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Indústria em franca expansão no Brasil, jogos eletrônicos de desenvolvedores locais ganham força

O nome do jogo: inventividade, ativo inigualável

Por Alessandro Giannini Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 nov 2025, 08h00 •
  • A indústria de jogos eletrônicos sempre foi dominada pela busca da chancela do “Triple A”, classificação dada a produções com orçamentos milionários (a lot of money), equipes gigantescas (a lot of people) e anos de desenvolvimento (a lot of time). Porém, no cenário brasileiro, uma nova geração de estúdios independentes está provando que a excelência criativa não precisa vir acompanhada de cifras estratosféricas. É a era do chamado “Double A” no país, um movimento que prioriza liberdade artística e qualidade da experiência da diversão. “É sinônimo de pouco investimento, mas muito tempo de desenvolver e qualidade gráfica”, diz Carlos Silva, analista do mercado.

    HISTÓRIA - Hell Clock: jogadores envolvidos em tramas na Guerra de Canudos
    HISTÓRIA - Hell Clock: jogadores envolvidos em tramas na Guerra de Canudos (./Reprodução)

    Essa abordagem está em sintonia com um movimento global em que jogos independentes têm conquistado espaço, movidos sobretudo pela liberdade à margem da grande indústria. O Brasil tem sido aplaudido nessa aventura. Entre os projetos locais que simbolizam essa transformação está o Residiuum, jogo em desenvolvimento dentro da Iron Studios, de São Paulo, conhecida no mundo inteiro pela fabricação de colecionáveis de alta fidelidade. A história gira em torno de Coral, uma jovem caçadora em um universo pós-apocalíptico. O projeto busca um padrão visual refinado, utilizando uma ferramenta de programação e desenho gratuita. Atualmente, são onze colaboradores fixos, mas há planos de expandir com a realização de oficinas de novos talentos. “O nosso desafio hoje é reunir profissionais e oferecer a eles recursos de produção”, diz Igor Catto, diretor criativo da empresa, que trabalhou também na realização do premiado God of War para a Sony.

    A Iron Studios bancou o projeto por mais de um ano com capital próprio — recentemente, firmou parceria com a Lenovo para ajudar na criação de tecnologias como captura de movimento. Há até miniaturas de personagens e uma HQ do universo do jogo, criando sinergia entre produtos físicos e digitais. “Vencemos pelo design, por aquilo que se vê nas etapas da história, à medida que ela avança”, diz João Felipe Marques, diretor de “narrativa”, que funciona como roteirista da brincadeira. Com lançamento previsto para 2028, Residiuum terá seu primeiro teste de fogo na Comic Con Experience, em São Paulo, que ocorrerá no início de dezembro, quando um grupo seleto de pessoas poderá testar uma pequena parte da diversão.

    VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? - Changer Seven: personagens no Elevador Lacerda
    VOCÊ JÁ FOI À BAHIA? - Changer Seven: personagens no Elevador Lacerda (./Reprodução)
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    O setor é impulsionado por um mercado em crescimento — o Brasil é o maior da América Latina, com previsão de atingir 2,8 bilhões de dólares em receita até 2026. Esse avanço é sustentado por apoio público, investimentos internacionais e estúdios que equilibram serviços para terceiros com projetos autorais para garantir sustentabilidade. Exemplos não faltam. A Pepita, empresa que desenvolve o Master Lemon, jogo de aventura, atuava só no mercado cinematográfico e agora expandiu o seu raio de ação. A Rogue Snail, autora de Hell Clock, que se passa durante a Guerra de Canudos, já teve um projeto publicado pela Netflix como uma das investidas da plataforma no segmento. A Gixer Entertainment, do Changer Seven, ambientado em marcos brasileiros como o Masp, em São Paulo, e o Elevador Lacerda, em Salvador, começou oferecendo serviços para terceiros mundo afora. “Quando conseguimos colocar identidade cultural dentro de um produto de entretenimento, criamos algo que o mundo nunca viu antes”, diz Juno Cecílio, desenvolvedor do jogo.

    arte games

    A expansão brasileira, à margem das marcas de peso, fora do mainstream, bebe de tendência global, em um punhado de exemplos internacionais. Clair Obscur: Expedition 33, criado por ex-funcionários da Ubisoft, e Hades II, da Supergiant Games, desenvolvedora independente com sede em São Francisco — ambos indicados ao prêmio de melhor jogo do ano no Game Awards —, são títulos classificados como indie ou AA que receberam avaliações altíssimas e atraíram a atenção que antes era exclusiva das superproduções. O público parece cada vez mais receptivo a experiências que fogem do padrão estabelecido pelas grandes editoras. O nome do jogo: inventividade, ativo inigualável.

    Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2025, edição nº 2971

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