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O que acontece com o corpo ao parar de usar as “canetas emagrecedoras”? Entenda o impacto no peso e coração

Pesquisa com mais de 300 mil pessoas sugere que benefícios, para além da perda de peso, não são imediatos e podem se perder com a interrupção do tratamento

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2026, 14h00 • Atualizado em 24 mar 2026, 09h42
  • Interromper o uso das canetas para obesidade e diabetes — como a semaglutida e a tirzepatida (princípios ativos do Ozempic e Mounjaro, respectivamente) — pode reduzir ou até reverter parte da proteção cardiovascular associada a esses medicamentos. É o que sugere um novo estudo publicado na revista científica BMJ Medicine.

    Para chegar aos resultados, os pesquisadores acompanharam mais de 330 mil pessoas por até três anos: cerca de 132 mil iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1, enquanto outros 201 mil usaram sulfonilureias, uma classe mais antiga de antidiabéticos que serviu como grupo de comparação.

    Entre as “canetas” analisadas, estavam moléculas como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. A maior parte dos pacientes, no entanto, utilizava semaglutida (66,13%), que respondeu por cerca de dois terços da amostra.

    Resultados

    O que os autores perceberam é que o efeito protetor desses medicamentos não aparece de forma imediata. Na verdade, esses benefícios são acumulativos. Pacientes que usaram o medicamento por menos de um ano e meio, por exemplo, não apresentaram redução significativa no risco cardiovascular.

    Já aqueles que mantiveram o tratamento por períodos mais longos, especialmente por dois anos ou mais, começaram a mostrar benefícios consistentes. Entre os que permaneceram em uso contínuo ao longo de todo o acompanhamento, o risco de eventos cardiovasculares foi cerca de 18% menor em comparação com o grupo que usou sulfonilureias.

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    Mas o dado que mais chamou atenção foi o impacto de parar. Mesmo interrupções relativamente curtas já foram associadas a perda de proteção. Pacientes que suspenderam o tratamento por seis meses apresentaram aumento de risco em relação aos que continuaram usando.

    E esse efeito foi progressivo: quanto maior o tempo sem o medicamento, maior o risco observado. Após dois anos de descontinuidade, o risco de eventos cardiovasculares foi mais de 20% maior em comparação com o uso contínuo.

    Adesão e benefícios

    Embora o estudo não tenha investigado diretamente os mecanismos por trás dos resultados, os pesquisadores apontam possíveis explicações. A interrupção desses fármacos costuma ser acompanhada de reganho de peso, aumento de marcadores inflamatórios e piora de parâmetros metabólicos, como glicemia, pressão arterial e perfil lipídico — fatores que, juntos, contribuem para elevar o risco cardiovascular.

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    Na avaliação do endocrinologista Carlos Eduardo Couri, colunista na VEJA Saúde, a pesquisa reforça uma diferença importante que nem sempre é clara: a distância entre os resultados de estudos clínicos, geralmente divulgados, e o que acontece na vida real. “Nos estudos com GLP-1, o benefício para o coração é incontestável. Mas ali estamos falando de pacientes altamente acompanhados, motivados, que recebem o medicamento gratuitamente e têm maior adesão ao tratamento”, explica.

    Porém, fora desse cenário controlado, a dinâmica costuma ser outra. “Na prática, o paciente falta à consulta, interrompe o uso, às vezes utiliza de forma irregular…”, observa.

    Nesse sentido, o endocrinologista chama a atenção para a necessidade de alinhar expectativas antes mesmo da prescrição. “É importante deixar claro para o paciente que o uso desses medicamentos é contínuo. Isso vale não só para o controle da glicose, mas também para o peso, inflamação, gordura no fígado, proteção cardiovascular e por aí vai.”

    Na prática, isso também envolve discutir viabilidade. “Se o paciente não tem condições de manter o tratamento, muitas vezes é melhor nem iniciar. São medicamentos de custo elevado, e o uso por curto prazo reduz muito o benefício, independentemente da molécula utilizada, seja uma semaglutida ou uma tirzepatida. Isso precisa ser conversado com clareza.”

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