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“Temos agentes suficientes, mas a qualidade de trabalho é baixa”, diz Jarbas Barbosa

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o trabalho dos agentes é mal supervisionado e cria lacunas no prevenção da doença

Por Da Redação 11 set 2011, 11h07

“O Rio de Janeiro sempre é um motivo de preocupação, porque é a maior cidade tropical do país e a porta de entrada de turistas. O município tem uma situação urbana que é muito favorável à proliferação do mosquito.”

Duas décadas depois da primeira epidemia de dengue se alastrar pelo Brasil, o país revive (mais uma vez) o alerta para novos surtos da doença. A cidade do Rio de Janeiro está em estado de alerta. Para o verão de 2012 é esperado uma epidemia da dengue tipo 4, doença para a qual o brasileiro não está imunizado. Em entrevista ao site de VEJA, Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, falou sobre como o governo federal se prepara contra a dengue. A novidade em pauta são as novas mudanças no programa de combate à doença, que devem ser lançadas já em setembro deste ano. Barbosa respondeu ainda às críticas sobre um possível engessamento no programa, a falta de um gerenciamento mais ativo da doença e sobre a falta de um protocolo padrão para o diagnóstico da dengue.

Erradicação da doença

“Nenhum país no mundo conseguiu erradicar a dengue, ela não é considerada uma doença erradicável. Não temos um instrumento altamente efetivo, como uma vacina, que ajude a concretizar isso. As condições do mundo, entre elas a urbanização que ocorreu nos países tropicais, ajudaram a aumentar a transmissão e a evolução do mosquito. Quando a população era majoritariamente rural, era mais fácil fazer um controle.”

Prevenção

“É possível melhorar o programa de prevenção, para isso o Ministério está fazendo uma avaliação do programa nacional. Será lançado até o fim de setembro um incentivo para qualificação do programa de dengue. Isso significa passar mais recursos atrelados à melhoria dos trabalhos realizados pelos municípios.”

Maior qualidade

“O novo programa será direcionado a três blocos de ação. O primeiro é vigilância e capacidade de detecção precoce de situação de risco para epidemias. Os municípios que aderirem, farão um levantamento no número de casos em novembro, mas também em janeiro e março, para saber se os índices melhoraram ou não. O segundo é a melhoria do trabalho de campo dos agentes. Existem hoje cerca de 100.000, um número razoável, mas a qualidade do trabalho é baixa. Isso acontece porque a pendência é muito alta – quando ele vai a uma casa e não tem ninguém. Iremos estimular os municípios a melhorarem esse trabalho de campo, como dar um bônus para os agentes que cumprirem todas as visitas que estão programadas, fiscalizar com GPS de celular, ter uma supervisão melhor. É fazer que esse exército enorme de agentes trabalhe bem, porque estamos utilizando mal esse recurso. Já o terceiro bloco é focado na melhoria da qualidade da assistência ao paciente. Às vezes, o médico não sabe identificar rápido e não sabe aplicar o protocolo que deveria evitar morte.”

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Um Centro de Diagnóstico e Prevenção de Doenças (CDC) brasileiro

“O Brasil é muito mais centralizado do que os Estados Unidos quando se trata de dengue. Os estados são obrigados a informar os dados, enquanto o CDC tem dados que foram oferecidos voluntariamente. A gente tem sim muito o que aprender com o CDC, mas em outras áreas. O Brasil é um dos melhores países do mundo no registro da dengue, há elogios de organismos internacionais sobre isso. O nosso problema é a qualidade no trabalho de campo e a assistência ao paciente.”

Protocolo para diagnóstico

“O Ministério da Saúde já enviou treinamento para todos os cerca de 400.000 médicos do Brasil e divulga protocolos pelo CFM. Quem gerencia o serviço de saúde é o chefe do serviço. O Ministério faz o protocolo, o município tem que aplicar. Se o secretário municipal de saúde não prega na parede o protocolo, se o diretor da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) não conversa com médicos, aparece problema na atenção aos pacientes. Municípios e estados que aplicaram esses protocolos reduziram o numero de casos e óbitos. Acreditamos que o protocolo do Brasil é bem feito, e ele foi pensado com a participação de outras entidades, como a sociedade brasileira de infectologia.”

Novo programa de combate à dengue

“Estamos tentando repensar o programa. Agora no mês de junho e julho passamos por um trabalho de revisão de informações e de experiências internacionais e nacionais. Isso será consolidado em incentivos para qualificação na prevenção à dengue em três frentes: vigilância, melhoria da qualidade do trabalho de campo e melhoria da atenção ao paciente com dengue. Nós estamos também apoiando pesquisa, como nas duas iniciativas nacionais para vacina (Butantã e na parceria público privado da Fiocruz). Mas o país estabeleceu ainda uma parceria com a iniciativa pela vacina de dengue, uma aliança internacional com base na Coreia. O Brasil será o país a fazer mais estudos para elaborar estratégias para utilização da vacina.”

Rio de Janeiro

“O Rio de Janeiro sempre é um motivo de preocupação, porque é a maior cidade tropical do país e a porta de entrada de turistas. O município tem uma situação urbana que é muito favorável à proliferação do mosquito – construções sem telhado, que acumulam água nas lajes, problema de limpeza urbana em alguns municípios. Mas não temos um índice para dizer que esse verão vai ser melhor ou pior. Mas não estamos satisfeitos.”

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