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Os perigos do calor excessivo à saúde – e como se proteger dele

Estudos e médicos alertam para os riscos ao organismo em meio a temperaturas elevadas

Por Diego Alejandro
Atualizado em 16 nov 2023, 14h48 - Publicado em 13 nov 2023, 18h43

Um sol de rachar que pode até matar… As previsões indicam que a onda de calor que ferveu o Brasil no fim de semana continuará, pelo menos, até domingo, se intensificando gradativamente e quebrando recordes especialmente no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, com máximas entre 40°C e 45°C.

O sinal vermelho não se limita ao termômetro: a exposição ao calor extremo pode causar sérias consequências ao corpo, à mente e à saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas mais fragilizadas. 

De acordo com uma pesquisa publicada no ano passado na revista Nature, as temperaturas extremas (frio e calor) foram responsáveis por quase 6% das mortes em cidades da América Latina – contagem que só se tornará mais frequente a cada ano, dado que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de dias com ondas de calor passou de 7 para 52 em 30 anos.

Portanto, a atenção deve ser redobrada: confira os sintomas mais comuns do estresse térmico e como se proteger dele.

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Desidratação

A temperatura ideal para o bom funcionamento do corpo humano é de 36ºC a 37ºC. Quando o termômetro começa a subir, um dos primeiros mecanismos de defesa a ser ativado é o suor, composto de água e sais.

Na medida em que a água evapora usando o calor produzido por nosso corpo, há um esfriamento natural.

Entretanto, se a água que secretamos não é reposta, perdem-se sais minerais, chamados de eletrólitos, que são essenciais para o funcionamento do organismo. Esta ocorrência pode ser especialmente grave para os idosos e pessoas com hipertensão arterial.

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E a sede não é o único sinal de desidratação. Não ingerir a quantidade de água suficiente pode ter sintomas como intestino preso, a pele seca, inchaço (retenção de líquido), fome, cansaço, fadiga, pedra nos rins e dores de cabeça. 

Insolação e problemas de pele

Longos períodos de exposição direta aos raios solares causam um distúrbio que afeta o mecanismo de controle corporal, o que em situações extremas pode ser fatal. Os principais sinais de insolação são: febre alta, tontura, sensação de fraqueza, queimaduras de pele, perda da consciência, vômitos, taquicardia e dificuldade para respirar.

Além das queimaduras, o calor pode fragilizar a pele, contribuindo para a proliferação de fungos que causam micoses. Isso acontece principalmente nas regiões mais quentes e úmidas do corpo, por isso é importante secar bem as partes molhadas. Pessoas com doenças de pele, como lúpus e psoríase, podem sentir um agravo do quadro.

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Pressão baixa e alta

O calor dilata as artérias, o que deixa mais espaço para a circulação do sangue e baixa a pressão. Se ela despencar, porém, pode impedir que o sangue chegue a todos os órgãos. Mas as temperaturas elevadas também podem aumentar a espessura do sangue, elevando a pressão e a frequência cardíaca.

“Cresce o risco de formação de coágulos. Essa dificuldade para passagem pelos vasos sanguíneos pode levar a doenças mais sérias, como o acidente vascular cerebral (AVC)”, alerta Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista especializado em hipertensão arterial do Hcor.

Também pode desencadear edemas (inchaços) nas pernas, devido ao acúmulo de líquido fora dos vasos, bem como dores, sensação de peso, ardência e coceiras.

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De acordo com um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), as queixas de quem sofre com o desconforto das varizes e veias dilatadas nas pernas sobe de 20% a 30% durante o verão.

“A recomendação é manter as pernas elevadas sempre que possível, usar roupas leves e evitar ficar sentado ou em pé por longos períodos”, aconselha o médico Heron Rached, PhD em cardiologia.

Em decorrência disso, o calor está relacionado ao aumento das mortes por doenças cardiovasculares nos Estados Unidos, de acordo com um estudo apoiado pelos Institutos Nacionais de Saúde. Os investigadores, cujo trabalho foi publicado na Circulation, também projetam que os adultos com 65 anos ou mais e os adultos negros serão, provavelmente, mais afetados.

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Como se proteger

A ordem do dia é se hidratar e evitar o contato direto com o sol. Para isso, os especialistas recomendam a ingestão de água e água de coco.

A quantidade ideal varia de pessoa para pessoa, mas, geralmente, 8 copos de água por dia é uma boa referência. Evite consumir grandes quantidades de água de uma vez para evitar riscos de hiponatremia (baixos níveis de sódio no sangue).

“Além disso, pode ser interessante o uso de isotônico para repor os nutrientes perdidos através do suor em alguns contextos“, diz Rached.

Em relação às bebidas alcoólicas, além de acelerarem a desidratação, potencializam os danos devido aos petiscos que costumam acompanhá-las. “A combinação clássica de cerveja e fritura pode levar ao aumento da pressão arterial e a complicações aos hipertensos. Os alimentos ricos em sal, como embutidos, enlatados, salgadinhos, temperos prontos, entre outros, devem ser evitados ao máximo”, ressalta Amodeo.

Nesse sol de rachar, o ideal é filtro solar com FPS acima de 50 e, se possível, protetor labial com filtro para evitar queimar os lábios. Aliado a barreiras físicas, como boné, chapéu, óculos de sol e camiseta quando for se expor ao ar livre.

Evite práticas intensas de atividades físicas, especialmente a céu aberto e procure ficar em locais ventilados. Se possível, não se exponha diretamente e evite horários em que o sol está mais forte, das 10h às 16h, sobretudo no período  próximo ao meio-dia.

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