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Próteses PIP continham aditivo para combustíveis, revela rádio francesa

Além do aditivo para combustível havia produtos utilizados na indústria da borracha. Aparentemente, as substâncias provocaram a ruptura dos implantes

Por Da Redação - 3 jan 2012, 13h26

Um aditivo para combustíveis foi detectado no gel das próteses mamárias defeituosas da empresa francesa PIP, segundo revelou a rádio francesa RTL. Segundo a emissora, as próteses de Poly Implant Prothèse (PIP) continham uma mistura de produtos encomendados a grandes grupos de química industrial, que nunca foram objeto de testes clínicos.

Entre os produtos estava um aditivo para combustíveis, Basylone, assim como Silopren e Rhodorsil, utilizados na indústria da borracha. Aparentemente, os produtos provocaram a ruptura dos implantes.

“Segundo a Agência de Segurança Sanitária francesa (Agence Française de Sécurité Sanitaire des Produits de Santé – AFSSAPS), os fabricantes sabiam que era um gel impróprio, mais utilizado no setor alimentar e de informática”, declarou Dominique-Michel Courtois, médico assessor de uma associação de mulheres que utilizaram próteses PIP.

“Não era possível imaginar que o gel pudesse conter aditivo para combustíveis. É por isso que pedimos análises de próteses retiradas diretamente das pacientes”, declarou um dos advogados das mulheres, Philippe Courtois. De acordo com Courtois, as análises da AFSSAPS foram feitas apenas em próteses apreendidas no estoque da empresa PIP em março de 2010.

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Segundo o advogado, também devem ser feitas análises no exterior, depois da revelação na imprensa britânica de uma taxa de ruptura das próteses PIP muito mais elevada pela Grã-Bretanha.

O caso – Na semana passada, o governo francês deciciu recomendar a retirada preventiva das próteses mamárias devido a possibilidade de rompimento e outros riscos à saúde. Estima-se que 30.000 mulheres utilizaram implantes da marca PIP.

Na quinta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que vai cancelar o registro das próteses mamárias da empresa francesa PIP. Além do cancelamento do registro, a Anvisa determinou o recolhimento das próteses que ainda estão em posse da importadora do produto. Foram importadas, ao todo, 34.631 unidades – 24.534 foram comercializadas (a maioria no Sul e no Sudeste do Brasil). Segundo comunicado da Anvisa, as 10.097 próteses restantes serão recolhidas.

O fundador da PIP, Jean-Claude Mas, de 72 anos, é investigado na França judicialmente por “fraude com agravante” e “homicídio culposo”. Nesta sexta, o jornal francês Nice-Matin revelou que Mas participa de uma nova sociedade para a exportação de próteses com baixo custo essencialmente à América Latina.

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(Com agência France-Presse)

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