27/01/2012
às 15:34 \ Política & CiaAécio estará numa “arena inglória” se disputar a Presidência com Dilma, em 2014

Aécio Neves e Dilma Rousseff: senador terá parada indigesta se for enfrentar Dilma, com o poder do cargo e da caneta, nas eleições de 2014 (Fotos: VEJA)
Pensando bem, tem razão a colunista da Folha de S. Paulo Eliane Cantanhêde, amiga e ex-colega de redação no Estadão, em seu texto de hoje segundo o qual ao qualificar de “óbvia” a opção do PSDB pelo senador Aécio Neves como candidato à Presidência em 2012, o ex-presidente Fernando Henrique “empurra Aécio para uma arena inglória”.
A arena inglória será enfrentar a presidente Dilma Rousseff com os plenos poderes – e a caneta – de presidente, a máquina do governo trabalhando, queira Dilma ou não, por sua candidatura, o enorme esquema de apoio partidário de que dispõe, sua possível popularidade na ocasião e o peso do apoio e da participação de Lula, se, como esperam as pessoas de bem, o ex-presidente superar seu câncer.
Já é tarefa duríssima para um desafiante, qualquer um, derrotar um governante no poder.
Veja-se o caso do Brasil desde a instituição da reeleição para a maioria dos cargos executivos, em 1997: FHC se reelegeu em 1998, e já no primeiro turno, contra Lula. Lula se reelegeu, em 2006, em segundo turno, contra Geraldo Alckmin. E é esmagadoramente alta a taxa de governadores e prefeitos de grandes cidades reeleitos.

Gerald Ford, Jimmy Carter e Bush pai: só eles não conseguiram voltar ao cargo, entre 11 presidentes do pós-guerra nos Estados Unidos
Veja-se também o caso da mãe de todas as Repúblicas modernas, os Estados Unidos: dos doze presidentes do pós-guerra, um deles, John F. Kennedy, foi assassinado a um ano de disputar uma reeleição fácil e, dos demais onze, nada menos que oito foram reeleitos.
Não conseguiram voltar apenas o republicano Gerald Ford, derrotado em 1976 pelo democrata Jimmy Carter, o próprio Carter, que perdeu em 1980 para o republicano Ronald Reagan, e o republicano George Bush pai, vencido em 1992 pelo democrata Bill Clinton.
Condições que dificilmente se repetirão
Desses três presidentes, dois disputaram a eleição em condições muito especiais, em circunstâncias praticamente irrepetíveis: Ford assumiu após a renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974, mas era um vice-presidente que fora escolhido indiretamente pelo Congresso em consequência renúncia, no ano anterior, sob acusações de corrupção, do controvertido vice Spiro Agnew.
O sucessor de Ford, Carter, disputou a eleição contra Reagan tendo dezenas de reféns americanos sequestrados e humilhados na embaixada dos EUA em Teerã pelo regime terrorista do Irã, e depois do fracasso militar de uma tentativa de resgate das vítimas por comandos especiais. O então líder supremo, aiatolá Ruhollah Khomeini, mandou, de propósito, libertar os reféns somente no exato dia da posse de Reagan (e da despedida de Carter), a 20 de janeiro de 1981.
Já Bush pai viu-se apanhado por uma crise econômica, bem mais suave do que a que assola, atualmente, o país, e Clinton chegou à Casa Branca.
Mas presidentes em exercício são sempre uma parada dura. O democrata Barack Obama, mesmo com o recente antecedente de Bush pai e a frágil recuperação da economia dos EUA, e a despeito dos tropeços e indecisões de sua gestão – podem escrever – vai acabar vencendo o candidato que emergir da carnificina interna que ora se desenvolve entre os republicanos.
Aécio, que há muitos anos alimenta um sonho presidencial, precisará, não tenham dúvidas, remover montanhas para alcança-lo em 2014.
Tags: Aécio Neves, Bill Clinton, Dilma Rousseff, FHC, George Bush, Gerald Ford, Geraldo Alckmin, Jimmy Carter, Lula, PSDB, Richard Nixon, Ronald Reagan

























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7 Comentários
Dionizio Gonçalves
-01/02/2012 às 11:04
Peço a Deus que, se PSDB vencer, que seja com o Aé cio, quanto ao Serra, aind atgenho muita retincencias, acho que ele não é capaz de comamdar o Brasil, FHC, sem esse tal Serra, teria obtido mais exito do que conseguiu, apesar de ter feito um grande governo e dispormos de números fenomenais que dispómos hoje, frutos da grande realização de FHC. uma realização roubada pelos petralhas de plantão.
carlos nascimento
-31/01/2012 às 2:55
Engraçado certas manifestações, perguntar não ofende, alguém sabe por ocaso o que seja ESTADO DE DIREITO ?
Anotem bons exemplos :-
- desocupação da USP, infestada de arruaceiros.
- desocupação da cracolândia, limpando um território que simbolizava o horror das drogas.
- desocupação de Pinheirinhos, afinal de contas o que ocorreu foi o cumprimento de uma ordem judicial, se a juíza achou que era necessário a desocupação, cumpra-se a Lei, é assim que funciona a democracia e o Estado de Direito. O contrário é anarquia.
Dá a impressão de que a Lei só é correta quando os interesses são atendidos, quando contrariado, a Lei torna-se preconceituosa, elitista, etc… assim fica difícil.
Corinthians
-31/01/2012 às 1:58
Arena inglória ?
Sim, ele está faz tempo. Está por que não apoiou seu partido nas últimas vezes. Está por que não atua de acordo com um líder que pretende ser a voz da maioria dos eleitores. Está em uma arena inglória por que o “rabo está preso”.
A máquina petista está alegre e funcionando a pleno vapor. Falam em democracia enquanto tentam acabar com a liberdade de expressão e divulgam mentiras através de seus meios “oficiais” de comunicação. Falam em elitismo enquanto seus partidários e aliados enchem os bolsos em casos de corrupção, consultorias e palestras.
Infelizmente não vemso Aécio combater isso.
Pelo contrário!
Alia-se ao PT para eleger um candidato do PSB em BH.
Bloqueia críticas contundentes ao governo Dillma pelo PSDB.
Não aparece dando voz à oposição e aos eleitores que não aceitam as mentiras.
Oportunidades não faltam… quais promessas de campanha DIllma entregou ? Alguma creche ? Minha Casa Minha Vida ? Como está o andamento das UPAs ? E a questão de segurança pública ? Criticou as privatizações mas está privatizando os aeroportos… e com financiamento do BNDES!
Realmente é uma arena inglória… para quem age como situação, e não oposição.
–
P.S. Ainda dá tempo Aécio – comece a agir como oposição e você terá meu voto…
Pedro Luiz Moreira Lima
-30/01/2012 às 19:55
Aí é problema do tucanato.
O importante é afirmar estamos num regime de plena democracia e livre opinião – se a oposição se perde é por fruto de seus erros e não da Democracia.
Quanto a mim – é uma oposição contra o Brasil e o Povo Brasileiro – Pinheirinhos é um exemplo e infelizmente com a ajuda da Justiça Elitista de São Paulo.
carlos nascimento
-30/01/2012 às 19:38
O presente antes de virar futuro, tornou-se passado, o foco é outro, estamos buscando a Terceira Via.
Roberto Antonio Marques
-30/01/2012 às 17:31
A olhar pelo que foi e vem sendo feito em Minas será um bem para o país que realmente o senador Aécio Neves não tenha sucesso nessa empreitrada.
Gustavo
-30/01/2012 às 12:39
Setti,
Um fator deve ser levado em consideração e que talvez pese contra Dilma, partindo-se dessa analogia com os Estados Unidos. Lá, desde a 2a Guerra, não houve nenhum momento em que o Partido Republicano ou Democrata se mantiveram 16 anos no poder (o que ocorreria com o PT em caso de nova vitória de Dilma). Talvez esteja aí a razão dos três ex-presidentes americanos não terem conseguido se reeleger e pode ser também o caso de Dilma, caso a população entenda que a fórmula do PT esteja desgastada.