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Medicamento experimental para Lito Sousa chega ao Brasil e é liberado em operação especial

Planejada com antecedência, mobilização da Receita Federal e da Anvisa permitiu a liberação da substância 'em poucos minutos'

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 set 2026, 19h45 | Atualizado em 14 set 2026, 11h49
Medicamento experimental para Lito Sousa chega ao Brasil e é liberado em operação especial Priorize VEJA no Google

O medicamento experimental que será utilizado pelo influenciador de aviação Lito Sousa, diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição rara e ainda sem cura, chegou ao Brasil e foi recebido em uma operação conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal para rápida liberação da droga em testes na madrugada deste sábado, 12.

A mobilização para que a substância chegasse ao paciente sem atrasos foi planejada com antecedência e ocorreu no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Segundo a Receita Federal, logo após o desembarque, o remédio em teste foi transferido para um helicóptero que fez o transporte até seu destino, o Einstein Hospital Israelita, sem etapas intermediárias de logística.

O motivo de acelerar procedimentos foi explicado pelo órgão. Além de ser uma “medicação de uso urgente”, conforme detalhou a Receita, seu “potencial terapêutico diminui rapidamente com o passar das horas”. Por isso, o “despacho aduaneiro foi concluído em poucos minutos após a chegada ao país”.

No início do mês, a empresária Mila Seidl, esposa de Lito, contou em um vídeo que uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos tinha dado uma resposta positiva para o uso compassivo de uma medicação para o controle de doença priônica, grupo do qual a Doença de Creutzfeldt-Jakob faz parte.

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No mesmo dia, a Anvisa autorizou a importação e uso excepcional do medicamento experimental diante do fato de que Lito foi aceito em um programa de uso compassivo do tratamento em desenvolvimento.

Esse tipo de utilização de drogas em teste pode ser feito quando um paciente tem uma doença grave que ainda não conta com tratamentos eficazes aprovados por agências regulatórias.

A substância ainda não foi testada em humanos.

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O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) faz parte do grupo das chamadas doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras que são causadas pelos príons: partículas infecciosas proteicas (do inglês “Proteinaceous Infections Particles“).

Os príons surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo alteram seu formato e se aglomeram no cérebro, causando doenças que podem afetar tanto humanos quanto animais. Em muitos casos, a origem da proteína anormal é desconhecida.

A forma mais comum de doença priônica que afeta humanos é a DCJ, um tipo de Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET) que acomete os humanos. O termo “espongiforme” se refere às alterações que a doença causa no cérebro, que passa a apresentar um padrão esponjoso.

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Segundo o site do Ministério da Saúde, os sintomas são variáveis e inespecíficos, podendo ser confundidos com demências e transtornos neurológicos progressivos como Alzheimer ou a doença de Huntington. O quadro inicial geralmente inclui demência associada a outros sinais neurológicos, como:

  • Desordem cerebral;
  • Perda de memória;
  • Tremores;
  • Ataxia (perda do equilíbrio motor) e afasia (dificuldade na fala);
  • Falta de coordenação motora;
  • Distúrbios visuais;
  • Espasmos musculares (mioclonia);
  • Alterações de comportamento.

O paciente apresenta uma piora rápida e progressiva após o início dos sinais e sintomas. Com a progressão do quadro, podem ocorrer ainda insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.

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Segundo a pasta, a degeneração progressiva das habilidades psicomotoras de pessoas acometidas pela DCJ é bem mais acelerada quando comparada com outras demências.

A forma mais comum de DCJ ocorre a uma taxa de 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano em todo o mundo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2005 e 2021, foram registradas no Brasil 1. 576 notificações de casos suspeitos da condição, com registros mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

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