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Vírus Nipah no Carnaval: existe algum risco de ele estragar a festa antes ou depois?

Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialista respondem

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 fev 2026, 17h00 • Atualizado em 9 fev 2026, 17h21
  • Postagens e comentários nas redes sociais têm levantado, em tom muitas vezes alarmista, a hipótese de que o vírus Nipah, que reapareceu na Ásia, poderia chegar ao Brasil e se espalhar durante o Carnaval, ecoando a triste memória do que aconteceu com a covid-19. Há motivo para preocupação? Vejamos.

    Três casos de infecção pelo patógeno foram registrados nas últimas semanas. Dois na Índia, envolvendo profissionais de saúde que foram hospitalizados. E, mais recentemente, um terceiro em Bangladesh, uma mulher que morreu em decorrência da evolução da infecção.

    De fato, o Nipah preocupa por sua gravidade e alta letalidade. O microrganismo tem uma atração especial pelo cérebro humano, podendo causar encefalite, inflamação por trás de prostração, perda de consciência, convulsão e morte. Estima-se que entre 40% e 70% dos infectados não sobrevivem à doença.

    Mas o vírus não tem uma transmissibilidade tão elevada. Em geral, o contágio ocorre após contato com secreções de morcegos que se alimentam de frutas e podem liberar o Nipah em sua saliva, urina ou fezes. Isso pode acontecer quando pessoas consomem alimentos contaminados pelos animais, caso da seiva da tâmara, um costume tradicional entre regiões da Índia e de Bangladesh.

    A transmissão entre humanos é considerada rara, só acontecendo mediante contato próximo com fluidos corporais de alguém infectado e, ainda assim, até pela progressão da doença, é difícil que ela se espalhe por um grande número de pessoas dessa forma.

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    “Todos os contatos das vítimas dos casos recentes foram testados e os exames apontaram resultado negativo”, informa o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

    “No Brasil, não há registro de circulação do vírus, e os morcegos frugívoros que atuam como seus reservatórios naturais não são encontrados nas Américas”, contextualiza o médico.

    Por tudo isso, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um parecer dizendo que, apesar das medidas de vigilância na Ásia continuarem relevantes, o risco de uma pandemia pelo vírus Nipah é baixo. 

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    Ainda assim, sob as lembranças recentes da covid, há quem insista na narrativa de que o patógeno pode desembarcar no Brasil e pintar o terror. Acontece que as vias de transmissão do Nipah são muito diferentes das do coronavírus, um microrganismo que, embora não tão letal, era facilmente espalhado por gotículas de saliva no ar.

    “A OMS não emitiu alertas sobre risco de disseminação global após o Carnaval, como afirmam postagens nas redes sociais. Essa informação é infundada”, esclarece Weissmann. A cautela, claro, continua, mas… “Hoje não temos evidência de risco de surto pelo vírus Nipah no Brasil”, diz o infectologista.

    O que não quer dizer que a gente não deva se preocupar e se proteger de outros vírus que se aproveitam do Carnaval – dos patógenos respiratórios às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Curta a festa com responsabilidade!

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