Blogs e Colunistas

Cristina Kirchner

19/02/2015

às 6:00 \ Disseram

Orgulho da Argentina

“Tenho muito orgulho porque posso ir a qualquer país do mundo (…) e dizer que, na Argentina, impera a lei e que nenhum argentino pode ser preso sem que seja por ordem de um juiz.”

Cristina Kirchner, presidente argentina, em discurso na usina nuclear de Atucha II, em Zárate; ela pode ser convocada a depor no caso da morte de Alberto Nisman, promotor que ia acusá-la de participar do atentado terrorista à Amia, em 1994

18/02/2015

às 20:26 \ Vasto Mundo

CAIO BLINDER: Morte misteriosa do promotor Nisman faz 1 mês. E a Argentina marcha contra a impunidade

(Foto: Don Rypka/AP Images)

Lições da impunidade: embaixada de Israel em Buenos Aires (17 de março de 1992) (Foto: Don Rypka/AP Images)

YO SOY NISMAN (IV)

Post publicado no blog de Caio Blinder, em VEJA.com

Nesta quarta-feira de cinzas, quando se completa um mês da morte do promotor argentino Alberto Nisman em circunstâncias nebulosas, uma marcha silenciosa será realizada em Buenos Aires. Manifestações de apoio também estão previstas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil.

Nisman acusara a presidente Cristina Kirchner e vários assessores de acobertar, em troca de acordos comerciais, o suposto envolvimento iraniano no atentado contra o centro comunitário judaico em Buenos Aires em 1994, que deixou 85 mortes.

Para mim e para muitos, Nisman pode ser listado com a vítima número 86. Agora, um novo promotor, Gerardo Pollicita, leva adiante as acusações de Nisman. No mínimo, desejo que ele tenha uma longa vida.

De Nova York, a jornalista argentina Jasmine Garsd acompanha a saga em sua terra natal e reflete sobre a impunidade. Ela viu de perto a saga que precedeu o atentado contra o centro comunitários judaico, dois anos antes.

Em 17 de março de 1992, Jasmine, então com 9 anos de idade, caminhava com sua mãe pela quadra no centro de Buenos Aires onde estava localizada a embaixada de Israel. Como o de 1994, o atentado de 1992 é igualmente atribuído ao grupo terrrorista libanês Hezbollah, a mando do regime iraniano.

“É uma bomba”, gritou a mãe de Jasmine enquanto a empurrava para o solo. Jasmine diz que, agora adulta, ela percebe que foi a primeira vez em que ficou ciente da morte. Mais importante, para o fato de que frequentemente ela não é punida na América Latina.

A explosão devastou o edifício, matando 29 pessoas e ferindo 242 (destruiu também uma igreja católica e uma escola nas imediações). A mãe de Jasmine perdeu parcialmente a audição. No local da embaixada, hoje existe um memorial.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

06/02/2015

às 6:00 \ Disseram

Sem mais segredos

“Por ordem da presidente, vamos livrar o senhor Stiuso da obrigação de guardar segredos desde 1972, quando entrou na Side [Serviço de Inteligência argentino], até o dia 5, quando se aposentou.”

Oscar Parilli, chefe da Side, sobre o espião argentino Antonio Jaime Stiuso, aposentado compulsoriamente nesta quinta-feira; Stiuso foi convocado a falar sobre o caso Alberto Nisman, o promotor encontrado morto horas antes de acusar a presidente argentina Cristina Kirchner de envolvimento com o atentado terrorista à Amia, em 1994

25/01/2015

às 19:00 \ Política & Cia

CARLOS BRICKMANN: O PT começa a fazer oposição a Dilma — e tanto ela como Lula estão caladinhos

Carlos BrickmannNotas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje em vários jornais

Lula está na muda. Silenciou quando sua invisível aliada Rose Noronha deixou de ser invisível e incomodamente apareceu no noticiário. Mais silente ficou quando viu que seus aliados no governo foram decepados por Dilma.

Dilma está na muda. Silenciou quando teve de adotar as medidas que acusava Aécio de planejar. Mais silente ficou ao descobrir que seus caros aliados, a quem dedicou tanto carinho, confiáveis não são. E que seu próprio PT está rachado.

A Fundação Perseu Abramo, Lula desde criancinha, a acusa de aprofundar as tendências recessivas da economia com medidas conservadoras e ortodoxas – isso, em linguagem petista, é um insulto e tanto.

Marta Suplicy, articuladora do movimento Volta, Lula, abriu fogo pesado contra Dilma.

Maria do Rosário, que foi ministra de Dilma até outro dia, não se manifestou; mas seu marido, o também petista gaúcho Eliezer Pacheco, secretário de Educação de Canoas, disse que Dilma enfrenta a crise achacando os assalariados, “como sempre fizeram os governos de direita”.

E completa: “Sou PT, mas não sou cordeiro nem omisso (…) Não foi nisso que votamos (…) Não trairemos nosso projeto nem que a vaca tussa”.

E todos esses são petistas que, se encontrarem Lula em pessoa, terão de fazer enorme esforço para não cair de joelhos e, testa encostada no chão, voz embargada pela emoção, gritar beatificamente “Caramuru! Caramuru!”

O petista-mor José Dirceu, em seu blog, bateu duro em Dilma.

Seu filho Zeca Dirceu fez pesado discurso na Câmara contra a corrupção.

A vaca anda tossindo.

Investiguemos Dirceu, sim — mas Lula, não

Este colunista não gosta de coincidências. Há dias, soube-se que José Dirceu está ouvindo outros grão-petistas que não gostam de Dilma e estão sem voz no governo. O processo pode levar à criação de nova tendência interna no PT, para assumir o comando do partido, que hoje não é exercido por Rui Falcão.

Pois não é que, em seguida, o Ministério Público pede (e obtém) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Dirceu, de seu irmão e sócio e da sua empresa? Dirceu recebeu pouco mais de R$ 3,5 milhões de três empreiteiras investigadas no caso Lava-Jato.

OK – mas se é para investigar quem prestou consultoria às grandes empreiteiras, há um profissional ainda mais famoso, cujo relacionamento com as empresas vai a ponto de usar seus jatinhos e de ajudar a fechar negócios internacionais. É o ex-presidente Lula. Ou só Dirceu interessa à investigação? E por que?

A morte é a resposta

Dois atentados terroristas em Buenos Aires, ambos sem solução, eram investigados pelo promotor federal argentino Alberto Nisman.

Um, contra a Embaixada israelense, em 1992, com 29 mortos; outro, contra a AMIA, entidade beneficente judaica, matou 85 pessoas.

Em ambos os casos, houve acusações a grupos terroristas iranianos.

Um dos acusados chegou a ministro da Defesa do Irã, embora com prisão determinada pela Interpol. O governo argentino preferiu deixar pra lá, e o promotor Alberto Nisman chegou à conclusão de que tanto a presidente Cristina Kirchner quanto seu chanceler, Héctor Timerman, haviam trocado a impunidade do ministro da Defesa do Irã por petróleo e financiamentos.

Nisman faria a denúncia no dia em que morreu com um tiro na testa.

Há duas possibilidades, ambas terríveis:

1) a primeira, que o promotor, mesmo com policiais guardando seu apartamento, tinha sido assassinado;

2) a segunda, que por algum motivo, bem no dia em que concluiria um trabalho de dez anos apresentando publicamente suas conclusões, suicidou-se.

Nesse caso – e lembrando a pergunta do jornalista Alberto Dines, quando os militares insistiram na tese do suicídio de Vladimir Herzog – que é que lhe fizeram para que ele preferisse se suicidar? A que ameaças e pressões terá sido submetido?

22/01/2015

às 18:00 \ Disseram

Inexplicado, por enquanto

“Estou esperando que alguém dê uma explicação minimamente válida.”

Ricardo Darín, maior ator do cinema argentino atual, sobre a morte do promotor Alberto Nisman, que investigava o envolvimento da presidente Cristina Kirchner no atentado à Amia, em 1994

22/01/2015

às 16:00 \ Vasto Mundo

CASO NISMAN: Cristina está “convencida” de que promotor não cometeu suicídio

Promotor Alberto Nisman, morto horas antes de apresentar denúncia (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

O promotor Alberto Nisman foi morto horas antes de apresentar denúncia contra a presidente Cristina Kirchner; não havia pólvora em suas mãos (Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

Presidente muda seu discurso e afirma não ‘ter dúvidas’ de que não se trata de suicídio. Sobre as denúncias, Cristina diz que “plantaram informações falsas” para atrapalhar o trabalho do procurador-geral Alberto Nisman

De VEJA.com

“Estou convencida de que não foi suicídio”, escreveu nesta quinta-feira a presidente argentina Cristina Kirchner em uma nota divulgada em sua conta oficial no Twitter, sobre a morte do procurador-geral Alberto Nisman.

É a primeira vez que o governo e a presidente se manifestam sobre um possível assassinato de Nisman, que foi encontrado morto em sua casa, em circunstâncias estranhas, na noite de domingo para segunda-feira, com um tiro na têmpora, poucos dias depois de ter denunciado a presidente e vários de seus colaboradores pela tentativa de acobertar terroristas iranianos, que teriam sido responsáveis pelo ataque contra a associação israelita Amia, em 1994.

A total mudança de posição do governo foi ainda acentuada com a presidente afirmando em primeira pessoa: “Eu não tenho provas, mas também não tenho dúvidas” [de que não foi um suicídio]. “Usaram-no vivo e depois o quiseram morto. Tão triste e terrível”, prossegue a nota oficial.

Segundo o jornal Clarín, o novo posicionamento do governo foi notado mesmo antes da divulgação da nota de Cristina, quando os funcionários do Executivo pararam de atacar as ações do Ministério Público argentino na denúncia contra a presidente.

Sobre a denúncia, a presidente afirmou que “plantaram informações falsas” para atrapalhar a investigação de Nisman e apontou os dois agentes secretos acusados pelo procurador-geral de participação no esquema de acobertamento de serem farsantes. “Os supostos agentes de inteligência identificados por Nisman como membros de uma ‘Side paralela’ em conexão direta com a presidente, Allan Héctor Ramón Bogado e Hector Yrimia, NUNCA tinham pertencido à Secretaria de Inteligência, sob nenhum caráter”.

Em seu relatório, Nisman afirma que Bogado, agente de inteligência da Side (Secretaria de Inteligência do Estado, o serviço secreto argentino), e Yrimia, ex-promotor responsável pelo caso Amia, foram “imprescindíveis” para levar adiante os “projetos criminosos” da presidente.

No texto, Cristina também questiona os motivos de um suicídio, afirmando que Nisman enviou uma mensagem a amigos próximos contando que ele estava prestes a cumprir o trabalho de sua vida e que iria avançar nas investigações. Além disso, Cristina faz referência à última foto que Nisman enviou ao seu amigo Waldo Wolff, vice-presidente da Daia (Delegação de Associações Israelitas Argentinas).

“Por que Nisman iria se suicidar se no sábado, às 18h27 enviou uma foto para Wolff, membro da Daia, uma imagem de sua área de trabalho onde se vê papéis e canetas marcadoras, assegurando que ele estava se preparando para a apresentação de segunda-feira aos deputados?”. No dia seguinte à sua morte, Nisman iria apresentar formalmente sua denúncia no Congresso argentino, que iria sabatiná-lo.

Em sua primeira manifestação sobre a morte de Nisman, também feita através de uma rede social, Cristina publicou uma longa carta falando em suicídio e desqualificando a investigação e os mais de dez anos de trabalho do procurador-geral no caso do atentado contra a Amia. O novo posicionamento de Cristina e do governo argentino adiciona mais um elemento de tensão na investigação que vem sendo conduzida pela promotora Viviana Fein.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

20/01/2015

às 0:00 \ Disseram

Ele estava certo

“Posso sair morto disso.”

Alberto Nisman, promotor federal argentino, sobre denúncias que fez a respeito da presidente Cristina Kirchner na última semana; Nisman foi encontrado morto em seu apartamento na madrugada desta segunda-feira, quando acusaria a presidente de encobrir a participação de terroristas iranianos no atentado contra a Amia (uma organização judaica), em 1994, que deixou 85 mortos 

19/01/2015

às 20:30 \ Vasto Mundo

Promotor argentino que denunciou Cristina Kirchner é encontrado morto

(Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

O promotor federal Alberto Nisman era responsável pela investigação sobre o atentado à Amia, que deixou 85 mortos, em 1994(Foto: Marcos Brindicci/Reuters)

Alberto Nisman foi achado no banheiro de seu apartamento com uma marca de tiro na cabeça. A polícia achou também uma arma no local

De VEJA.com

O promotor federal argentino Alberto Nisman foi encontrado morto no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires na madrugada desta segunda-feira, reporta o jornal Clarín. De acordo com a imprensa argentina, há uma marca de tiro na cabeça de Nisman, que morava em um prédio no bairro de Puerto Madero, área nobre da capital argentina. A polícia investiga o caso e informou que localizou no local um revólver de pequeno calibre.

Uma repórter do Clarín conversou com Nisman via WhatsApp neste sábado e o promotor afirmou que temia ser morto por suas acusações.

A procuradora Viviana Fein, encarregada de investigar a morte de seu colega, pediu prudência. “Estamos investigando ainda, é preciso ter muita cautela”, disse Fein, confirmando que o corpo foi encontrado pela mãe de Nisman no banheiro de seu apartamento, em um edifício com segurança particular no luxuoso bairro de Puerto Madero.

O Ministério de Segurança da Argentina divulgou um comunicado no qual detalha que Nisman “foi encontrado sem vida na noite de domingo em seu apartamento do 13º andar da torre Le Parc”, de Puerto Madero, no coração de Buenos Aires.

Leiam também:
Cristina Kirchner é acusada de encobrir envolvimento do Irã em atentado 
Procurador argentino acusa Irã de infiltração terrorista na América do Sul 
Com manobra na Câmara, Argentina aprova pacto com Irã

Segundo as autoridades, Nisman tinha dez agentes da polícia para fazer sua proteção pessoal e foram eles que “alertaram sua secretária durante a tarde devido à falta de resposta aos insistentes telefonemas”. “Ao constatar que o homem também não respondia à campainha da casa e que o jornal de domingo ainda estava no corredor, decidiram avisar os familiares”, disse o comunicado.

Os seguranças buscaram a mãe do procurador, a levaram ao edifício e, ao tentar entrar, a mulher constatou que a porta estava fechada com a chave colocada na fechadura por dentro. Os familiares pediram ajuda a um chaveiro para entrar no apartamento.

“No início da noite, a mãe entrou na casa acompanhada por um dos seguranças, encontrando o corpo de Nisman no interior do banheiro de seu quarto, bloqueando a porta de entrada ao mesmo”. “Junto ao corpo de Nisman, que estava no chão, foi encontrada uma arma de fogo calibre 22, além de uma cápsula de bala”, indicou.

O procurador Nisman, de 51 anos, iria se apresentar nesta segunda-feira no Congresso para dar detalhes de sua denúncia contra a presidente Kirchner e seu chanceler Héctor Timerman e outros dirigentes, acusados por ele na quarta-feira passada de acobertar o Irã por seu suposto envolvimento no atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), que deixou 85 mortos e 300 feridos em 1994.

O governo negou a denúncia do procurador, chamando-o de mentiroso e atribuindo a atuação de Nisman a uma operação dos serviços de inteligência. Nisman havia sido designado em 2004 por Néstor Kirchner como procurador especial para o caso Amia, um ano após a anulação de um julgamento por irregularidades na investigação.

“A presidente e seu chanceler tomaram a criminosa decisão de fabricar a inocência do Irã para saciar interesses da República da Argentina”, disse Nisman. O promotor argumenta que a cúpula do governo Kirchner negociou e organizou com Teerã “um sofisticado plano” para acobertar participantes do atentado.

Afronta – A deputada opositora Patricia Bullrich disse estar consternada com a morte do procurador e afirmou que este ocorrido é “uma grave afronta à institucionalidade do país”. “Um procurador morto antes de dar um relatório ao Congresso em um caso onde há terrorismo internacional me parece de uma enorme gravidade”, acrescentou Bullrich.

A deputada disse ter falado no sábado com Nisman três vezes e ele mencionou que havia recebido várias ameaças. “Disse que se sentia tranquilo e contou que explicou a situação a sua filha de 15 anos”, disse a deputada em declarações ao canal C5N. Para a audiência desta segunda-feira o procurador solicitava que seu comparecimento ocorresse em particular, mas parlamentares governistas exigiam que a audiência fosse pública e transmitida pela televisão.

18/12/2014

às 6:00 \ Disseram

O Brasil e os Ministérios

“Você não sabe como é difícil no Brasil.”

Dilma Rousseff, dirigindo-se à presidente argentina Cristina Kirchner, ao explicar que ainda não vai anunciar seus novos ministros por causa da dificuldade em formar um gabinete

09/12/2014

às 20:15 \ Vasto Mundo

ARGENTINA: A mentira da inflação oficial e outros contos-do-vigário do governo Cristina Kirchner

(CLIQUE NA IMAGEM PARA VÊ-LA EM TAMANHO MAIOR)

Post publicado originalmente a 29 de março de 2013

Reportagem de Duda Teixeira, de Buenos Aires, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

Campeões-de-audiênciaO CONTO ARGENTINO

Cristina Kirchner faz com as estatísticas econômicas o mesmo que os seus militantes com os fatos históricos – uma manipulação grosseira da realidade. Quem sofre é o povo

A Argentina é um país onde o passado parece sempre mais auspicioso que o presente e o futuro. A falsificação da própria história é um traço da cultura nacional. O populista Juan Domingo Perón, que fez a desindustrialização forçada do país e o tomou dependente de importações pagas em dólares de produtos que vão de escovas de dentes a automóveis, é tido como grande inovador da economia.

Da sua mulher, Evita, não basta constatar que magnetizou as massas na Argentina como política, é preciso acreditar que ela também foi uma atriz de grandes méritos. Os kirchneristas representam muito bem essa característica e recorrem à manipulação do passado. A tentativa de enxertar no currículo do papa Francisco, um crítico do governo, um episódio de colaboração com a ditadura militar é só a mais recente dessas invenções.

Para esconder a ruína de seu desgoverno, Cristina Kirchner recorre à fabulação do presente tão intensamente quanto o faz em relação ao passado. As estatísticas econômicas oficiais viraram piada. A inflação anual oficial foi de apenas 10%. O valor real é 24%, com a projeção de bater em 30% no fim de 2013.

O ilusionismo kirchnerista é um desastre anunciado e um atentado à economia popular. Um argentino que acredite no governo e aceite a remuneração média dos investimentos em bancos, em tomo de 13%, poderá imaginar que está protegendo seu dinheiro da desvalorização. Está sendo depenado pela inflação real. Ao argentino está vedada até mesmo a fuga para o mercado imobiliário, opção preferencial em momentos de incerteza, já que as transações eram quase todas feitas em dólar.

A exemplo do que ocorre em Cuba, na Argentina ter dólar é impatriótico. Agora, a compra e a venda de imóveis têm de ser, por força de lei, em pesos. Como a maioria dos argentinos — escolados por décadas de regras econômicas voláteis — tem poupança em dólares, ser obrigado a convertê-los em pesos pelo câmbio oficial irreal equivale a ser roubado pelo governo. Por causa dessa imposição, a oferta supera em muito a procura e o valor das propriedades na Argentina está encolhendo. No último ano, a queda foi de 30%.

Como governos autoritários não precisam demonstrar coerência, a Argentina oficial sem inflação precisou recorrer ao congelamento de preços. A realidade é outra. E a realidade econômica morde. Obviamente, como se aprende no 1º ano da faculdade de economia, quando se congelam preços nos supermercados o consumo aumenta e, por uma incontornável lei econômica, pressiona a alta dos preços. É o que ocorre agora na Argentina.

 

Argentina: Cristina Kirchner defende inflação "oficial" muito inferior aos cálculos do mercado (Divulgação/Casa Rosada)

Argentina: Cristina Kirchner defende inflação “oficial” muito inferior aos cálculos do mercado (Foto: Divulgação / Casa Rosada)

O governo reagiu com a patética tentativa do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, de proibir que os supermercados publiquem ofertas nos jornais. Moreno jogou mais gasolina na fogueira: “Ficou mais difícil para os consumidores comparar preços. Como resultado, a concorrência entre os supermercados diminuiu, o que estimula a inflação”, diz o economista Juan Luis Bour, da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (Fiel), em Buenos Aires. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados