‘Final Fantasy Resonance’ empolga com visual retrô e controles modernos
Game resgata essência de RPGs japoneses dos anos 80 e 90 com pixel art e combates estratégicos, mas decepciona pela falta de localização em português do Brasil
E se a série Final Fantasy nunca tivesse feito o salto para gráficos tridimensionais há quase trinta anos atrás, com Final Fantasy 7? Esta dúvida não precisa ficar só na imaginação, pois é exatamente este tipo de experiência que o excelente Final Fantasy Resonance apresenta.
O novo game da produtora Square Enix promove um resgate de elementos clássicos da série, especialmente da primeira década de vida da franquia, quando estourou no NES e no Super Nintendo.
Ao mesmo tempo, apresenta ajustes que mudam a experiência e a deixam mais fluida e agradável, transmitem a sensação de nostalgia, mas com os benefícios da modernidade, numa tentativa de conquistar novos fãs ao reviver a essência de Final Fantasy.
Infelizmente, no processo também esquece de colocar português do Brasil como opção de idioma para os textos e menus, um retrocesso que soa como descaso com o público brasileiro.
Resonance é uma inteligente versão recauchutada de Brave Exvius, um jogo de celular de 2015 que já não está mais disponível. Boa parte da história e heróis são reaproveitados em uma releitura luxuosa no estilo HD-2D, com personagens feitos em pixel art, dentro de cenários tridimensionais e com efeitos modernos de iluminação. O efeito é encantador e dá ao game um aspecto de diorama em movimento.
A técnica não é novidade, a Square Enix já usou em títulos das séries Dragon Quest e Octopath Traveler, mas esta é a primeira vez que a jóia da casa, a grife Final Fantasy, ganha esse tratamento. O capricho é evidente e brilha ainda mais forte pela companhia de uma trilha sonora luxuosa, com novas composições imponentes dividindo espaço com dezenas de faixas marcantes, que fizeram de Final Fantasy uma das maiores referências globais da game music.
A filosofia de ‘retrô moderno’ também se aplica aos combates do game, que adotam as clássicas batalhas por turno, mas com muita agilidade e indicadores inteligentes na tela, que permitem encarar os inimigos de forma rápida, mas sem perder o lado estratégico das disputas.
Por sinal, opções não faltam para personalizar suas táticas. Resonance apresenta um sistema chamado Visions, em que cada herói pode ser pareado com outro personagem que confere poderes adicionais e, conforme mais se vence inimigos e acumula pontos de experiência, também dá melhorias permanentes, como ataque mais forte ou vida maior. Algumas dessas ‘visões’ são literalmente protagonistas de episódios passados de Final Fantasy, uma forma criativa de apelar para o enorme legado da série, mas também acrescentando camadas de jogabilidade que dão mais opções para quem joga.
Visual e jogabilidade andam de mãos dadas com a trama, disparado o elemento mais retrô de Resonance. O roteiro apresenta um mundo de fantasia medieval em que cavaleiros dotados de poderes mágicos devem enfrentar antigas ameaças, encontrar cristais poderosos e visitar todos os cantos do mundo para recrutar aliados. A aventura leva cerca de 40 horas para ser finalizada e há muito conteúdo opcional e dificuldades maiores para quem quiser continuar jogando ou testar desafios diferentes.
Surpreende? Não, até as tentativas de reviravoltas são clichês consagrados do gênero. Agrada? Muito! Final Fantasy Resonance transmite um conforto, uma sensação de familiaridade que é marcante para quem viveu a era dos primeiros RPGs japoneses nos videogames nos anos 80 e 90 – e ótimo cartão de visita para quem não estava lá nessa época e gostaria de entender mais o sentimento.
É realmente uma enorme oportunidade perdida o game não estar em português. O mundo é encantador, os personagens cheios de carisma e a história envolve e diverte, mas fica difícil acompanhar para quem não domina outros idiomas, como espanhol, francês ou inglês. O vacilo é ainda maior e soa como retrocesso por se tratar de um projeto com claro apelo retrô para também tentar conquistar novos fãs.
Já faz 10 anos que os episódios principais de Final Fantasy falam o nosso idioma, como aconteceu com FF15, FF16 e também com os títulos da trilogia remake de FF7. Por sua vez, a coleção Pixel Remaster adicionou PT-BR como opção nos seis primeiros capítulos da saga, então é difícil entender o motivo pelo qual um projeto menor dentro da série não receba o mesmo tratamento. Fica a esperança de ver isso mudar com alguma atualização online no futuro, mas a frustração é grande no lançamento.
Final Fantasy Resonance já está disponível e não conta com português do Brasil como opção de idioma. O título tem versões para PC, Nintendo Switch e Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Esta crítica foi feita com uma cópia digital para Switch 2 disponibilizada pela Square Enix.







