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04/07/2012

às 14:15 \ Política & Cia

Greve de funcionários: o PT prova de novo seu próprio veneno. Se o governo atendesse reivindicações, gastaria 92 bilhões

E agora, José? (Foto: Antonio Cruz / ABr)

E agora, José? (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Amigos, a presidente Dilma não está disposta a atender às reivindicações contidas na série de greves de funcionários públicos ora em curso.

Como todos nos lembramos, o PT passou sua vida inteira, quando oposição, infernizando, por meio de sindicatos de funcionários ligados ao partido, diferentes governos federais, estaduais e municipais com reivindicações sempre acima das possibilidades dos cofres públicos.

Só uma vez no poder, inicialmente em prefeituras, depois em governos estaduais e, finalmente, no Palácio do Planalto, o partido começou a ter alguma responsabilidade, ao provar do próprio veneno — a começar pelo ex-presidente sindicalista, sempre devidamente enquadrado por sua ajuizada equipe econômica.

Na atual onde greves de funcionários, e o governo Dilma sabe muito bem que atender a tudo o que se pede fará o país quebrar. Até aí, ótimo. A presidente parece que vai resistir. Resta saber se, uma vez mais, os dias parados continuarão a ser, como quase sempre ocorre, dias de férias para os grevistas, que cruzam os braços, deixam de atender a seus deveres e, depois, ainda embolsam salário sem ter trabalhado.

Leia abaixo texto do jornal Valor:

Se o governo atender todas as reivindicações de aumento salarial apresentadas pelos servidores civis e militares, a despesa anual da União com o pagamento de pessoal aumentará em R$ 92,2 bilhões, segundo cálculos do Ministério do Planejamento.

Do total, R$ 60 bilhões se referem às reivindicações dos servidores civis do Executivo. Os reajustes solicitados pelos militares e pelos funcionários do Judiciário, do Legislativo (incluindo o Tribunal de Contas da União) e do Ministério Público da União custarão R$ 32,3 bilhões.

Protesto de alunos e professores na greve das federais (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

Protesto de alunos e professores na greve das federais (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)

O valor do acréscimo equivale a quase 50% do que será gasto com o pagamento do funcionalismo federal neste ano, de R$ 187,6 bilhões. Diversas categorias de servidores ameaçam fazer uma greve geral para obter o aumento pretendido. Alguns funcionários já estão parados, como é o caso dos professores universitários, e outros fazem “operação padrão”, como os auditores da Receita Federal e do Trabalho, entre outros.

Fontes do governo lembraram que quando a presidente Dilma Rousseff disse que não se pode “brincar à beira do precipício”, durante a solenidade de lançamento do PAC Equipamentos, na semana passada, ela deu a senha de como será o comportamento do governo ao lidar com aumento de gastos públicos.

A tendência no governo é fazer uma espécie de “intervenção cirúrgica” na questão, ou seja, só atender as reivindicações consideradas justas e prioritárias. Nessa estratégia, a definição do governo sobre a questão salarial seria deixada para o fim de agosto, quando a proposta orçamentária será enviada ao Congresso.

Protesto em Garanhuns contra "Dil-Má": instituições federais em greve (Foto: Aline Moura / DA Press)

Protesto em Garanhuns (PE) contra "Dil-Má": 13 instituições federais em greve e outras 15 em "operação-padrão", o que inclui até auditores da Receita e funcionários da Advocacia-Geral da União (Foto: Aline Moura / DA Press)

De acordo com informações prestadas pelos sindicatos dos servidores, estão em greve funcionários de 13 órgãos públicos, entre eles da Funasa, Banco Central, Fazenda e Dnit.

A “operação padrão” é feita por 15 categorias, como auditores da Receita Federal, delegados da Polícia Federal e funcionários da Advocacia-Geral da União.

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19 Comentários

  1. Vitória

    -

    22/07/2012 às 14:35

    Concordo com Ângelo Losguardi e com Jorge, que deixaram seus comentários abaixo. A imprensa trata de nos “queimar” perante a opinião pública sem retratar que, na realidade, estamos há mais de seis anos sem reposição salarial. Nem se trata mais de aumento, mas sim de recomposição. Com exceção de altíssimos salários do funcionalismo no Executivo e do Legislativo, e alguns poucos do Judiciário, a maioria esmagadora amarga anos perdendo seu poder de compra. Isso deveria, sim, ser repassado à população. Por essas e outras, PT NUNCA MAIS!

  2. Angelo Losguardi

    -

    06/07/2012 às 9:42

    Setti,

    Há de se ter cuidado com a argumentação falaciosa de parte da imprensa, que tem notória aversão aos servidores públicos. Tem-se que seguir a lei. E a lei diz que os salários dos servidores tem que manter seu poder de compra. Vai dar um rombo de não-sei-quantos bilhões? Ok, mas e todos os anos que estes servidores estiveram com o salário CONGELADO? Em óbvio descumprimento legal? A arrecadação bate recorde ano após ano e o governo simplesmente não reajusta o salário dos servidores. Não estou falando de AUMENTO. Estou falando de reposição das perdas inflacionárias.
    .
    Por exemplo, o jornalista do “valor” que fez essa reportagem preguiçosa e pró-governo se dignou ao menos de pesquisar? Será que ele sabe que os servidores do judiciário estão sem reposição inflacionária desde 2006? É quase 50% de perda salarial em razão da inflação de todo o período. E o jornalista sabe que no caso do ministério público da união se for concedido o reajuste dos servidores, ainda assim, o orçamento previsto do órgão vai ser 10% a MENOS que o do ano anterior?
    .
    A situação só chegou a esse ponto por culpa do próprio governo, que tem a obrigação legal de rever o salário dos servidores a cada ano. E a imprensa finge ignorar isso, fazendo o trabalho sujo para o governo de jogar a população contra os servidores. Isso é nojento.

  3. mario

    -

    06/07/2012 às 7:29

    qual é problema ? dinheiro do povo é para isso mesmo – sustentar burocrata ladrão !

  4. Paul

    -

    06/07/2012 às 7:04

    E’ um ano de eleição, tem que fazer a maquininha de fazer dinheiro funcionar, pois a política de compra de funcionários públicos oportunistas e incompetentes esta falhando. E’ o estilo petista de ganhar eleição.

  5. FERNANDO BATALHA MONTEIRO

    -

    05/07/2012 às 20:47

    O governo destinou em 2012 1,5 Bi para o rejuste dos vencimentos dos servidores publicos ativos, aposentados e pensionistas. Esse montante equivale a uma pequena parcela do que foi surrupiado dos cofres da União pela quadrilha de carlinhos cachoeira e seu mais importante braço operacional, Fernando Cavendish. Não existe corrupto sem corruptor. Portanto, o governo que nos nega reajuste que cubra a inflação dos dois últimos anos (sou professor universitário e fui contemplado com 4!!! …), conforme determina a Constituição Federal, é o responsável pela alegada falta de recursos.

  6. jose catunda

    -

    05/07/2012 às 19:35

    Para os nossos ¨representantes¨no Congresso, e seus apaniguados:tudo.Para os Servidores Federais:Nada.!!!!Até quando?Sem falar nos pobres aposentados e pensionistas.E o lula 51 e suas aposentadorias?Só promessas….

  7. Jorge

    -

    05/07/2012 às 13:47

    Enviei já um comentário a respeito desta notícia, gostaria de complementá-lo. O Último presidente que respeito a constituição para com os funcionários públicos foi o Itmar Franco. Após este, desde o Fernando Henrique até o presente momento, nunca mais os funcionários públicos tiveram a sua data base respeitada. Por esta e outras coisas que não acredito mais em nenhum político. Nunca mais votei pois não confio mais nesta raça.

  8. Jorge

    -

    05/07/2012 às 11:24

    Acho que a maioria da população brasileira julga que os funcionários públicos são uma cambada de vagabundos. Talvez tendo como exemplo a maioria dos políticos, que em sua totalidade são um bando de enroladores. Sou funcionário público com muito orgulho, sendo que já posso me aposentar. Talvez a totalidade da imprensa brasileira não saiba e talvez nem se interesse. Há três anos que não tenho correção salarial. Na constituição está escrito que todo funcionário público tem direito a correção salarial devido a inflação, para não ter o seu poder aquisitivo diminuído. Todo ano o meu plano de saúde e a escola de meus filhos são corrigidos bem acima da inflação. Se estes políticos cumprissem a constituição talvez estas greves não seriam necessárias. Se o supremo tribunal federal também cumprisse a constituição isto também não ocorreria, pois tem uma ação que esta sendo julgada para que nossos salários sejam corrigidos anualmente. Porém, um dos ministros pediu vista do processo e está aguardando para ser julgado há mais de um ano. Como dinheiro para dar para os vagabundos do MST, para os partidos políticos e sindicatos existe. E dinheiro para educação, saúde e a nossa correção salarial não existe. Eu já cansei destes políticos incompetentes e também desta imprensa tendeciosa.

  9. Dimas

    -

    05/07/2012 às 11:13

    Na verdade, o que hoje temos não se trata de greve, mas sim férias intempestivas e remuneradas. Os servidores param pelo tempo que quiserem e continuam com todos os direitos funcionais, inclusive salário. Assim,fica bom para eles. Mas o Brasil vai aos poucos para as cucuias. Ficará bonito, quando toda a mão de obra especializada vier do estrangeiro.

  10. mario rio rj

    -

    05/07/2012 às 7:49

    Político afastado por corrupção deveria ter a sua vaga no Congresso deixada vazia até a próxima eleição, estimulando os partidos a selecionaram melhor seus nomes a serem apresentados aos eleitores como candidatos. O benefício também seria a economia porque individualmente são os mais caros do mundo. Quase 600 políticos com mandatos no CONGRESSO é um exagero por causa da crise na EUROPA que impede reajuste/correção salários aos servidores públicos e aposentadorias

  11. Corinthians

    -

    04/07/2012 às 21:43

    O pior é que a grande maioria dos sindicatos e associações profissionais, quase sua totalidade, apoiaram o (des)governo lulo-petista.
    Muitos chegaram a gastar o dinheiro público em doações e campanhas.
    Com isso podemos ver que incoerente não é só o governo petista – mas também aqueles que os apóiam.
    Agora que a bonança externa acabou estamos recebendo a conta. E tá cara demais. E não vai ter greve irresponsável que resolva.

  12. Luiz Carlos

    -

    04/07/2012 às 21:06

    Sou funcionário público, votei no LUla e na Dil-má e juro que, a partir de agora, não voto mais em PT (Partido dos Trambiqueiros) e já estou fazendo campanha contra. Tenho dito!

  13. Pedro Luiz Moreira Lima

    -

    04/07/2012 às 20:44

    Setti:
    Existe uma tal da Lei de Responsabilidade Fiscal e em contrapartida não existe uma Lei de Responsabilidade Social.
    Crises onde o FISCAL supera o SOCIAL – que bobagem falar de saúde,educação,reforma agraria ,reforma urbana,agricultura familiar… – o importante,o essencial são os nossos queridos BANCOS NACIONAIS e INTERNACIONAIS e a tal da BANCA MUNDIAL.
    Cada um que defenda os desprotegidos que acha,no meu caso BANCOS E BANCAS são os opressores e nunca os desprotegidos.
    Pedro Luiz

  14. Caio Rolando

    -

    04/07/2012 às 19:02

    E o apedeuta reclamava da herança maldita de FHC…

  15. J.R.Monteiro

    -

    04/07/2012 às 18:35

    O setor público tem estabilidade, seguro saúde, plano de carreira e aposentadoria garantida. Ninguem é obrigado a ser funcionário público, logo, deveria ser VEDADO fazer greve.
    Seria justo conosco, que pagamos a conta.

  16. henrique battagini

    -

    04/07/2012 às 17:27

    Comprei um equipamento importado da China por 18,4 mil reais (não existe similar nacional) paguei 203% de impostos 37,5 mil reais, a Receita Federal liberou a carga e reteve os cabos elétricos, sem os quais o equipamento obviamente não funciona, entrou em greve e não tem dia para voltar a ativa. Minha empresa recém aberta corre o risco de falir antes mesmo de gerar os 4 empregos iniciais.
    Não tenho a quem recorrer, o despachante me avisou que se incomodar demais os fiscais da receita eles podem se zangar e passar o processo de liberação para o último lugar da fila, aí só Deus pode dizer quando será liberado.
    E assim o Brasil quer ser um país sério de primeiro mundo.

  17. Marco

    -

    04/07/2012 às 16:36

    Dom Setti: Quem pariu Matheus q embale… É brabo em saber q os maiores puxadores de cabo de guerra, inclusive obtendo o poder controlador desses grupos, agora não entende essa questão. Aliás eles nunca vão entender. Pq não conhecem a iniciativa privada e nem economia competitiva, q somente casos de aptidão, avaliação, auto avaliação e vaga, ou até mesmo sorte, determinam a renda justa e q isso varia no decorrer do tempo. Isso nunca pode ser julgado arbitrariamente por grupos, mas por indivíduos. E ninguém trabalha para ninguém as pessoas trabalham para si.
    Abs.
    PS: Nem preciso ter dizer q hoje sou Brasil a noite!

  18. Tuco

    -

    04/07/2012 às 15:55

    .

    Tá bonito, tá gostoso
    A gente bota pra quebrar
    Todo mundo pede mais
    E ninguém para de dançar

    Sertanejo é bailão,
    É forró e arrasta-pé
    A galera vai batendo
    Na palma da mão
    Gira pra cá, gira pra lá,
    Eu quero ver tremer o chão
    Violeiro bom não para de tocar
    O tchá, tchá, tchá!
    Sanfoneiro vai tocando
    Até o sol raiar

    Tá bonito, tá gostoso!



    .

  19. Luiz Carlos

    -

    04/07/2012 às 14:19

    Seria facílimo terminar com as greves no Setor Público; Basta fazes aquilo que qualquer País sério faz: CORTEM O PONTO DE QUEM NÃO TRABALHA… Simples assim…

    Sem a menor dúvida. Escrevo sobre essa questão, e outras correlatas, há uns vinte anos ou mais. São sempre palavras ao vento.

 

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