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A onda das elétricas: mini-scooters estão cada vez mais presentes nas metrópoles

Meio-termo entre bicicleta e moto, elas ganham as ruas com modelos inventivos e capazes de se moldar à vida urbana

Por Lorenzo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jul 2026, 08h00
A onda das elétricas: mini-scooters estão cada vez mais presentes nas metrópoles Priorizar nos meus resultados Google

Quem se aventura pelas ciclovias das avenidas Paulista ou Faria Lima, em São Paulo, observa que ali transitam alguns veículos peculiares. Além das bicicletas comuns há monociclos, patinetes e, sobretudo, uma modalidade cada vez mais presente: as scooters elétricas. Algo entre uma bicicleta e uma moto de pequeno porte, esses veículos leves sobre duas rodas duelam por espaço não só na capital paulista, mas em diversas outras cidades nacionais e mundo afora. Nos últimos tempos, seu mercado tem crescido de forma exponencial. A onda ganhou tanto vigor que novos modelos recém-lançados no exterior ampliam o design e as possibilidades das scooters — há até formas que podem ser “dobradas” para virar “malas” e, assim, facilitar o dia a dia dos usuários imersos no ambiente urbano.

Muitos brasileiros vêm adotando a novidade com entusiasmo. Dados de maio de 2026 da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que a categoria das motos elétricas, em que se incluem as mini-scooters, viu o número de emplacamentos subir consideráveis 181% em comparação com o mesmo período de 2025. Além disso, as duas marcas com maior número de vendas no país — a VMoto e a GCX — carregam em suas vitrines uma enorme quantidade de scooters urbanas, exatamente o tipo que tem se tornado tão comum nas metrópoles. Nisso, o Brasil está em consonância com a tendência mundial. Um dado de 2017, há menos de uma década, avaliava o mercado global de scooters elétricas em cerca de 17 bilhões de dólares — hoje o valor chega à casa de notáveis 35 bilhões de dólares.

SOBRE RODINHAS - A Honda Motocompacto: uma scooter de design peculiar que pesa apenas 19 quilos
SOBRE RODINHAS - A Honda Motocompacto: uma scooter de design peculiar que pesa apenas 19 quilos (Honda/.)

Dentro desse contexto, os modelos dobráveis são uma aposta forte da indústria. Apesar de sua ascensão recente, a ideia vem de uma linhagem antiga. Na década de 1980, a Honda abriu portas para a inovação ao anunciar o Honda Motocompo, primeira linha de scooters que poderiam ser adaptadas para economizar espaço. Atualmente, diversas outras marcas lutam por um lugar nessa onda, como a Moveo, que em 2013 lançou sua própria versão de scooter dobrável. À época, o charme estava no fato de que, ao fim do processo de “diminuição”, a moto que voava por ruas e avenidas se transmutava em algo parecido com uma singela mala de mão.

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Não demorou para que os japoneses criassem suas próprias versões, como a Icoma Tatamel Bike, scooter compacta que não só vira uma “mala” carregável, como alcança 45 quilômetros por hora com seus cerca de 60 quilos. A demanda pelo veículo japonês é tão grande que a startup precisou deixar claro que o tempo de espera entre a confirmação do pedido e a entrega pode chegar a seis meses ou mais. Apesar de serem pop em outros países, esses veículos da Honda e da Moveo não estão disponíveis no Brasil. Por aqui, os campeões de vendas entre as mini-scooters são modelos nacionais como o W5, da Watts, e o X12 1000W, da MotoChefe. Ambas custam aproximadamente 10 000 reais.

O céu parece ser o limite quando o assunto é o design de mini-scooters arrojadas. A Honda, mais uma vez, fez uma tacada radical nesse sentido com sua nova Motocompacto, evolução da pioneira Motocompo. O modelo pesa apenas 19 quilos e alcança velocidade de até 25 quilômetros por hora. Vendida por menos de 1 000 dólares nos Estados Unidos (ou seja, o mesmo preço de um iPhone), ela vira uma maleta útil quando dobrada pelo usuário. Já a mini-scooter da PowerLite, empresa especializada em cadeiras de rodas e outros veículos motorizados disponíveis no país, também entra na onda das “malas” e aparenta ser quase igual a uma mochila escolar, o que garante desenvoltura de movimento com seus 26 quilos e 6 quilômetros por hora de velocidade máxima.

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METRÓPOLE - Moto elétrica em São Paulo: popularidade em alta e novas regras
METRÓPOLE - Moto elétrica em São Paulo: popularidade em alta e novas regras (Angélica Alves/Fotoarena/.)

O uso em trajetos curtos é um dos principais fatores que levam as pessoas a procurar pelas scooters. Feitas para terem velocidade reduzida e carregamento fácil, com baterias cada vez melhores, elas se tornam ideais para a chamada micromobilidade urbana. Num cenário de vida agitada, andar pela cidade com grandes motos ou carros pode não ser ideal para muita gente — daí o charme das elétricas.

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Apesar da febre, engana-se quem acha que em solo brasileiro esses veículos leves tudo podem. Uma resolução recente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) definiu as condições para que uma scooter tenha permissão de andar nas ciclovias e ciclofaixas brasileiras. O veículo deve ter motor de baixa potência e alcançar um limite de velocidade máximo de 32 quilômetros por hora. Qualquer modelo mais possante já entra em outra definição: a de ciclomotor. Este não só não pode circular livremente em áreas de ciclovia, como também exige que o motorista tenha uma carteira de habilitação especial, a ACC — Autorização para Conduzir Ciclomotor. Além disso, uma série de outras obrigações entra no balaio. Há necessidade de placa e de registro para o veículo, além de espelhos, faróis, lanternas, velocímetros e outras especificidades. Na onda das elétricas, quem deseja acelerar tem de andar sempre na faixa certa.

Publicado em VEJA de 3 de julho de 2026, edição nº 3002

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