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USP revela novo possível remédio contra câncer de pulmão

Em fase de testes, composto mostrou-se capaz de inibir a proliferação de tumores em estudo com modelos celulares

Por Diego Alejandro
1 dez 2022, 17h34

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) encontraram um possível novo medicamento para o câncer de pulmão: o composto NT157. Em testes in vitro, a molécula sintética mostrou-se capaz de atuar em diversos alvos da doença, inibindo a proliferação das células e potencialmente evitando a resistência a terapias, como a radioterapia, a quimioterapia e outras intervenções com medicamentos.

Publicado na Scientific Reports, revista do grupo Nature, o estudo foi conduzido pelo Laboratório de Biologia do Câncer e Antineoplásicos do Departamento de Farmacologia do ICB-USP em parceria com a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O NT157 é um candidato a fármaco que está em fase de testes em laboratórios com foco no câncer de pulmão. Em estudos anteriores, in vitro e em modelos animais, já se mostrou promissor com cânceres de mama, próstata e colorretal, entre outros.

“É a primeira vez que o NT157 é estudado para o câncer de pulmão. Com esse estudo, obtivemos a prova de que é um medicamento eficaz, pois ele interrompe a IGF-1, uma via celular que proporciona o crescimento dos tumores, e inibe a expressão de genes da via AXL, que proporciona o desenvolvimento de resistência aos medicamentos – inibição essa que detalhamos em primeira mão”, explica o professor João Agostinho Machado-Neto, coordenador do estudo.

Os experimentos em laboratório foram todos desenvolvidos no ICB. Os pesquisadores de Harvard auxiliaram com sugestões de novos experimentos e guiando as discussões dos resultados e o planejamento de novos estudos. Entre as principais contribuições do grupo americano está a concepção da ideia de unir o NT157 ao gefitinibe, um medicamento já utilizado contra o câncer de pulmão. “Apontamos que o efeito do NT157 é potencializado quando é aplicado em conjunto com o gefitinibe, abrindo possibilidade para novas combinações terapêuticas”, destaca Lívia Bassani Lins de Miranda, doutoranda do laboratório e autora do trabalho.

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Apesar da redução do tabagismo nos últimos anos, o número de casos de câncer de pulmão não tem diminuído, por influência da poluição do ar em regiões urbanas. Um estudo feito recentemente nos Estados Unidos, com 12.103 pacientes com câncer de pulmão descobriu que entre 1990 e 1995, pessoas que nunca haviam fumado representavam 8% do total de casos da doença. Entre 2011 e 2013, a participação dessas pessoas subiu para 14,9%. Trata-se do câncer que mais mata homens e o segundo que mais mata mulheres no mundo. Isso pode ser explicado pela falta de opções terapêuticas.

“O acesso ao tratamento depende das mutações que o paciente tem. Existem pacientes que são aptos a cirurgias, que é a forma mais eficaz de curar a doença, principalmente quando são diagnosticados precocemente. E há pacientes que não são aptos nem à cirurgia e nem aos medicamentos mais eficazes, e precisam utilizar fármacos com alta toxicidade e uma eficácia questionável”, explica Machado-Neto.

Para avaliar se o NT157 é eficaz e seguro em seres humanos, mais estudos são necessários. Desta forma, os pesquisadores irão validar os resultados em modelos animais. Paralelamente, estão sendo estudadas formas de aplicar o medicamento diretamente no pulmão, via inalação, para se evitar possíveis efeitos adversos com a circulação do medicamento por outros órgãos.

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