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Meditação: 25% das pessoas relatam experiências negativas

Um novo estudo descobriu que determinados tipos de meditação, como Kōan e Vipassana, estão mais associados a estados mentais negativos

A meditação está associada a experiências de relaxamento e calma, além de trazer benefícios para a saúde, incluindo impulsionar o sistema imunológico e reduzir os níveis de stress. No entanto, cientistas descobriram que 25,6% das pessoas que praticam meditação regularmente podem experimentar sensações negativas, como medo e ansiedade.

Segundo o estudo, publicado na revista PLOS One, indivíduos que frequentam retiros de meditação ou são mais propensos a ter pensamentos negativos apresentam maior risco de passar por experiências desagradáveis. A equipe da Universidade College London, na Inglaterra, ainda revelou que determinados tipos de meditação, como Kōan e Vipassana, que envolvem a contemplação da experiência consciente (visão subjetiva da realidade) e dos padrões emocionais, estão mais associados a relatos de estados mentais negativos em comparação com a prática da atenção plena, por exemplo.

Apesar dos resultados, os pesquisadores afirmam que o objetivo da pesquisa não é condenar a meditação e sim destacar que, em alguns casos, ela pode ser ter um lado ruim. “Estas descobertas apontam para a importância de ampliar a compreensão pública e científica da meditação para além da técnica de promoção da saúde”, comentou Marco Schlosser, co-autor da pesquisa.

Experiências negativas

Para chegar a esta conclusão, a equipe entrevistou 1.232 pessoas que praticavam meditação há pelo menos dois meses (frequência mínima: uma vez por semana). Durante a entrevista, os pesquisadores verificaram se os participantes já haviam tido alguma experiência ruim com a meditação e qual era a opinião deles a respeito da causa. Ou seja, se havia sido provocada pela própria prática ou por fatores externos.

A análise das respostas mostrou que 25,6% dos participantes experimentaram sensações negativas, como medo, ansiedade, pensamentos e emoções distorcidas e alteração no senso de si mesmo, por exemplo. Dentre estes participantes, 28,5% eram do sexo masculino, 29% haviam participado de algum tipo de retiro de meditação, 29,2% praticavam meditação desconstrutiva (Kōan e Vipassana) e 30,6% não tinham crença religiosa.

“Devemos perguntar quando e se essas experiências desagradáveis ​​relacionadas à meditação podem ser um aspecto importante do treinamento meditativo que resultam em uma transformação positiva [ou se] não são essenciais e podem levar a sofrimento desnecessário”, ressaltou Schlosser. 

Embora os resultados tenham levantado questões importantes, o estudo falhou ao não verificar com mais profundidade as experiências negativas e não analisar os fatores que desencadearam esses efeitos. Por causa disso, os pesquisadores insistem na necessidade de mais estudos para compreender todos os elementos envolvidos nestes achados antes de concluir que a meditação pode não ser uma prática benéfica.

“A maioria das pesquisas sobre meditação se concentrou em seus benefícios. Ou seja, pouco se sabe sobre por que, quando e como, tais dificuldades relacionadas à meditação podem ocorrer. É importante investigar esses efeitos negativos da meditação antes de tirar conclusões”, disse Schlosser.