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Prejudicam a saúde e encurtam a vida, diz estudo sobre ultraprocessados

Pesquisa relaciona 32 problemas de saúde aos alimentos ultraprocessados. Entre eles, doenças cardiovasculares, diabetes e câncer

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 29 fev 2024, 12h17 - Publicado em 29 fev 2024, 12h00

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira 28, no jornal BMJ Global Health, traz evidências consistentes sobre a associação de alimentos ultraprocessados ​​com 32 problemas relacionados à saúde, como doenças cardíacas e pulmonares graves, tumores malignos, perturbações de saúde mental e morte precoce. “Prejudicam a saúde e encurtam a vida”, disseram os pesquisadores.

Além de ressaltar a necessidade de pesquisas urgentes para entender como esses alimentos afetam a saúde, a pesquisa mostra que os prejuízos atingem vários sistemas do organismo e sublinha a urgência em medidas para reduzir o consumo desses produtos, que incluem pães e salgadinhos embalados, refrigerantes, cereais açucarados e produtos prontos para consumo ou aquecidos por micro-ondas, que passam por múltiplos processos industriais e, em sua maior parte, contêm corantes, emulsificantes, aromatizantes e outros aditivos em excesso. Sem contar que são ricos em açúcar, gordura e sal, e pobres em vitaminas e fibras.

“Estas descobertas apoiam pesquisas urgentes e ações de saúde pública que alcancem e minimizem o consumo de alimentos ultraprocessados ​​para melhorar a saúde da população”, escreveram os pesquisadores.

Os números preocupam: nos países de renda alta, o consumo de ultraporcessados representa cerca de 58% do consumo diário total de alimentos. E nos países de renda média e baixa, tem aumentado rapidamente nas últimas décadas, segundo a revisão.

Estudo Abrangente

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram 45 meta-análises agrupadas e distintas de 14 artigos de revisão, publicados nos últimos três anos, que associavam alimentos ultraprocessados ​​a efeitos prejudiciais à saúde. As estimativas de exposição alimentar ​​foram obtidas a partir de uma combinação de questionários de frequência alimentar, com rotinas de 24 horas, e histórico alimentar de quase 10 milhões de participantes.

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Durante a pesquisa, os cientistas classificaram as evidências como convincentes, altamente sugestivas, sugestivas, fracas ou nenhuma evidência. Também avaliaram a qualidade desses indícios como alta, moderada, baixa ou muito baixa. No geral, os resultados mostram que uma maior exposição a alimentos ultraprocessados ​​foi consistentemente associada a um risco aumentado de 32 resultados adversos para a saúde.

Evidências convincentes mostraram que uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados ​​estava associada a um risco maior de 50% para morte relacionada a doenças cardiovasculares, 53% maior para ansiedade e transtornos mentais comuns e 12% maior para diabetes tipo 2. Já os indícios considerados altamente sugestivos indicaram que os produtos estavam ligados a um um risco maior de morte por qualquer causa (21%); a morte relacionada a doenças cardíacas, obesidade, diabetes tipo 2 e problemas de sono (40 a 66%) e depressão (22%).

As evidências para as associações de exposição alimentar ultraprocessada relacionadas à asma, saúde gastrointestinal, alguns cânceres e fatores de risco cardiometabólicos, como gordura no sangue e baixos níveis de colesterol “bom”, permanecem limitados.

Os investigadores reconhecem que as revisões abrangentes só podem fornecer visões gerais, e não excluem a possibilidade de que outros fatores não medidos e variações na avaliação da ingestão de alimentos ultraprocessados ​​possam ter influenciado os resultados. No entanto, a utilização de métodos sistemáticos rigorosos para avaliar a credibilidade e a qualidade das análises sugere que as descobertas venham de um exame minucioso.

O que pode ser feito?

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O estudo também levanta a questão de o que deve ser feito para controlar e reduzir a produção e consumo dos ultraprocessados. Segundo os cientistas, só a reformulação destes produtos não elimina os danos e a rentabilidade desencoraja os fabricantes a mudarem a produção para alimentos nutritivos. Por isso, as políticas públicas e ações de controle são essenciais.

Entre elas, os pesquisadores sugerem a inclusão de rótulos na frente das embalagens, restrição de publicidade e a proibição da venda desses produtos em frente ou perto de escolas e hospitais. Também indicam medidas fiscais que tornem os alimentos não processados ​​tão acessíveis, disponíveis e baratos quanto os ultraprocessados. “Chegou a hora das agências das Nações Unidas, em conjunto com os Estados-membros, desenvolverem e implementarem uma convenção sobre alimentos ultraprocessados, semelhante ao que existe sobre o tabaco e promoverem exemplos de melhores práticas”, escreveram.

Por fim, afirmam que as investigações multidisciplinares “são necessárias para identificar as formas mais eficazes de controlar e reduzir o ultraprocessamento, além de quantificar e acompanhar os custos-benefícios e outros efeitos de todas essas políticas e ações na saúde e no bem-estar humanos, na sociedade, na cultura e no meio ambiente.”

 

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