidente estadual dos PSDB, Duarte Nogueira.

Guarda-roupa – O petista Alexandre Padilha e o tucano Geraldo Alckmin sincronizaram a escolha do visual. Ambos vestiram terno escuro, camisa branca e gravata vermelha.

Sincronizados – Apenas um minuto de diferença separou a chegada de Skaf e de Alckmin. O carro blindado do peemedebista cruzou os portões da emissora às 21h36. O de Alckmin, às 21h37.

Repeteco – Na troca de perguntas entre Gilberto Natalini (PV) e Gilberto Maringoni (PSOL), o verde ironizou a formação da dupla, que se repetiu quase em todos os debates anteriores: “Ah, que bom! Vou perguntar para o meu xará”.

Bateu no Aerotrem – O nanico Gilberto Maringoni (PSOL) usou parte do tempo de uma resposta sobre Transportes para criticar a fala homofóbica do candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB), durante debate da TV Record no domingo. Visivelmente constrangido e sem saber como abordar o assunto, o verde Gilberto Natalini, a quem caberia a réplica, preferiu não entrar na questão e voltou a discutir a mobilidade urbana.

Futuro – O candidato do PHS, vereador Laércio Benko, perguntou a Skaf sua opinião sobre reeleição. O peemedebista deu a entender que, se reeleito, o governador Geraldo Alckmin não completaria seu mandato, já de olho nas eleições presidenciais de 2018. Mas saiu pela tangente, uma vez que seu partido, o PMDB, apoia a reeleição de Dilma. Na réplica, Benko escorregou e disse: “sou contra a eleição de deputados”.

Conectado – O marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela campanha de Skaf, acompanhou todo o debate sem tirar os olhos do celular. Ele conversava com várias pessoas ao mesmo tempo pelo WhatsApp.

30/07/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ABRAÇO DE AFOGADO: Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de SP, não apoia Dilma porque teme ser contaminado por sua altíssima rejeição no Estado

Skaf com Dilma quando ainda na presidência da Fiesp: querem enfiá-la goela abaixo do candidato do PMDB ao governo de SP (Foto: Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

Skaf com Dilma antes de se licenciar da presidência da Fiesp: querem enfiá-la goela abaixo do candidato do PMDB ao governo de SP (Foto: Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

Depois de duas décadas sem qualquer candidato viável ao governo de São Paulo, o PMDB finalmente conseguiu um nome que não dá traço em pesquisa e que, embora atrás do governador tucano Geraldo Alckmin, deixa a anos-luz de distância o “poste” escolhido por Lula para disputar o Palácio dos Bandeirantes, o ex-ministro Alexandre Padilha (PT).

Trata-se do empresário Paulo Skaf, presidente licenciado da mais poderosa entidade patronal do país, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Torrando fortunas da Fiesp em campanhas de utilidade altamente duvidosa, mas em que apareceu de forma abundante na TV, Skaf chegou a saudáveis 21% das intenções de voto em pesquisa Datafolha divulgada a 6 de junho passado.

Depois, em novo levantamento, divulgado no último dia 17, caiu para 16%, enquanto Alckmin disparou de 47% para 54%, o que eliminaria o segundo turno.

Há várias interpretações para a queda nas intenções de voto, mas Skaf parece convencido de que ela ocorreu devido à associação de seu nome com o da presidente Dilma Rousseff, que o PMDB apoia em nível nacional a ponto de ter o presidente do partido, Michel Temer, mantido na chapa como candidato a vice. Skaf desde então vem procurando se desvencilhar dessa ligação, e insiste na tecla de que é “oposição ao PT e ao PSDB em São Paulo”.

Não pareceu suficiente. E as últimas atitudes do candidato — inclusive trombadas verbais com o prefeito petista de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, sobre o tema — fizeram com que aumentasse a pressão da direção nacional do PMDB para que Skaf ofereça seu palanque à presidente.

Está instalada, pois, a crise dentro do PMDB paulista, porque o espertíssimo marqueteiro de Skaf, Duda Mendonça, sabe muito bem que associar-se a Dilma em São Paulo é dar um abraço de afogado. O Datafolha mostra que a rejeição à presidente no Estado é altíssima — 47% dos eleitores declaram que não votariam nela em nehuma hipótese — e, na capital, chega a espantosos 49%.

Esse quadro é muito difícil de reverter, sabem os especialistas em eleições. Se não se alterar, Dilma será esmagada em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com 32 milhões de eleitores (22,4% do total).

Skaf, que há quatro anos prepara sua candidatura pelo PMDB, não quer afundar junto com a presidente.

09/02/2014

às 18:00 \ Livros & Filmes

Em livro, o porquê de FHC ter sido, na Presidência, um acorde dissonante

O PONTO FORA DA CURVA -- Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

O PONTO FORA DA CURVA — Com dona Ruth, a primeira mulher de presidente a chegar a Brasília com uma profissão (Foto: Egberto Nogueira)

Resenha de Augusto Nunes, publicado em edição impressa de VEJA

O ACORDE DISSONANTE

Como Fernando Henrique, o candidato que tinha tudo para dar errado, virou o presidente certo na hora mais incerta

O sociólogo convertido em político aos 48 anos tinha tudo para dar errado como candidato a qualquer coisa. Tal suspeita vira certeza com a leitura das revelações de Fernando Henrique Cardoso no livro escrito em parceria com o jornalista americano Brian Winter.

capa-fhcA versão em português de O Improvável Presidente do Brasil (Civilização Brasileira; 368 páginas; 35 reais) justifica o título com a exposição de traços de temperamento, marcas de nascença, heranças genéticas e outras particularidades que, se favoreceram a trajetória vitoriosa do professor admirado em muitos sotaques, pareciam condenar ao fiasco o político aprendiz.

E reafirma que a chegada de FHC ao Palácio do Planalto em 1994 foi muito mais surpreendente que o triunfo de Lula ou sua substituição por Dilma Rousseff.

O grande viveiro de cabeças baldias tem tudo a ver com o ex-operário sem compromisso com a verdade (e o plural) ou com a mulher que fala dilmês (e não diz coisa com coisa).

Assombrosa, portanto, é a constatação de que um intelectual puro-sangue foi autorizado pelo voto a reinar, durante oito anos, num país em que a palavra elite deixou de designar o que há de melhor num grupo social para tornar-se estigma.

Foi Fernando Henrique o acorde dissonante na ópera do absurdo composta pelos que o antecederam e retomada por seus sucessores. Vistos de perto, os presidentes brasileiros exibem muito mais semelhanças que diferenças. Se estivessem vivos, todos seriam parceiros na base aliada. Menos Fernando Henrique Cardoso, informam os paradoxos que fizeram dele uma figura sem similares.

No país do futebol e do Carnaval, ele jamais calçou um par de chuteiras e não vestiu fantasias nem mesmo quando criança. Na terra dos extrovertidos patológicos, que na campanha se engalfinham com um eleitor desconhecido a cada metro e derramam lágrimas de esguicho na vitória ou na derrota, ele nunca foi além de tapinhas nas costas e chorou menos que Clint Eastwood.

com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

com Itamar Franco (Foto: Nélio Rodrigues)

 

No Brasil dos analfabetos sem cura, que instalam e mantêm no poder populistas iletrados, dedicou a maior parte da vida a ensinar, pesquisar, ler, escrever e, sobretudo, pensar. “Como poderia um professor de sociologia, paulista (embora nascido no Rio), ‘elitista’, ‘sem carisma’ e ‘arrogante’ derrotar um homem como Lula?”, perguntava-se.

Um marqueteiro da tribo de Duda Mendonça trataria de reconstruí-lo dos cabelos (sempre com cada fio em seu lugar) aos sapatos (muitos de cromo alemão). Em junho de 1994, com o candidato já em campanha pela Presidência, publicitários amigos tentaram aproximá-lo do que chamavam de “povão” com mudanças menos radicais.

“Decidiu-se que eu devia aparecer mais em mangas de camisa e tentar mostrar mais senso de humor”, exemplifica. “Especulava-se também que talvez eu precisasse de um apelido. Alguém sugeriu ‘FHC’, mas concluímos que era muito parecido com DDT. Acabamos ficando mesmo com Fernando Henrique.”

Com anêmicos 19% nas pesquisas que mantinham Lula acima de 40%, pensou em desistir. Não podia imaginar que derrotaria duas vezes, ambas no primeiro turno, o adversário invencível. Muito menos que FHC seria, ao lado de JK, uma das duas únicas siglas tombadas pelo patrimônio político nacional.

“Sempre tive muita sorte”, reconhece o beneficiário de uma extraordinária soma de acasos, ventos favoráveis, coincidências intrigantes e talento de sobra. Feliz com a vida de chanceler, foi surpreendido pelo presidente Itamar Franco com o convite para assumir o Ministério da Fazenda.

Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

Dando aula: a grande exceção à regra da política brasileira (Foto: Arquivo / Ag. O Globo)

 

Nunca entendeu as razões da escolha de um sociólogo sem intimidade com assuntos econômicos para domar a hiperinflação. Repassou a tarefa a uma equipe de especialistas que montaram o Plano Real com o expurgo dos erros que haviam cometido no Plano Cruzado. “Fui eleito pela economia”, reconhece Fernando Henrique no capítulo que narra a mais espetacular virada eleitoral desde a redemocratização do país.

Mas foi reeleito por milhões de brasileiros convencidos de que a estabilidade da moeda fora apenas a maior e mais improvável proeza do presidente. Há muitas outras no livro, que é uma espécie de “Fernando Henrique Cardoso para Estrangeiros”.

Não há nada que lembre a densidade informativa e a profundidade analítica do essencial A Arte da Política, coordenado pelo jornalista Ricardo Setti – hoje colunista de VEJA.com. “Mas nunca me referi de modo tão pessoal a certos acontecimentos”, avisa FHC. “É mais fácil, às vezes, entrar em pormenores pessoais conversando em outro idioma.”

As revelações em inglês permitem conhecer melhor alguns interiores, até agora indevassados, do homem que mudou a história de um país que pedia socorro em português.

24/11/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: A Nestlé controla a inflação controlada da Dilma

Como viciado em chocolate, posso dizer: a Nestlé testemunha a favor da Dilma -- esta sob controle a inflação controlada da Dilma (Foto: Grafikeller)

“Como viciado em chocolate, posso dizer: a Nestlé testemunha a favor da Dilma — esta sob controle a inflação controlada da Dilma” (Foto: Grafikeller)

Por Neil quero chocolate Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

A NESTLÉ CONTROLA A INFLAÇÃO CONTROLADA DA DILMA

Neil Ferreira

Chegou o momento de admitir o meu vício do uso de drogas pesadas; caí feio, rolei pelas sarjetas da vida, tentei de tudo pra me curar. Sem chance; não houve rehab que me reabilitasse. Saio de uma dura temporada de abstinência e caio de novo em outra — sou viciado em chocolate.

Não resisto ao brilho das embalagens, é um prazer magnífico comprar, desembrulhar, ouvir aquele barulhinho hipnotizante e sentir o perfume que antecede a primeira mordida. Só de pensar fico com a boca cheia d´água.

A mordida é pequenina pra durar mais, mas qual o quê; viciados como eu não aguentam ficar na mordidinha inicial para que o efeito tenha maior permanência no organismo. Fraco de vontade, não resisto; devoro em largos bocados e quando menos espero a droga acaba.

Saciado por algumas horas, a urgência de mais e em maiores quantidades volta e reviro a casa, fantasio que encontrarei mais, em recônditos esconsos em que a minha família o teria escondido.

Mentem como verdadeiros petistas (que nunca foram) que é pra me poupar do risco de uma overdose. Desconfio de que , como verdadeiros petistas (que nunca foram), guardaram a droga pra eles mesmos, escondida em seus quartos, com portas e janelas trancadas – também são viciados e bancam os santinhos do pau oco, os anjinhos da cara suja.

Como verdadeiros petistas (que nunca foram) metem a mão em tudo que está à vista e fora dela e quando os acuso da malfeitoria, exigem Ato de Ofício e me ameaçam com Embargos Infringentes. Ainda os ameaçarei de revistar-lhes as cuecas (de quem as usa)

Eu me lembro do filme Lost Weekend, aqui Farrapo Humano, 1945, Billy Wilder, Oscar em 1946 de melhor filme, melhor direção, melhor ator, Ray Milland, e melhor roteiro original.

Ray Milland, bebum dos brabos, desesperado procura dinheiro pra beber, revira o pequeno apartamento da namorada até que encontra uma amarfanhada nota de 5 dólares, escondida dentro de uma caneca de louça e sai correndo em busca de algum bar aberto pra matar a crise de abstinência.

É como me sinto quando fico sem as minhas doses habituais e crescentes de chocolate; a síndrome de abstinência em mim se manifesta com suores gelados, mãos trêmulas, uma dor insuportável no corpo inteiro como se estivesse sendo espancado com violência. Vejo jacarés nas paredes e no teto.

Ainda veremos chocolândias nas ruas de bairros ex-nobres, decadentes pelo abandono dos seus habitantes que se mandaram para as periferias emergentes. O novo IPTU, que a droga do brimo Haddad disse “bagar com alegria”, transformou ruas antes belas, tranquilas e arborizadas, em cheias de viciados comprando e usando chocolate dia e noite com sofreguidão, como as cracolândias de tão tristes presenças.

O vício transita dos escurinhos dos cinemas para o escondidinho das residências e depois abertamente nas ruas, bares, restaurantes e clubes noturnos, como sucedeu com o cigarro e com o uísque. (como Hemingway, prefiro Jake Daniels).

No cinema dos anos 40 e 50 do século passado, o uísque era oferecido como panacéia para as dores de cabeça que o mocinho ou o amigo do mocinho sofriam nas tramas. Pra mocinha, invariavelmente era um cigarro, por ela sugado com elegância, soltando baforadas nas caras dos fãs embevecidos.

Nos filmes da II Guerra Mundial, os heroicos good guys vencedores de batalhas sangrentas, sempre tinham uma Bolsa Invasão — uma barra de chocoloate e um maço de cigarros americanos –, pra ser dada aos civis famintos e maltrapilhos da cidades recém ocupadas, para conquistar seus corações e mentes.

Algum marquetero diabólico a serviço dos traficantes, como Duda Mendonça e João Santana traficaram e traficam mentiras, como “lulinha paz e amor” e “a inflação está sob controle”, teve a ideia de posicionar as drogas por perto das caixas, para atiçar as “compras de impulso”.

Você vai pagar a sua compra e vê a droga liberada, fica em êxtase, cede aos seus impulsos mais primitivos; e compra.

Descriminadas as demais drogas pesadas como álcool e fumo, veremos maconha, cocaína e crack em atraentes e chamativas embalagens, patrocinando milionárias campanhas de propaganda, como já foram as dos cigarros e agora são as das cervejas.

Lula, Zé Dirceu, Dilma, Genoíno, Brimo Haddad, Maluf, Saney, Santa Marina Cheia de Graça, Renan Avacalheiros, Martaxa Relaxa e Goza, e mais um bando de bandoleiros, estão de há muito liberados, já estamos em surto de overdose. Eu surtei.

Não estou nem de longe sugerindo que o vício do chocolate seja semelhante ao vício das drogas citadas. Mas escapar é de uma dificuldade semelhante, me afirmam, à de se tentar escapar do vício do cigarro; escuto narrativas assustadoras de vítimas de possíveis graves moléstias futuras, na boca, garganta, esôfago e pulmões principalmente.

"Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: '—A inflação está sob controle'” (Foto: Wallpoper)

“Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: ‘—A inflação está sob controle’” (Foto: Wallpoper)

Os maços de cigarros trazem pavorosas advertências, que de nada adiantam; ao que tudo indica o viciado não liga a mínima.

O chocolate tem um horrível efeito colateral, cuja advertência deveria estar bem à vista nas suas artísticas embalagens: engorda barbaridade. Todo o mundo que conheço, sabe; como no cigarro, ninguém liga. Eu sei e em nenhum momento larguei o vício e nem tenho forças para largar.

Pra mim, é o chocolate que confirma a duvidosa afirmação da Dilma nas suas incontáveis e demoradas aparições como special guest star da Globo, dizendo que: “—A inflação está sob controle”.

Digam o que disserem os supermercados, a carne, batatas, arroz, feijão, alface, frutas, a inflação controlada da Dilma está sob controle. Más língua dizem quem controla a inflação controlada Dilma é o Mantega; não é, é a Nestlé.

A Nestlé, multinacional centenária, testemunha a favor da Dilma: os preços que pratica provam a afirmação. O chocolate diet Nestlé, o “Classic”, de embalagem escura, cor de cacau, que tenho nas mãos e na boca, mostra que é verdade – seu preço não sobe. Em compensação, o peso da barrinha emagreceu de 50 gramas para o peso leve de 30 gramas mais ou menos.

Repito e desenho se precisar: o preço não subiu mas o peso caiu. A inflação da Dima, portanto, está mesmo sob controle. Daqui a pouco os marqueteros vão gritar: “A Nestlé apoia a Dilma”.

Escrevi um dia “Bebo pra escrever. Escrevo pra esquecer”. Confesso mais uma: como chocolate pra viver. “Eu só quero chocolate, chocolate; chocolate, chocolate”. A bênção Tim Maia.

02/11/2013

às 16:00 \ Política & Cia

VÍDEO INCRÍVEL: será que Duda Mendonça, em 2002, antecipou os futuros mensaleiros?

 

 

Post publicado originalmente a 13 de novembro de 2012

Amigas e amigos do blog, o vídeo abaixo, produzido pelo publicitário Duda Mendonça para a pré-campanha do PT em 2002, visto hoje, parece profético..

O que é que vocês acham?

Vejam e respondam:

28/09/2013

às 17:00 \ Política & Cia

Duda Mendonça — o marqueteiro que ajudou a eleger Lula — flerta com fazer a campanha do tucano Alckmin

Duda Mendonça, com um passarinho na mão... (Foto: J. Freitas)

Duda Mendonça, com um passarinho na mão... (Foto: J. Freitas)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

ENTRE DOIS PALANQUES

O publicitário Nelson Biondi fará as propagandas do PSDB paulista que vão ao ar em outubro e é o favorito para comandar a campanha à reeleição de Geraldo Alckmin.

Biondi é sócio em uma agência de Zilmar Fernandes, que divide outra sociedade com Duda Mendonça, marqueteiro recentemente absolvido no julgamento do mensalão.

Duda tem contrato para fazer a campanha ao governo de Paulo Skaf, do PMDB, mas diz a amigos que o deixaria se fosse convidado por Biondi para trabalhar com o governador tucano.

11/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Advertência — a bandidagem do Mensalão pode sair livre, leve, solta

Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Dirceu O Inocente Injustiçado já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis (Foto: André Dusek / AE)

Por Neil profeta do caos Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

ADVERTÊNCIA: A BANDIDAGEM PODE SAIR LIVRE, LEVE, SOLTA

Esta é um obra de ficção: Montado no meu saber jurídico, superior ao do já esquecido Capinha-Preta Ministro Dias Toffoli, que só abre a sábia boca para pronunciar a sábia sentença “Voto com o Eminente Ministro Revisor”, e o já quase esquecido Lewandowski “O (Coisa)Ruim ”, só lembramos “O Bom”, o xará artilheiro do Dortmund, finalista da Champions League.

Digo eu: prepare o seu coração para esta quase inexorável manchete: “Zé Dirceu Livre”. É o seu Direito Constitucional à Isonomia com Duda Mendonça, ex-principal acionista da “Money Laundry Düsseldorf”, em liberda-a-de, liberda-a-de, abre as asas sobre eles.

Srs. Passageiros, apertem os cintos que vou decolar com a explicação do que entendi desse “imbroglio”. Se entendi errado, aguarde um pedido de desculpas no próximo voo, com serviço de bordo de 1ª Classe: uma suspeita barrinha murcha de cereais e um copo com água morna.

Há em tecedura um tapetão a ser puxado a qualquer momento, tecido por refinadas, habilidosas, cultas e bem treinadas mãos, supostamente abaixo de quaisquer suspeitas.

Mãos como as do quadro-laranja Fonteles, Deputado Federal, PT/Piauí, que nunca abriu a boca na Câmara nem pra bocejar e apresentou um projeto de Proposta de Emenda Constitucional (Pec), que é a cara escrita e escarrada de um golpe de Estado.

Se aprovada pelo Congresso, tirará poderes do STF, Guardião da Constituição.

A republicana igualdade entre os 3 Poderes irá esgoto abaixo, numa descarada manobra bolivariana de quinta categoria, a ser aprovada (será) por uma quadrilha de representantes do Povo – todos votados e eleitos, nenhum deles entrou pulando a cerca.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes.

Por um absurdo nunca antes visto num Estado Democrático e de Direito, esses criminosos integram a Comissão de Constituição e Justiça e votaram a favor do envio dessa Pec à “discussão” de um plenário pleno com a base comprada com a grana do Mensalão. O crime compensa.

Pode não se tratar de um tapetão de verdade. Aqui no porão da subcultura, onde habito na vizinhança dos mais de 100% do país dos mais de 200 milhões de ignorantes em matéria de Direito, é como se fosse um tapetão — e dos persas.

Certifico com conhecimento de causa por ser eu um tapete vira-latas, pisado pelos que têm o Pudê e a Grana. Eles têm A Força.

Late como tapetão, coça as pulgas como tapetão, balança o rabo como tapetão, é tapetão. Mesmo que se acuse de que é minha imaginação, sabe-se: a realidade é produto da imaginação.

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

Só como exemplo: Genoíno O Coitadinho e João Paulo Cinquenta Conto Cunha poderiam vir a julgar as condenações e sentenças que lhes foram aplicadas pelo STF. São os criminosos julgando os Juízes (Foto: AE)

O que está sendo tecido é perfeitamente dentro da Lei. A Constituição assegura ao réu todo o Direito de Defesa e sua última instância são os embargos, que podem ser apresentados aos votos dos Ministros que contenham dúvidas quanto aos quesitos julgados, sua interpretação e sentenças proferidas. O respeito à Lei é um dos pilares da Democracia.

Os Mensaleiros utilizam essa última instância com base no mais profundo conhecimento do Direito à Chicana: Dirceu O Inocente Injustiçado, “Cumpanhero de armas” da Dilma, já foi absolvido pela imprensa “independente”. Virou um varão de Plutarco; até o Inferno tem seus heróis.

Teve manchete de 1ª página na Falha de S.Paulo quando tentou desmoralizar o Ministro Fux. Teve manchete de 1ª página no Estadão quando exigiu que o Ministro Joaquinzão fosse impedido de relatar os tais embargos. Quem tem medo do Joaquinzão?

Ganha notícias favoráveis quando pega um bronze na piscina com a atual Primeira Cumpanhera e até quando vai ao banheiro.

Foi acolhido no espaço mais nobre do blog do Noblat, a abertura, para apresentar seu furo de reportagem: “A campanha presidencial foi antecipada em 2 anos pela Oposição para prejudicar a reeleição da presidenta”, afirmou na maior cara de pau; parece piada do “Zorra Total”.

Esses embargos correriam o risco de serem recusados pelo STF, se a história recente dessa Corte fosse levada em conta. Com nove Ministros, as condenações e as sentenças foram proferidas por cinco Ministros pela condenação e quatro pela absolvição – a Gangue dos Quatro: Levandowski, Dias Toffoli e as meninas Carmem Lúcia e Rosa Weber.

Com a nomeação do novo Ministro Carequinha, que desconfio ser Cumpanhero (foi ele quem livrou a cara do Mermão Paloffi no julgamento de um de seus “ malfeitos”) , agora os Ministros são dez.

Na minha paranóia, tenho a quase certeza de que a votação dos embargos ficará nos cinco a cinco. Se der empate, a sentença é pró réu, o que quer dizer que a bandidagem sairá linda, leve e solta — e de ficha limpa.

Dirceu O Inocente agora Justiçado, Capitão do Time e Chefão (Godfather) da Quadrilha, poderá vir a ser até candidato a Presidente da República, a bordo de um Diploma de Inocente e Condecoração de Herói da Pátria – pra eles, Condenação é Condecoração. Fim da ficção, pode voltar ao mundo real.

Hélas pour nous.

 

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