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Medicamento inédito para dermatite já está disponível no Brasil

A doença afeta 7% da população adulta e 25% das crianças. Ela provoca lesões e coceira na pele e pode levar o paciente a desenvolver insônia e depressão

Por Letícia Passos - Atualizado em 15 abr 2019, 16h08 - Publicado em 15 abr 2019, 14h11

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica que não tem cura. Até o momento, a melhor forma de proporcionar alívio ao paciente é o uso de corticoides, hidratantes e imunossupressores. No entanto, essas  terapias não são recomendadas para todos os casos e podem ter efeitos colaterais preocupantes. Agora, o dupilumabe, promete melhorar a abordagem terapêutica da doença.

O novo medicamento, comercializado sob o nome Dupixent,  atua diretamente nos mecanismos que causam a inflamação característica da doença. “Esse é o primeiro tratamento a trabalhar nos processos inflamatórios que ocorrem nas camadas mais profundas da pele. Isso proporciona uma melhora importante no quadro clínico. Além disso, a medicação é segura, eficaz e pode ser utilizada a longo prazo”, explicou Suely Goldflus, líder médica da área terapêutica da Sanofi (farmacêutica que comercializa o produto).

Segundo a especialista, ele é indicado para pacientes que não podem utilizar os tratamentos tradicionais ou não respondem bem às medicações atualmente disponíveis. O remédio consiste em duas injeções subcutâneas no início do tratamento e uma repetição a cada catorze dias. A aplicação pode ser realizada pelo próprio paciente mediante orientação profissional. Os efeitos colaterais incluem reações à injeção e conjuntivite.

Dermatite Atópica

A dermatite atópica afeta 7% da população adulta e 25% das crianças no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O problema, caracterizado por lesões e erupções na pele, afeta a qualidade de vida do paciente e pode estimular problemas como insônia, ansiedade e depressão. A doença é causada por uma anomalia no sistema imunológico que desencadeia um processo inflamatório e reduz a funcionalidade da barreira que protege a pele, o que permite a entrada de micróbios e substâncias no organismo que provocam reações alérgicas.

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Estudos revelaram que esse mau funcionamento do sistema imunológico está associado a duas proteínas: as interleucinas 4 e 13 (IL 4 e IL 13), que são responsáveis por desencadear a inflamação que ocorre nas camadas mais profundas da pele, levando à manifestação dos sintomas. É justamente nesse mecanismo que o dupilumabe age. O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido especificamente para inibir a sinalização excessiva dessas duas proteínas-chave.

Os sinais da dermatite atópica variam conforme a gravidade, embora seja possível observar lesões cutâneas na maioria dos pacientes. Para casos moderados e graves ocorrem erupções na pele, que estão associadas a ressecamento, rachadura e vermelhidão. Ainda assim, a principal queixa é a coceira intensa e persistente, que pode aparecer todos os dias durante uma crise.

Convivência com a doença

Um estudo clínico publicado na revista científica Journal of the American Academy of Dermatology revelou que 55% dos pacientes com dermatite atópica têm dificuldades para dormir cinco ou mais noites por semana e 51% afirmam ter desenvolvido depressão e ansiedade. 

A pesquisa revelou também que a dermatite interfere na rotina e qualidade de vida do paciente: 93% revelaram sentir vergonha ou insegurança e 83% admitiram que a doença influencia na escolha de roupas no dia a dia. O portador da condição também pode sentir dor moderada ou extrema, além de estar mais propenso a infecções graves.

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Outro levantamento realizado pela Ipsos, a pedido da Sanofi, em parceria com a SBD e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), mostrou que o diagnóstico da doença não é simples. Inicialmente, 33% dos pacientes foram diagnosticados com outros problemas de pele, como alergia (48%) e psoríase (15%). O tratamento é outro fator de preocupação: 77% dos pacientes utilizam corticoides – presente em anti-inflamatórios.

Entretanto, quando usados em longo prazo, os corticoides trazem riscos de saúde, como hipertensão, diabetes, osteoporose e problemas oculares, como o glaucoma – doença que pode levar à cegueira. Já os imunossupressores são recomendados apenas para a forma grave da doença e não podem ser usados por mais de doze meses.

Até mesmo os hidrantes corporais, que parecem inofensivos, podem prejudicar o tratamento se não forem escolhidos cuidadosamente com o auxílio de um especialista. “Uma das marcas da dermatite atópica é a pele muito seca, por isso o uso de hidratante é fundamental para manter a hidratação. Eles também ajudam a reconstituir a perda da barreira cutânea”, explica Suely.

Dupixent

Por ser um produto biológico, o medicamento não está disponível para compra em farmácias e drogarias convencionais. Para obtê-lo é preciso fazer uma solicitação direto para empresas de entrega de medicamentos. O Serviço de Atendimento ao Consumidor da Sanofi (SAC) também pode orientar sobre quais são as deliveries disponíveis para a entrega da medicação. 

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A farmacêutica também oferece aos pacientes o Programa Viva, que promove orientação em saúde, assistência de enfermeira presencial, online ou por telefone, e serviços multidisciplinares, como aconselhamento nutricional e psicológica, que tem grande importância no tratamento de pacientes com dermatite atópica.

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