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27/06/2012

às 20:00 \ Política & Cia

Brasileiro condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas poderá ser executado no mês que vem

Marco Archer Cardoso Moreira, o brasileiro condenado à morte em Jacarta (Foto: Reuters)

Marco Archer Cardoso Moreira, o brasileiro condenado à morte em Jacarta (Foto: Reuters)

(Publicado no Jornal Já, em 22 de junho de 2012, por Elmar Bones)

A Indonésia anunciou que o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, que foi condenado à morte no país em 2004 por tráfico de cocaína, será morto por fuzilamento, de acordo com o jornal local Jakarta Post. A execução deverá ser no começo de julho.

Em entrevista à publicação no último dia 20, o procurador Andi DJ Konggoasa anunciou que as execuções de três imigrantes condenados, entre elas a do brasileiro, acontecerão no começo de julho deste ano.

De acordo com a publicação, os três prisioneiros escolheram seus pedido finais: Marco quis uma garrafa de uísque.

 

Outro brasileiro

Além de Archer, outro brasileiro também está preso por tráfico de drogas na Indonésia. O surfista Rodrigo Gularte, 39, foi detido em 2004 portando 6 kg de cocaína e condenado à morte no país no ano seguinte.

Ele e Archer são os únicos brasileiros condenados à execução no mundo.

Gularte, que levava a droga em uma prancha de surf, perdeu todos os recursos possíveis na Justiça – o último, em 2011- e sua única chance de evitar ser fuzilado é obter o perdão do presidente indonésio.

 

NA BALADA DA MORTE

Em 2005, o enviado especial do  Jornal JÁ, Renan Antunes de Oliveira, esteve em Jacarta e mandou a seguinte matéria sobre o brasileiro condenado à morte:

Rodrigo Muxfeldt Gularte, outro brasileiro condenado por tráfico na Indonésia (Foto: AP)

Rodrigo Muxfeldt Gularte, outro brasileiro condenado por tráfico na Indonésia (Foto: AP)

Ainda não caiu a ficha do paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, 32 anos, nem a do carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 43, os dois brasileiros condenados à morte na Indonésia por tráfico de cocaína. No dia 17 de fevereiro de 2005, Marco perdeu o último apelo à Suprema Corte, dependendo agora de um improvável perdão presidencial para ser beneficiado com prisão perpétua. O presidente Lula pediu ao seu colega indonésio clemência em favor do condenado.

Durante quatro dias de entrevistas na cadeia de Tangerang, eles deram muitas gargalhadas relembrando suas aventuras. Os dois não estavam nem aí para a possibilidade de enfrentar o Criador, via pelotão de fuzilamento, ou passar o resto de suas vidas presos nos cafundós da Ásia. Se sentem como se tudo fosse apenas uma bad trip.

Eles confessaram ser traficantes tarimbados. E demonstraram, sim, algum arrependimento, mas só por ter embalado mal a droga que levavam em seus equipamentos esportivos, permitindo a descoberta pela polícia. Ela pegou Rodrigo com seis quilos escondidos em suas pranchas de surf, em 2004. E Marco com 15 na sua asa delta, em 2003.

Os dois homens que hoje dividem a mesma cadeia chegaram lá por trajetórias diferentes no mundo das drogas. Rodrigo foi mais usuário do que traficante, começou cheirando solvente aos 13 anos. Marco entrou no tráfico aos 17, já no topo da pirâmide, diretamente com os cartéis colombianos. Ambos fizeram várias viagens bem-sucedidas para muitos países, antes de se danarem no aeroporto da capital Jacarta, portão de entrada para se chegar na ilha de Bali, o paraíso dos pirados.

Os dois faziam parte de gangues diferentes. Na cadeia, formaram um laço instantâneo. Ficaram amigos ao ponto de dividir prato e colher. Suas afinidades: não terminaram os estudos, jamais trabalharam, sempre foram sustentados por outros, exploraram as famílias, viveram só pras baladas.

 

Proteção materna

As mães deles – mulheres sofridas, esperançosas e guerreiras – estão em campanha pela liberdade dos “garotos”, como elas e parte da imprensa tratam os dois barbados. Depois de gastarem os tubos com eles, estão raspando os cofres para resgatá-los. Na falta de uma boa causa além do incondicional amor de mãe, usam a bandeira do repúdio à pena de morte, de forte apelo na fatia esclarecida da humanidade.

Dona Clarisse, de Rodrigo, mobiliza o Itamaraty para proteger o seu. Dona Carolina, de Marco, obteve da Câmara de Deputados o envio de um apelo de clemência ao parlamento indonésio. A proposta, do deputado Fernando Gabeira, foi aprovada em plenário com apenas um voto contra, do deputado Jair Bolsonaro, um ex-militar linha-dura que há décadas luta pela adoção da pena de morte no Brasil.

Os diplomatas brasileiros em Jacarta trabalham nos bastidores para reverter as sentenças. Estão confiantes que vai dar certo. Notam a moleza do sistema porque só um traficante foi executado até hoje, dos 30 condenados sob as duras leis antidrogas indonésias de 2000. Era um indiano pobretão.

Pela expectativa otimista deles será possível reduzir a pena de Rodrigo para prisão perpétua, em segunda instância, negociando em dinheiro uma redução maior ainda na terceira, para 20 anos, com soltura em sete, talvez 10 – é sabido que o Judiciário indonésio adota uma regra não escrita de trocar tempo de encarceramento por uma pena pecuniária.

Eles admitem que no caso de Marco, já sentenciado em última instância, vai ser mais difícil. Será preciso om perdão presidencial apenas para reduzir de pena de morte para prisão perpétua, e depois negociar a saída. É que ele se tornou uma causa célebre porque fugiu do aeroporto quando foi descoberto com a droga, protagonizando uma caçada policial acompanhada em rede nacional de tevê.

Os custos para dar jeitinho nas sentenças e as despesas para manter os dois em celas cinco estrelas podem chegar a quase 200 mil dólares por cabeça. Dona Clarisse tem até mais para salvar Rodrigo; dona Carolina anda passando o chapéu. O desenrosco deve ser demorado: na melhor das hipóteses seus garotos voltariam pra casa entrados em anos, um quarentão, outro cinquentão.

Agora o quadro sinistro: o fuzilamento do indiano pobretão, ocorrido em fevereiro, sinaliza uma mudança perigosa para os sonhos de liberdade dos brasileiros – a de que só dinheiro já não adianta mais.

É que a execução saiu por insistência do general durão, chefe da agência antidrogas deles. O homem está ‘‘hukuman berta bagi pembana narkotik’’. É isso mesmo: punindo severamente o narcotráfico.

General durão Togar Sianipar, chefe da agência antidrogas da Indonésia: prometeu acabar com as drogas no país até 2015

General durão Togar Sianipar, chefe da agência antidrogas da Indonésia: prometeu acabar com as drogas no país até 2015

Togar prometeu livrar a Indonésia das drogas até 2015, combatendo também a corrupção do sistema judicial – fechando o balcão de negócios a diplomatas e criminosos. Togar foi quem mandou pintar aquele aviso do hukuman em letras garrafais no aeroporto de Jacarta. Seu plano é simples e brutal: fuzilar os traficantes que pisarem no país.

 

“Morte aos cristãos”

O povão muçulmano o apoia. No tribunal, durante o primeiro julgamento de Rodrigo, em fevereiro, a plateia pedia ‘‘morte aos traficantes ocidentais cristãos’’, descrição na qual se encaixam os dois brasucas. O pedido da massa deixa o governo firme para rejeitar as campanhas internacionais por direitos humanos, livre de dúvidas existenciais sobre a pena de morte.

O modelo prende e mata já deu certo na política, em 1965, quando o país se dividia entre esquerda e direita. Em quatro meses, o presidente-general Suharto implantou o capitalismo fuzilando quase um milhão de comunistas.

Esta tradição não parece assustar os brasileiros sentenciados ao fuzilamento. Nos momentos de maior delírio eles já se enxergam, Marco em Ipanema e Rodrigo nas praias de Floripa, contando aos amigos como se livraram da fria.

Rodrigo sonha que políticos influentes amigos da mãe vão pressionar Lula para que ele interceda oficialmente a seu favor, pedindo clemência ao presidente indonésio. Marco anda tão avoado que até já encomendou de Casemiro, um amigo no Rio, o último modelo de asa-delta.

Paradoxalmente, a prisão é o momento de glória de suas vidas: “Somos os únicos entre 180 milhões de brasileiros”, diz Rodrigo, deslumbrado com a notoriedade obtida com o narcotráfico – cujo pico de audiência é entre jovens ricos praticantes de esportes radicais.

Eles acreditam nas chances de transformar o limão numa limonada. Estão com tudo pronto para botar um diário na internet. Planejam contratar videomakers para acompanhar seus dias. Negociam exclusividade na cobertura jornalística, começaram a escrever livros com a experiência.

Uma benção para os planos de libertação foi o tsunami que arrasou uma zona pobre da Indonésia: familiares e diplomatas contabilizam cada avião brasileiro de ajuda humanitária como um ponto para a futura negociação. O Itamaraty espera que os indonésios considerem isso na hora de analisar o pedido de clemência feito por Lula.

 

Mordomia na prisão

Enquanto esperam, os dois compram privilégios para viver como marajás na cadeia – ambos estão com o cordão umbilical ligado nas contas bancárias das mães: “Aqui é como numa pousada, muito legal, só que jogaram a chave fora”, diz Rodrigo, satisfeito, mesmo sendo acostumado ao conforto de sua suíte com sauna, na casa da família, em Curitiba. Marco também não resmunga, mas sente saudades dos apês na Holanda, EUA e Bali.

Enquanto os 1300 presos muçulmanos estão amontoados em 10 por jaula, cada um dos brasileiros tem sua cela. E elas estão equipadas com TV, ventilador, geladeira, forno elétrico, som pauleira. No jardim privativo criam pássaros, podam bonsais, alimentam os peixes do laguinho, cuidam da gata Tigrinha.

Rodrigo e Tigrinha: mordomia de uma pousada, mas que jogaram a chave fora (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

Rodrigo e Tigrinha: mordomia de uma pousada, mas que jogaram a chave fora (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

O serviço é excelente: presos pobres fazem a faxina, lavam as roupas deles, são garçons nas festas, cabeleireiros, pedicures. Os dois podem receber gente sem formalidades, todos os dias. Rodrigo já foi visitado pela família, pela namorada, a empresária carioca Adriana Andrade, e pelo parceirão Dimitri “Dimi” Papageorgiou.

Dimi é outro garotão com mais de 30, carioca de pais gregos, acusado de ser líder da quadrilha contratante do malfadado transporte das pranchas recheadas de coca. Apareceu na cadeia para ver seu mula Rodrigo, deu 2 milhões de rúpias para ele se virar, dinheirama que vale só 500 pilas. Mas agora Dimi não vai mais poder ajudar: ele foi preso, em fevereiro, pela Polícia Federal, no Brasil – aquelas rúpias dadas a Rodrigo poderão lhe fazer falta.

Marco recebeu a visita de amigos de Bali e de uma senhorita conhecida apenas como ‘Dragão de Komodo’, sua namorada indonésia. A moça também é sentenciada, está na área feminina da prisão. Dona Carolina já esteve com ele duas vezes, a última no niver, em outubro, quando deu uma festinha com brigadeiros e refris – depois, tirou uma soneca na cela do filho.

Dona ‘Carola’ é funcionária pública aposentada, superdescolada. Conquistou a simpatia dos carcereiros de Marco com seu ‘show do milhão’. Foi assim: cansada do assédio deles por dinheiro para cigarros, ela trocou 1 milhão de rúpias em notas de 10 mil (quase R$2,50) e saiu pelo pátio jogando as cédulas para o alto. Guardas e presos lutaram para recolher a mixaria.

Mais showtime na cadeia: os dois recebem suas visitas íntimas no sofá da sala do comandante. De vez em quando pinta um ecstasy. E nas noites quentes rola até um chopinho gelado, cortesia de um chefão local, preso no mesmo pavilhão. Lá, a balada não para nunca.

A comida é tudo de bom. Marco tem curso de chef na Suíça, dá show na cozinha. Na semana passada seu cardápio incluía salmão, arroz à piemontesa, leite achocolatado com castanhas para sobremesa. O fornecedor dos alimentos é Dênis, um ex-preso tornado amigão. Ele pega a lista por celular e traz tudo fresco do Hypermart.

Marco, e a comida "tudo de bom" (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

Marco: comida “tudo de bom” (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

Quando o amigão está ocupado e a geladeira vazia, Marco chama a cobrar a mãe no Rio, que liga pra mãe de Rodrigo em Curitiba, que aciona a Embaixada, que despacha um chofer pra garantir o fome zero da dupla.

Como Tangerang é uma prisão provisória, nos arredores de Jacarta, Rodrigo e Marco estão como naquela piada da hora do recreio no inferno. O secretário do diabo pode anunciar o fim dos privilégios a qualquer momento. Pior do que o fogo será a transferência deles para o Carandiruzão de uma remota ilha no Sul, onde serão misturados com 10 mil presos muçulmanos: aí será bom começarem a rezar para Alá.

Sempre otimistas, já têm planos para tentar se refazer lá embaixo. Rodrigo bola um jeito de demonstrar sua habilidade em pesca submarina, para presentear peixes ao comandante da nova cadeia e conquistar sua amizade.

Tangerang, prisão provisória, nos arredores de Jacarta (Foto: friendsofindonesia.org)

Tangerang, prisão provisória, nos arredores de Jacarta (Foto: friendsofindonesia.org)

Difícil saber como é que lhe ocorreu uma ideia destas. Mas é fazendo planos absurdos como esse que eles passam os dias. As baladas da cadeia, o papo encorajador das famílias, o apoio dos diplomatas e a expectativa de que suas ações possam ficar impunes dão um tom surrealista pra todas conversas deles.

Num papo, Rodrigo revela sua crescente admiração pelo companheiro, já o acha até injustiçado. “Marco teve uma vida que merece ser filmada”, exalta, contando ter oferecido um roteiro sobre o amigo à cineasta curitibana Laurinha Dalcanale. “Ele fez coisas extraordinárias, incríveis.”

O repórter pede um exemplo de tal obra. “Ué, viajou pelo mundo todo, teve um monte de mulheres, foi nos lugares mais finos, comeu nos melhores restaurantes, tudo só no glamour, nunca usou uma arma, o cara é demais.”

 

Menos, Rodrigo, menos.

Ele pára alguns segundos, reflete um pouco. Sai devagar do deslumbramento com as vantagens do narcotráfico sobre um emprego comum. Muda o tom e pede ajuda: “Por favor, brother, quando você for escrever, dê uma força, passe uma imagem positiva nossa, pra ajudar na campanha”.

Então diga lá o que você vai fazer quando for solto: “Bota aí que eu quero trabalhar 10 anos pro governo dando palestras pra crianças sobre a roubada que é o tráfico”.

Ele diz e saboreia o efeito das palavras. Traga seu Marlboro, acaricia Tigrinha. Parece sério, joga a fumaça pra cima. Quando solta tudo, o corpo já está se chacoalhando. É que ele não conseguiu conter o riso.

 

“Vou sair dessa”

Seu último desejo: voar mais uma vez em São Conrado

Marco Archer já esperava ter a pena de morte confirmada no Supremo Tribunal indonésio, como ocorreu. Sua única esperança agora é um apelo do Itamaraty ao presidente indonésio por clemência. Isto lhe pouparia a vida, mas o deixaria para sempre na cadeia. A execução ainda pode demorar cinco anos.

Quem é Marco? Um carioca, com o apelido chinfrim de Curumim. Ele cresceu classe média na Ipanema dos ricos. Queria ser um deles. Em 80, aos 17 anos, foi à Colômbia disputar um campeonato de asa delta. Voltou campeão, mas mordido pela mosca azul do narcotráfico: sacou como ganhar dinheiro fácil.

“Alguém no hotel me deu uma caixa de fósforos com cocaína. Depois da primeira viagem, nunca fiz outra coisa na vida, tenho mais de mil gols”, exagera.

Ele conta que serviu de mula no Hawai, Nova York, Europa toda. “Fazia viagens rentáveis, ficava meses sem trabalhar.”

Na cadeia, Marco passa horas olhando fotos amassadas que guarda numa imunda pasta preta. São recuerdos de suas viagens, de belas mulheres, de carrões e barcos: “Não posso me queixar da vida que levei”.

Orgulha-se: “Nunca declarei imposto de renda, nem tive talão de cheque, não servi ao Exército. Só votei uma vez na vida. Foi no Collor, amigo da família”.

Com o dinheiro do tráfico, Curumim manteve apartamentos em três continentes, abertos pra patota da asa delta, do surf, da vida boa: “Nunca perguntaram de onde vinha meu dinheiro”.

Marco conta que saiu do Brasil para morar em Bali há 15 anos, “cansado de ver meu irmão (Sérgio) bater na minha mãe para obter dela dinheiro pras drogas”. O irmão morreu de overdose em 2000, mas a estas todas ele tinha tido seu infortúnio: em 1997 caiu da asa, sofreu várias fraturas.

Dali pra frente sua atividade de mula de drogas diminuiu, as contas de hospitais cresceram. Ficou quase dois anos sem andar, até conseguir se recuperar. Hoje anda com dificuldades, com as pernas cheias de pinos de metal.

Pra decolar outra vez na vida boa ele preparou aquele que seria seu último golpe, faturar 3 milhões e 500 mil dólares inundando Bali com cocaína.

Foi ao Peru, pegou 15 quilos com um fornecedor, por uma bagatela, cerca de 8 mil dólares o quilo (dinheiro que ele obteve com um chefão americano, com quem dividiria os lucros da operação).

Marco meteu a droga nos tubos de sua asa delta. Saiu de Iquitos, no Peru, para Manaus, pelos rios da Amazônia. “Eu me misturei com turistas americanos e nunca fui revistado”, gaba-se. De lá embarcou para Jacarta: “Tava tudo pronto pra ser a viagem da minha vida”.

No desembarque, mete o equipamento no raio x. A asa de Marco tinha cinco tubos, três de alumínio e dois de carbono. Este é mais rijo e impermeável aos raios: “Meu mundo caiu por causa de um guardinha desgraçado”.

Como foi: “O cara perguntou porque a foto do tubo saía preta. Eu respondi que era da natureza do carbono. Aí ele puxou um canivete, bateu no alumínio, fez tim tim, bateu no carbono, fez tom tom”.

O som revelou que o tubo estava carregado. Foi o fim de uma bem-sucedida carreira de 25 anos no narcotráfico.

Marco ainda conseguiu dar um desdobre nos guardas. Enquanto buscavam as ferramentas, ele se esgueirou para fora do aeroporto, pegou um prosaico táxi e sumiu – ajudado pelo fato de falar fluentemente a língua bahasa.

Estava com tudo pronto para escapar no iate de um amigo milionário, mas aí azar pouco é bobagem. Um passaporte frio que ele tinha foi queimado por um cúmplice que também fugia da polícia.

Depois de 15 dias pulando de ilha em ilha no arquipélago indonésio – estava tentando chegar ao Timor do Leste –, passou sua última noite em liberdade num barraco de pescador, em Lombok.

Acordou cercado por um esquadrão policial, armas apontadas. Suplicou em bahasa, tiveram misericórdia dele.

Na cadeia esperando a execução, procura levar seus dias na malandragem carioca, na maior paz com os carcereiros, sempre fazendo piadas, cozinhando-lhes pratos especiais.

Acabou pro Curumim? “Vou fazer tudo para continuar vivo e sair dessa”.

 

Nas drogas desde os treze

Rodrigo nasceu em Foz do Iguaçu. É neto de latifundiário produtor de soja, filho de mãe milionária, dona Clarisse. O pai é um médico gaúcho de Santana do Livramento, Rubens Borges Gularte.

Aos 13, já em Curitiba, Rodrigo começa nas drogas, cheirando solventes. “Era um garoto maravilhoso, a alegria da família, nunca levantou a voz”, isso é tudo o que a mãe lembra dele naquela época.

Com 18 é preso fumando baseado no parque Barigui. O pai queria deixar que ele fosse processado. A mãe não concorda, suborna um delegado com mil dólares pra soltar o garoto: “Se fossem prender todos que fumam”, justificou dona Clarisse.

O garoto ganha seu primeiro carro. Bota amigos dentro e sai pela América Latina como um Che Guevara mauricinho, bebendo e se drogando. “Fiz cada loucura”, lembra.

Aos 20 Rodrigo era um rapaz de 1,84m, magrão, modos educados, cheio de namoradas. Teve um breve romance com a professora catarinense Maria do Rocio, 13 anos mais velha, fazendo Jimmy, hoje com 12, autista. Raramente via o filho: “Eu não estava preparado para a paternidade”, admite.

Rodrigo passa a viajar muito e pira total: “Em Marrocos, fumei o melhor haxixe”. No Peru: “Coca da pura”. Na Holanda: “Ecstasy de primeira”.

Aos 24, sai bêbado e drogado de uma festa. Bate o carro num táxi, tenta fugir, bate noutro, abandona tudo e corre pra casa da mãe. Ela dá uma volta na polícia, chama um médico, interna o garoto.

Na ficha de internação, o médico João Carlos anota: “Mostrou onipotência, estava depressivo”.

Nos anos seguintes a mãe fez de tudo para ele dar certo. Abre para Rodrigo uma creperia, em Curitiba. Não deu. Uma casa de massas, em Floripa. Não deu. Mandou pra fazenda. Não deu. Rodrigo vai estudar no Paraguai. Não deu. Ele se matricula na UFSC. Não deu.

Rodrigo começa no tráfico: “Fiz várias viagens à Europa só para trazer skunk”, confessa.

“Se ele fazia isso, não sei onde metia o dinheiro, porque nunca tinha um tostão”, rebate a mãe.

A prisão: “Os carinhas me deram as pranchas com cocaína dentro. Embarquei em Curitiba, onde o raio x é ruim, pra desembarcar em Jacarta”.

 

O narco também não deu certo.

Agora ele se lamenta: “Só depois soube que os japoneses doaram um raio x potente pros indonésios, eles pegaram a droga”.

Rodrigo filosofa: “Meu erro foi a coca. O skunk é energia positiva, o ecstasy dá um barato legal, mas a cocaína é do mal”.

Um desabafo: “Se a parada tivesse dado certo eu estaria surfando em Bali, cercado de mulheres”.

Seu futuro: esperar as negociações do Itamaraty e tentar reduzir a pena em segunda instância.

Uma novidade: ele está namorando firme. Com uma menina indonésia, caixa de um supermercado, prima de um condenado. Ela entrou para visitar o parente, os dois se pegaram no olhar. Ele foi no primo, soltou um plá, consegui atrair a menina.

Dragão de Komodo: uns amassos na sala do comandante (Foto:  Renan Antunes de Oliveira)

Dragão de Komodo: uns amassos na sala do comandante (Foto: Renan Antunes de Oliveira)

Ela vem uma vez por semana, Rodrigo dá uns amassos nela, na sala do comandante.

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288 Comentários

  • Grater

    -

    27/1/2015 às 20:46

    resumo da noticia… Foi vender coisa errada no lugar errado.. morreu!!

  • vadislau

    -

    24/1/2015 às 17:45

    o arrependimento dos atos na vida humana é certo, porém os atos geram consequências sem retorno sem reabilitação às pessoas envolvidas aqui no brasil e ainda pior levar a má conduta para outro país.

    Acredito que deveria haver mais rigor com a corrupção no brasil, afinal a nação é a principal que sofre. será que esses corruptos se exilam na indonésia

  • ldr

    -

    24/1/2015 às 16:06

    se no brasil tivesse pena de morte não teriamos prisões tão lotadas,nem trabalhadores sendo vitimas de assaltos e latrocineos a todo instante.

  • Cristiane

    -

    24/1/2015 às 14:19

    Quem ai estiver com do deles, é só ir lá e fazer como Jesus Cristo: de a sua vida pela vida dele. Um já se.foi, agora só falta queimar o outro salafrário. Eles mangal das caras dos outros, tiram o sarro mesmo e ainda ha quem se compadeça desses vermes. Eu quero é mais! Que fuzilem logo o outro, assim já acaba logo com esse lenga lenga.
    Agora, para tentar salvar o segundo imprestável na fila do fuzilamento, vão alegar que ele está psicologicamente afetado. Ora, ora… Me poupem. Na hora de entrar com droga em Jacarta ele estava bonzinho da cabeça. É ate capaz que o advogado o instrua a comer suas próprias fezes para alegar loucura. Ele quer voltar para o Brasil? Pois bem, vai voltar, sim. Mas compactado numa caixinha. Só o pó.

  • Eliezer

    -

    24/1/2015 às 12:36

    Perdeu playboy, perdeu.

  • Hélio Carneiro

    -

    23/1/2015 às 9:05

    Pena de morte. A pena de morte não livra a sociedade da ação maléfica do criminoso condenado. Matá-lo não resolve. Ele não morre. O corpo do criminoso desce à sepultura, mas o espiríto que é imortal, surgirá e passa a assediar pessoas com tendência à criminalidade. Hélio Carneiro – Vitória (ES).

  • José Eduardo Medeiros

    -

    23/1/2015 às 3:14

    Esse camarada e seus “parceiros” tem que morrer. É o risco do “negócio” que eles assumiram.
    Quanto à responsabilizá-los pelos inocentes viciados, há controvérsias. O vício é uma tendência verificada em certas pessoas. Se ela não tem acesso a determinada droga vai buscar outra para atender ao seu vício. Eu, por exemplo, convivi com todo tipo de droga na juventude e nunca me viciei, sequer aprecio consumi-las.
    Quanto ao tráfico, país nenhum deu conta de extingui-lo. Nem o mais poderoso de todos que, até hoje só tem enxugado gelo. Por isso, o comércio de drogas deveria ser liberado, ou melhor, regulamentado, porque liberado (de fato) já é. Assim, talvez houvesse menos violência, mortes e corrupção que, são provocados mais pelo “combate ao tráfico” em si do que propriamente pelo consumo.

  • Marilene Rios

    -

    23/1/2015 às 1:03

    Pena de morte para esses dois bandidos é pouco, destruiriam muitas famílias, fizeram muitas mães chorarem por esse mundo a fora, se eles fossem perdoados e voltassem para o Brasil iam continuar traficando, depois que li a reportagem dos dois contando suas vidas de glamour vi que merecem o fuzilamento mesmo, ainda bem que um já está no inferno e o outro vai nesses dois dias, o presidente da Indonésia está de parabéns no Brasil deveria ser assim também.

  • PAULO

    -

    22/1/2015 às 21:43

    AS PESSOAS ESTÃO CRITICANDO A AÇÃO DE PENALIDADE DE MORTE PARA TRAFICANTES NA INDONÉSIA , MAS NINGUÉM CRITICA O ESTRAGO QUE ESTES TRAFICANTES FARIAM COM MILHÕES DE JOVENS E SUAS FAMILIAS TRAZENDO DESGRAÇAS E DEPENDÊNCIA QUIMICA POR ESTAS DROGAS.

    FACIL CRITICAR E ACHAR QUE UMA VIDA NÃO PODE SER INTERROMPIDA DESTA FORMA ( PENA DE MORTE ) MAS TRAZER DESGRAÇAS PRINCIPALMENTE PARA OS PAIS DESTES QUE SERIAM VICIADOS COM DROGAS NINGUÉM SE COMOVE POR ISTO !

    ESTE EXEMPLO OU MELHOR ESTA LEI DEVERIA SER USADA NO MUNDO INTEIRO POR ESTE TIPO DE CRIME E POR OUTROS CRIMES HEDIONDOS E CORRUPTOS TAMBÉM .

  • Lia

    -

    22/1/2015 às 13:56

    Você acha que eles não merecem ou mereciam a pena de morte ou perpétua????? Leia e vejam os que eles falam e o vivem. Gente esses cara são bons demais, bancados por suas mão mega descoladas lá dentro e aqui fora quando estavam livres. Muita hipocrisia e deboche, lamentável, um tremendo descaso com pessoas que lutam ensinando que isso não legal, não é uma boa, não é o caminho, quantas mães choram a perda de seus filhos para esse vício maldito. MUITO TRISTE, O QUE SERÁ QUE ESSAS SENHORAS ENTENDEM PARA TER UMA CONDUTA TÃO SEM RESPONSABILIDADES, sim, os filhos delas viciaram muitos jovens pobres ou ricos, muitos jovens foram aliciados para essa prática de sentença de morte, sendo julgados ou não por algum tribunal, não importa, é a morte prematura com certeza..

  • Edvaldo de Paula

    -

    22/1/2015 às 0:31

    É lamentável ver pessoas falando bobagem sem ter lido esta matéria. É de se perguntar que mal fez o presidente da Indonésia destruir uma desgraça que tem a cara do Brasil. Tenho nojo deste que dizem amar o pais e ter piedade de pessoas iguais a esta que viveram uma vida inteira tirando proveito das coisas erradas 53 anos venho de família pobre que antes pedia para comer morava em palafitas sem boa estrutura educacional mais sempre honrando o orgulho de ser digno, já foi um que vá o outro o mais rápido possível.

  • JP

    -

    21/1/2015 às 19:18

    Sem comentário essa foi a escolha deles, quem entra nessa o fim sempre será esse, lamentamos a família e amigos, coisa que eles nem deram atenção, desde do inicio nessa vida de drogados, até lá na prisão eles tiram onda, eles procuraram e acharam!!!

  • Bruno Johnson

    -

    21/1/2015 às 14:57

    Eis a pergunta, em momento algum eles pensaram na família? nos amigos? Principalmente no estrago que faria na vida das mães? Eu acho que não.
    Cada país tem a sua política de leis, não é porque é estrangeiro que não sera submetido as leis daquele país. E outra, ambos sabiam das consequências que ocorreriam se fossem pegos. Acho desnecessário esse sentimento de tristeza, tem que haver um sentimento de ‘realidade’.

  • RENATA

    -

    20/1/2015 às 17:40

    Eu realmente estava com dó do rapaz que morreu e com dó do rapaz que vai morrer e da familia; entao resolvi ler tudo a respeito deles e vi que nao foram nem um pouco injustiçados e merecem realmente pagar pelos seus erros.

  • Ridaoj Bulamah

    -

    20/1/2015 às 15:39

    Uma reportagem que merece premios.Tenho pena apenas dos familiares, principalmente a mãe que gerou com tanto amor.O traficante é um assasino em potencial…e silencioso..Destroi familias…. e mesmo assim há energumenos que sentem pena destes parias da sociedade.Porque então não adotam pelo menos uma meia duzia deles? Facil escrever aqui neh..Dizem até existirem outros meios de punição…Vem com ladainha de direitos humanos.. até o dia que pegarem alguem de suas familias, sua mãe, seu filho..sua netinha.. Parabens à Indonesia, que combate severamente o narcotrafico e a corrupção.Li :
    ” um pais se torna sério à medida que pune severamente a bandidagem seja qual for a linhagem” Não preciso dizer mais nada.

  • kaleo

    -

    20/1/2015 às 0:02

    Boto fe em vo6 mano morao com honra.

  • A-F-N

    -

    19/1/2015 às 23:36

    Ele sempre viveu disso, e sabia do risco na Indonésia. O grande lucro compensava o grande risco e ele estava ciente mas, mimado e acostumado a ter o que queria, não podia crer que uma lei por mais severa que fosse, não pudesse ter uma saída. Confiava no seu taco, já com experiência no ramo desde os 17 anos, na zona sul carioca.
    Com a vida boa, diferenciada dos demais detentos, levava consigo a certeza de que sairia dessa numa boa, tirando onda, como bom malandro que era. E pobre de quem acha que ele largaria a vida de luxos e do dinheiro fácil caso o livrassem da pena capital.
    A execução serviu de exemplo a muitos que certamente já descartaram a idéia de tentar essa sorte, o que me incomoda é que esses anos na prisão foram de moleza e não de trabalhos forçados revertidos à alguma boa causa.
    Orem por sua alma conturbada sim, mas sem nunca esquecer de todas as almas que a droga facilitada por ele já desgraçou!

  • CRMBRASIL

    -

    19/1/2015 às 22:12

    Excelentíssimo Joko Widodo – Presidente da Indonésia.
    Não estou defendendo traficantes, mas eu acho que todo o ser humano merece uma segunda chance.
    A pena de morte não vejo como a solução de Imediato, poderia se pensar em outro tipo de punição, dando a chance do cidadão infrator se redimir com a sociedade.
    Havendo reincidência do mesmo crime e avaliado por diversas questões como: provas e etc… Aí sim poderia ser aplicada á pena de morte no caso de reincidência (o caso específico que cito é o crime de tráfico de drogas na indonésia), pois nesse caso o cidadão já teria pagado pelo seu crime anterior e tido e oportunidade de se corrigir perante a sociedade. Estaria ciente das punições.
    No caso especifico da Indonésia o que me chama atenção e o fato da punição pra outros crimes como homicídios/assassinatos as penas serem leves comparados ao tráfico de drogas. Fica bem claro que é pura campanha política, que na verdade, (Joko Widodo) e seus militantes não estão interessados em proteger os seus cidadãos. Existem coisas mais eficazes para combater o tráfico deixando a “pena de morte” se aplicada no caso de reincidência do crime. “Devemos sempre celebrar a vida”. Valeu Dilma! Como Cidadãos brasileiros devemos sim se indignar quando é ameaçado o nosso bem maior que Deus no deu “A vida”.
    E no caso especifico do brasileiro e pela mecânica da sua história, claro nada justifica o que o levou a se envolver com o tráfico, eu acho que poderia dar uma chance. Pois já tinha passado 10 anos no corredor da morte. Psicologicamente já tinha recebido a punição.
    Infelizmente o governo atual tem como a sua bandeira política principal a tolerância zero ao tráfico de drogas, que em minha opinião quando um estado recorre pra esse tipo de condenação, demonstra o seu total fracasso, infantilidade, ignorância e desprezo a vida ao condenar um criminoso primário à “pena de morte’ não lhe dando nenhuma chance de consertar o seu erro.
    “Indonésia pra mim é um país de dois pesos e duas medidas”.
    (Indonésia pede clemência à Arábia Saudita para evitar a morte de Satinah Binti Jumadi Ahmad, uma cidadã indonésia condenada por assassinar e roubar sua empregadora), ao mesmo tempo em que nega clemência aos brasileiros e ao Holandês.
    Percebe-se que o Joko Widodo não raciocina com lógica.
    Espero que em seu governo as coisas ocorram bem, porque ele vai precisar de muita sorte. Se passar outro tsunami por lá muitos países iram negar ajuda principalmente o Brasil.
    A final de conta Deus promete não nos dar mais do que podemos suportar.
    Passar bem, Joko Widodo.

  • Fab

    -

    19/1/2015 às 21:01

    No desembarque do aeroporto de Jacarta, tem uma grande placa vermelha que diz: Bem vindo à Indonésia Pena de morte para traficantes de drogas. Avisado foi.

  • Marcus Vinicius Pimentel gomes

    -

    19/1/2015 às 20:30

    na boa acho que o governo poderia trocar os dois brasileiros como forma de gratidão as ajudas humanitárias ,mas esse bando de loucos não vai deixar eles tão acostumados a matar .

  • jose alexandre da silva neto

    -

    19/1/2015 às 17:27

    UM BRASILEIRO E METRALHADO NA INDONESIA, PAIS ASIATICO, E NEM O PAPA NADA PODE FAZER PARA ESTE COVARDE ATO DE VIOLENCIA.

    Nossas esperanças, nossas correntes de oração, nosso apelo através de nossa Presidenta Dilma e nem mesmo o santo pedido do Papa foram atendidos para que o covarde ato com uma escala altíssima de brutalidade fosse cometido pelas autoridades da Indonésia com nosso irmão brasileiro Marco Archer. Fiquei ate pensando porque nosso Grande e Misericordioso Deus das causas possíveis e impossíveis não atendeu ao nosso clamor e tambem não atendeu o pedido de seu maior representante aqui na terra que e a Sua Santidade o Papa Francisco. Como e um terreno que so Deus e o Papa conhecem a fundo, mudemos de ângulo, mesmo com o nosso coração crivado com a mesma bala certeira que tirou a vida de nosso irmão brasileiro. As leis operantes nestes países asiáticos são severas quanto a crimes onde esta incluída o trafico de drogas e a sentença de morte e um aviso a quem tentar burlar suas leis. E um direito.

    Marco Archer morreu mas queria viver porque sua grande intenção era, caso sua pena fosse suspensa com uma possível deportação para o Brasil, passar aos nossos jovens de todas as classes que a droga e seu trafico não levam a um lugar digno de felicidade. Que aquele momento de euforia que o jovem, principalmente tem, e uma grande farsa de alegria e, quando chega ao ponto de sua dependência sua extirpação e dolorosa e complicada, com uma grande atuação de médicos, psicólogos, psiquiatras, com fortes medicações porque todo o organismo esta contaminado e a mente não tem competência e credibilidade porque seus neurônios foram danificados e as sinapses já não mais acontecem como antigamente. Marco, no fundo de seu coração, após mais de 10 anos em uma cela, tinha a esperança de passar informações importantíssimas para nossos jovens brasileiros, que iniciam na bebida, no cigarro, nas farras corriqueiras de finais de semana, impulsionados pelos bailes funk e baladas, com uma excelência de organização pelos malfeitores de paletó e gravata, que nada são senão o inimigo infiltrado em suas mentes. O jovem brasileiro precisa acordar quando a dose de euforia cresce exponencialmente a ponto de partir para outro estagio de motivação que pode adquirir com a cocaína, a maconha, o êxtase, LSD e alguns subprodutos destes mesmos elementos químicos. Cresce tambem a sua vontade de divulgação a outras pessoas, porque você já experimentou e fica fácil explanar seu alcance quando ingerido. E claro que seu circulo de amizade cresceu abruptamente com pessoas ate de outras nacionalidades, que sigilosamente passam informações de como conseguiram apartamentos de luxo, carros importados e muito dinheiro. Ai nasce um novo traficante brasileiro porque ele não se contenta com tanta facilidade e passa a traficar primeiramente dentro do território brasileiro e depois voar mais e mais cruzando outras fronteiras com investidas de sucesso, sem, portanto, procurar saber como as leis nesses países lidam com o trafico de drogas.

    Archer, que não queria morrer, queria evitar a produção de mais traficantes brasileiros e mostrar do perigo iminente que corriam, porque era uma prova inconteste! Uma bala certeira em seu peito, distante da família, dos amigos, de seu pais de origem nos enlutou de maneira vergonhosa pela covardia como foi praticada nos confins de um pais da Ásia de nome Indonesia. Seus atos perniciosos para a humanidade que o levaram a uma cela durante 11 anos já era o suficiente para pagar seus erros ate então. Nos, brasileiros, perdemos uma grande oportunidade de ouvir de sua boca, ao vivo, para os jovens do Brasil e para a humanidade, com suas palestras em escolas, jornais, revistas, encontros, redes sociais, que a droga não compensa e que o inimigo existe com sua ilusão de felicidade passageira! Que Deus tenha misericórdia de sua alma!

  • mike.

    -

    19/1/2015 às 15:56

    vao tarde…..e que as maes paguem pelo chumbo.
    deixe o governo trabalhar em coisa legitimas.

  • mike.

    -

    19/1/2015 às 15:54

    mae que cria um filho assim sempre livrando-o da responsabilidade tem mais é que vivenciar a sentença junto a cada momento pois pois é cumplice, responsavel.
    antes de ler essa reportagem sinseramente senti uma certa piedade por serem brasileiros, seres humamos com risco de cometerem um erro por razao qualquer. porem agora acho que vao tarde. que as maes paguem o gasto com o chumbo para selarem a sua parte de responsabilidade, e nao deveriam estar tentando ajuda do governo para fins dessa natureza

  • Fernanda

    -

    19/1/2015 às 15:51

    Ironia, foi levando pó, e volta em pó.Continuava se drogando na cadeia.Lixo humano.Fico pensando no sofrimento da família.E ficam os dois, dando entrevista e achando bonito o que fizeram, se voltassem ao Brasil iam continuar na mesma vida, e o Marco ja tinha 42 anos quando foi preso, nunca trabalhou, nunca pagou imposto.O Rodrigo viveu as custas da família, tem um filho autista, e não esta nem ai pro garoto.Sabiam que as leis na Indonésia eram rigorosas. Estão colhendo o que plantarão!!!

  • Lulu

    -

    19/1/2015 às 12:15

    A opinião pública é cruel quando julga o próximo, isto é, quando o próximo é distante.

  • Vanda I. de O. Villa

    -

    19/1/2015 às 11:25

    Parabéns ao comentário do Cesar do Carmo Luciano. Faço das suas palavras as minhas. Lamentável reportagem tendenciosa e marron. Fico assustada como conseguiu faze a cabeça de muitos. Graças a Deus tenho senso crítico e não é qq. um que me induz a não ver a realidade com clareza e critica. Sou contra a pena de morte em qq. circunstância existem outros meios até mais severos para o cumprimento de penas de crimes graves. Nunca devemos nos esquecermos que somos seres humanos dotados de sensibilidade, razão, inteligência e que não nos cabe julgar os outros e muito menos aplaudir leis que seifam a vida de um semelhante.

  • Socorro Silva

    -

    19/1/2015 às 8:29

    O mal de algumas famílias é quando se tem um filho que não faz nada certo, ovelha negra, um dos pais educa, disciplina e o outro deseduca, indisciplina, “passa a mão na cabeça”. Isso ajuda muito a ser o que esses dois são hoje!!Um já foi, o outro tá parecendo que vai se safar!!

  • Elzira Carvalho

    -

    18/1/2015 às 20:52

    Gostei de ter lido essa reportagem agora,antes de assistir na tv a repercursão da execução do traficante Marco Acher,acredito que ele colheu o que plantou,curtiu a vida que ele escolheu viver,o que aconteceu com ele foi consequencia dos seus atos,espero que o outro traficante seja punido da mesma forma.

  • geraldo rodrigues

    -

    18/1/2015 às 19:01

    eu filho de uma lavadeira, aos 10 anos de idade, fui trabalhar tirando areia do rio, para vender, pois meu padrasto, dizia que eu nao era filho dele, logo nao merecia a comida, estudei em escola pública, me formei pois na quela época a escola pública era coisa séria, e nao essa bagunça que é hoje , que ninguem aprende nada. droga, eu nem sabia o que era, eu vendia estrume de boi, para aumentar minha renda, era á única coisa que eu era obrigado a cheirar, pois era meu ganha pao. e minha mae, lavando roupas para fora, morei em favela e nao virei bad boy, graças ao eu estudo, prestei concurço numa empreza grande e fui trabalhar embarcado, graças a ísso, fiquei 4 meses, em cimgapura e vúi que lá já era lei dura, para um simpkles cigarro de maconha. e detalha! **** ***** ***** ***** ***** ***** **** ***** ****. hoje tenho um barraco, para me e sconder da chuva e nao precisei entrar em falkatruas iguais a esses pilantras que roubam a Petrobras e outros, mesmo porque nao adianta roubar, no céu ou no inferno o dinheiro, nao vale nada.

    Sua história é incrível e merece ser contada. Mas coloquei asteriscos porque não admito no blog elogios a um regime de exceção, como foi a ditadura militar.

  • maria duarte pereira

    -

    18/1/2015 às 18:05

    Lamentável pensarem que pode ganhar a vida drogando os outros. O que adiantou tudo isso!Tem que morrer mesmo!

  • Marduskayo

    -

    18/1/2015 às 15:11

    Estou aguardando para ver a publicação de meu comentário de 18/01/2015, mas até agora não apareceu!
    Será que não foi aprovado; não coloquei nada ofensivo e submeti-me as regras solicitadas, vou aguardar, por favor liberem meu comentário!

  • André

    -

    18/1/2015 às 15:07

    Meninos “inocentes” !

  • André

    -

    18/1/2015 às 15:05

    Agora vai traficar no inferno, seus desgraçados !!!!

  • Marduskayo

    -

    18/1/2015 às 14:33

    É uma situação muito difícil comentar esses malfeitores, que só chegaram a este ápice da corrupção, após terem espalhado Drogas de todos tipos por este mundo à fora, conforme o próprio relato dos mesmos e com isso terem tido uma Bôa Vida em seus 39/53 anos de vida, sem se preocuparem com que suas Drogas traficadas, estavam fazendo; com familias, vidas destruídas, e mesmo mortes por excesso de consumos e disputas por mercados, etc. etc. Caso no Brasil as Leis fossem iguais ou parecidas com as da Indonésia, talvez eles mesmos não entrassem no mundo do crime, ceifando vidas indiretamente ou mesmo diretamente, (não sabemos)!
    As Leis do Brasil devem ser mudadas para o bem do cidadão comum e dos demais que as respeitarem, com melhores e honestos políticos e administradores da coisa pública.
    Veja o que foi transpirado, mensalão, roubos e corrupções na Petrobrás (que até agora não foi nada resolvido devidamente, com a soltura dos corruptos já condenados, et. etc.)
    Meus respeitos as Leis da Indonésia e que os brasiuleiros de todos os escalões, repeitem as nossas, para que casos como esses, não se repitam e que tenhamos uma juventude promissora, trabalhadora e estudante das boas coisas da vida, sem crime e falcatruas!

  • Rafael

    -

    18/1/2015 às 14:06

    eu só queria dizer olhando para o Rodrigo…”vc é o proximo!” e para o Marco perguntar 1 min antes da execução “Valeu a pena?”. Vão trabalhar.. se vangloriando de terem feito varias viagens..e morrendo como MULAS, ou seria melhor chama-los de ASNOS? obrigado.

  • walter

    -

    18/1/2015 às 11:57

    Um dos (lixo traficante brasileiro) já foi fuzilado, espero que o outro lixo brasileiro seja fuzilado nos próximos dias. E isto ai Indonésia.

  • Luciana

    -

    18/1/2015 às 9:55

    São deploráveis a maioria dos comentários. Não estou em defesa de nenhum bandido, muito menos penso que seus erros não teriam conquencias. Sou a favor da pena de morte, mas para crimes hediondos, esses que são avaliados nos Estados Unidos,esse “cidadãos brasileiros” têm sim possibilidade de viver em sociedade. O que falta a nossa pátria são programas eficientes e projetos para que sejam reeducados. Estou ciente que muitos deles matam famílias diariamente, mas devemos ter bom senso e avaliar o que realmente pode ser mudado e crimes hediondos que não tem recuperação. O tráfico sim pode ser evitado, agora, mentes doentias e assassinos em série não. Não defendam as leis da Indonesia isso é uma hipocrisia.

  • Marcia

    -

    18/1/2015 às 8:33

    Antes da reportagem, eu até achava que ele mereceria uma chance. Mas pelo jeito já teve diversas chances na vida de parar com a vida de criminoso. Mas um “dinheirinho” a mais não se recusa. Acha que o crime se justifica alegando que é “só mais uma vez”.
    Certeza que esse bandido, se fosse solto, voltaria a traficar e encararia esse epsódio como “mais uma história pra contar”, e debocharia de seu “poder sobre as pessoas”…
    Apenas fiquei aliviada em saber que a mãe dele já morreu e não presenciou esse fim. Porque mãe, apesar dessa ter acobertado erradamente os erros do filho, não merece esse desgosto…

  • Diego

    -

    18/1/2015 às 7:45

    Quero ver se ele está curtindo agora, uma vez que o outro foi fuzilado. O que vem fácil vai fácil. Curtiram enquanto puderam, agora pagarão com a vida.

  • Raimundo

    -

    18/1/2015 às 5:28

    Seria bom se brasil, tivesse uma lei como essa. Ai sim a sociedade teria um pouco mais de paz, com certeza minimizaria essa bandidagem que é uma pouca vergonha.

  • Arthur

    -

    18/1/2015 às 2:53

    São Bandidos, tranqueiras, acabaram com a vida de muita gente com as drogas que transportavam, a energia negativa que emanou disso tudo, voltou para a origem e deu no que deu, um já foi e o outro vai também.
    Pena de morte é bastante drástico, chega a ser medieval, mas é só assim, radicalizando que se consegue frear o trafico e crimes hediondos, os dois sabiam onde estavam traficando, simplesmente esnobaram a situação e se ferraram, como no filme O expresso da meia noite, se encontraram em um país sem lei de extradição, com leis rígidas sobre drogas, casos verídicos como o dos brasileiros, com a única diferença que eles não conseguiram fugir.

  • Camila

    -

    18/1/2015 às 2:22

    Concordo com o que a Valeria escreve abaixo. O autor deste texto nao foi imparcial. Eu tambem era a favor da pena de morte em alguns casos mas depois disso refleti muito e este sábado, dia em que o brasileiro foi executado, eu e minha familia conversamos muito sobre isso. É triste! Com certeza nesses 10 anos ele parou pra refletir sobre seus atos. Nao sou, nunca fui ou serei afavor das drogas. Tenho filho e sei como isso pesa numa sociedade. O cara errou e esses anos todos que ele ficou preso parou pra pensar em como sua vida poderia ter sido diferente se ele nao tivesse se deslumbrado com esse mundo. A partir disso, devemos tirar a liçao e passar para nossos filhos o fim trágico que esse rapaz levou e mostrar a eles q esse nao é o caminho. Eu vi o video dele no youtube. Ele deixou a lição aos jovens. E o que percebi no video é que ele mesmo sabendo da sua morte e triste , tentava nao demonstrar tamanha fragilidade e dor. A personalidade dele é alegre e isso nao quer dizer que ele seja debochado. Nas palavras dele eu consegui ver o quao triste estava mas ainda assim ele tentava passar uma mensagem de “fazer a coisa certa”…enfim. Como disse Jesus: Aquele que nao tem erros atire a primeira pedra”. Por favor!!!!!

  • valeria

    -

    17/1/2015 às 23:40

    Acho que quem escreve um artigo deste deveria ser imparcial,nao foi o caso desta materia.
    Eu acho que 10 anos em uma prisao faça com as pessoas reflitam nos crimes que cometeram.
    Ate a data de ontem eu era a favor da pena de morte, mas mudei minha opniao vendo alguem de minha raca passar por isso.

  • Antônio Carlos

    -

    17/1/2015 às 23:03

    Agora eu acho que o Brasil deve estreitar os laços em todos os sentidos com a Indonésia.

  • sdfr

    -

    17/1/2015 às 21:40

    Excelente e esclarecedor artigo! Entretanto, “bahasa ” significa apenas “língua “… A língua indonésia é chamada bahasa indonesia.

  • Diego

    -

    17/1/2015 às 20:51

    Bom, o cara já tinha um vasto currículo sobre tráfico de drogas . Quantas coisa ruim ele plantou com isso. Não sou a favor da pena de morte , mas tem funcionado na Indonésia , pois lá quem morre mais é quem trafica e não quem é usuário . Afinal , o país intimida quem quer traficar .

  • Roberto Pereira

    -

    17/1/2015 às 20:23

    Je suis indonésienne!!!

  • hernani costa junior

    -

    17/1/2015 às 20:19

    Hoje, dia 15/01/2015 o Marco Acher cumpriu a sua sentença. Considero louvável a atitude da nossa presidenta ter feito o pedido de clemência no entanto, é um absurdo e até paradoxal o Itamaraty não ter orçamento para fazer o traslado do corpo. Que país é este?
    Hernani (Vila Velha-ES)

  • Sonia Maria lima

    -

    17/1/2015 às 19:58

    .. absurdamente a presidenta se dizer indignada com a execução desse crápula.

  • Antão Gayer

    -

    17/1/2015 às 18:28

    A execução foi cumprida, ele já está cheirando cocaína com o demônio. O que me indignou foi a manifestação da presidência do Brasil que diz ter feito pedido para que a execução fosse revertida. Queria o que? Quer o que? As leis brasileiras são brandas com canalhas que roubam recursos públicos impedindo o curso normal da vida de milhões de brasileiros, causando mortes nas comunidades desprotegidas por falta de segurança, causando mortes nas filas de espera por atendimento básico de saúde, causando mortes pela inoperância no controle de fronteiras, por onde entram este tipo de pessoas que traficam sem clemência e destroem famílias inteiras. Morte é a solução para estes pulhas. A sociedade necessita. Ainda bem que na Indonésia fazem justiça sem clemência.

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