Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

‘O Clube dos YouTubers’ retrata a elite dos astros digitais

Livro de Filipe Vilicic mostra a ascensão (e as brigas, os dramas, as pirações...) de jovens que se tornaram ídolos a partir de vídeos feitos em casa

Por Daniel Bergamasco Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 jun 2024, 16h19 - Publicado em 2 ago 2019, 07h00

Três décadas atrás, no já distante século passado, as estrelas de TV célebres a ponto de ter um programa com o próprio nome representavam uma elite tão seleta do showbiz que caberia em um pequeno camarim — era coisa para Faustão, Chacrinha, Xuxa e quase mais ninguém. Com acesso à internet e equipamentos mínimos, hoje qualquer pessoa pode batizar como quiser suas atrações e seu canal e ainda ter a chance de ser vista por tantos milhões de espectadores quanto aqueles que contam com o aparato milionário de uma emissora. É sobre a construção desse firmamento digital, no qual a audiência começou a mudar de mãos — e, com ela, os fãs, o faturamento e os dolorosos efeitos colaterais do estrelato —, que discorre O Clube dos YouTubers, escrito pelo editor de VEJA Filipe Vilicic, autor do blog A Origem dos Bytes.

O Clube dos Youtubers, de Filipe Vilicic (Gutenberg; 240 páginas; 44,90 reais e 22,90 reais na versão digital) (Gutenberg/Divulgação)

Em suas 240 páginas de leitura ligeira, o livro mergulha no establishment casual criado pelo YouTube. Centenas de nomes mudaram de vida ou ao menos alavancaram a carreira graças à plataforma de vídeos, mas a obra se volta para a nata da turma, os brasileiros que viraram supercelebridades a partir da zero visualização, ainda que com pontos de largada bastante distintos. Há, por exemplo, a tra­je­tória do humorista Whin­dersson Nunes, o garoto pobre do interior do Piauí que, para fazer cada gravação em um quarto abafado (por isso se habituou a aparecer sem camisa, uma marca registrada), tinha de caminhar 6 quilômetros até a casa de um amigo que lhe emprestava a filmadora — anos depois, ele se tornaria dono de um dos maiores canais do mundo (36 milhões de inscritos) e passaria a se deslocar não mais a pé, mas de jatinho rumo a shows pelo país. Um tanto diferente é o começo do Porta dos Fundos (16 milhões de inscritos), planejado nas mesas de um bar carioca, nas quais roteiristas da Globo destilavam a frustração com o humor arcaico tido como regra na TV aberta — que depois se inspiraria no sucesso dos rebeldes para transformar suas atrações cômicas. Há ainda o curioso caso do canal Galinha Pintadinha (quase 18 milhões de inscritos): um dos criadores se esqueceu de apagar do YouTube um vídeo que serviria de amostra para emplacar a animação na TV, que o rejeitou. Seis meses depois, acessou o link e viu que o hipnotizante desenho já tinha perto de 500 000 visualizações.

Nas páginas iniciais, o livro percorre algumas festas em 2016, uma promovida pelo YouTube Brasil, recheada de youtubers célebres, e outras organizadas por Whindersson por ocasião dos primeiros 10 milhões de inscritos em seu canal. As cenas são de beatlemania: fãs eletrizados e gente querendo tocar no piauiense a todo momento, dando já pistas de quão incômodo o sucesso pode vir a ser. Mais à frente, o garoto enfrentaria uma depressão, doença que acometeu estrelas como a paranaense Kéfera Buchmann e o carioca Felipe Neto, também nomes de primeira grandeza.

TOUR VIRTUAL – Vilicic: “influenciadores” na mira (Paulo Vitale/VEJA)

Os aborrecimentos de começar em um quartinho e se tornar gigante aparecem de forma mais contundente no depoimento de Neto. Dono de um tino comercial raro no meio, ele virou empresário, abrigou-se numa mansão apelidada de Netoland, criou uma empresa e ajudou a alavancar a carreira de nomes menos conhecidos. O hoje badalado Felipe Castanhari — que, nas palavras de Neto, “era ninguém, com 10 000 inscritos” quando trabalharam juntos — é um dos nomes que ele aponta como responsáveis por espalhar comentários ruins a seu respeito, o que acabou resultando em um “ranço” entre influenciadores digitais. Há coisas que não mudam. Seja no Projac, em Neverland ou na Netoland, a fama sempre cobra seu preço.

Publicado em VEJA de 7 de agosto de 2019, edição nº 2646

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.