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O componente da dieta que pode sabotar a fertilidade

Estudo avalia pela primeira vez, de forma conjunta, o impacto do consumo de ultraprocessados para tentativa de engravidar e embriões

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 mar 2026, 18h15 • Atualizado em 30 mar 2026, 19h39
  • Ao longo do planejamento da gravidez, é comum que mulheres mudem seus hábitos, inclusive no plano alimentar. Um estudo pioneiro em avaliar, de forma combinada, a dieta de homens e mulheres publicado na revista científica Human Reproduction mostrou que esse movimento também deve ser adotado pelos futuros pais. Segundo os pesquisadores da Erasmus University Rotterdam, nos Países Baixos, diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados pode ser benéfico para a fertilidade masculina e também para os embriões.

    Na pesquisa, foram avaliados dados de 651 homens e 831 mulheres presentes em um estudo que acompanha pais desde o período antes da concepção até a infância das crianças com voluntários incluídos entre 2017 e 2021. A partir da 12ª semana de gestação, os participantes responderam a um questionário sobre seus hábitos alimentares de forma precisa: o percentual diário de alimentos era relatado em gramas.

    Assim, o grupo constatou que o consumo de ultraprocessados foi de 22% entre mulheres e de 25% entre os homens. Esses alimentos ricos em sódio, açúcares adicionados e gordura, geralmente vendidos em pacotes, já são conhecidos por causar doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer quando consumidos em excesso.

    Outro questionário abordou o contexto do tempo até conseguir engravidar, fecundidade e o conceito de subfertilidade — período de 12 meses ou mais tentando uma gestação — ou uso de técnicas de reprodução assistida. Por fim, houve uma análise do embrião e do saco vitelino, que nutre o bebê no início da gestação, para avaliação do desenvolvimento do feto.

    Diferenças entre homens e mulheres

    No caso dos homens, os pesquisadores observaram que o maior consumo de ultraprocessados estava relacionado com um risco aumentado de subfertilidade e prazos mais longos para conseguir engravidar a parceira. Para as mulheres, esse processo não ocorreu, mas houve impacto no crescimento embrionário e no tamanho do saco vitelino, que estava ligeiramente menor em medição feita na sétima semana de gestação.

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    “Essa associação pode ser explicada pela sensibilidade dos espermatozoides à composição da dieta, enquanto o consumo materno de alimentos ultraprocessados pode influenciar diretamente o ambiente uterino no qual o embrião se desenvolve desde o início da vida”, explicou Celine Lin, doutoranda no Centro Médico da Universidade Erasmus, em nota divulgada pela revista Focus on Reproduction, publicação da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (Eshre, na sigla em inglês).

    Este é um estudo que ainda tem limitações por ser observacional, de modo que não comprova uma relação de causa e consequência entre os ultraprocessados e problemas de fertilidade, mas dá fortes indícios de que a alimentação tem, sim, um impacto no processo de casais que desejam ter um filho.

    “Nossos resultados sugerem que uma dieta com baixo teor de ultraprocessados seria a melhor opção para ambos os parceiros, não apenas para a saúde deles, mas também para as chances de gravidez e para a saúde do bebê”, afirma a pediatra Romy Gaillard, professora associada de epidemiologia do desenvolvimento no Centro Médico da universidade.

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