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Com dose 3 vezes maior que o Wegovy, caneta turbinada é aprovada com promessa de superar perda de 20% do peso

Semaglutida em maior dosagem já estudada ganha aval da agência regulatória europeia, abrindo caminho à nova opção de medicamento no mercado

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 fev 2026, 09h15 • Atualizado em 18 fev 2026, 09h48
  • O órgão responsável pelo controle de medicamentos na União Europeia acaba de dar sinal verde a uma versão mais potente das canetas de Wegovy, o “primo” do Ozempic destinado à perda de peso. Em dosagem de 7,2 mg de semaglutida – três vezes mais que o produto atual -, ela foi bem-sucedida nos estudos clínicos, chegando a reduzir o peso dos pacientes em 21%. 

    A nova apresentação, aplicada uma vez por semana, já está disponível no Reino Unido e, com a chancela da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), deve chegar ao mercado em outros países europeus. O remédio está em análise pelo governo americano e, no Brasil, aguarda parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    O Wegovy turbinado volta a esquentar a corrida com os novos tratamentos para obesidade. “Seu patamar de eficácia é semelhante ao da tirzepatida, do Mounjaro, considerado até agora o campeão no quesito perda de peso entre as medicações já aprovadas”, comenta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e curador do Endodebate.

    Até então, a dose máxima liberada para o Wegovy era de 2,4 mg de semaglutida por semana. Agora, médicos europeus passam a contar com uma opção mais potente para pessoas que não atingiram a redução de peso esperada com a dosagem tradicional.

    “Na prática, a nova dose permite uma intensificação do tratamento, sempre associada a alimentação equilibrada e atividade física”, diz Couri.

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    O que está por trás da aprovação

    Os dados que subsidiam o aval do órgão europeu para o Wegovy mais potente, desenvolvido pela Novo Nordisk, vêm de pesquisas robustas, que acompanharam pacientes com obesidade por cerca de um ano e meio.

    Os estudos demonstraram que a medicação pode superar uma perda de 20% do peso corporal, sendo que um em cada três pacientes eliminou 25% mais de 25% do peso. São índices bastante próximos aos do Mounjaro, da concorrente Eli Lilly.

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    Transpondo os achados dos ensaios clínicos para a vida real, significa que uma pessoa com 100 kg pode perder, em média, 20 a 25 kg, algo impensável com medicações há cinco anos.

    “O interessante é que a maior parte da perda de massa corporal ocorreu à custa de gordura, com preservação da massa muscular”, destaca Couri.

    Os efeitos colaterais mais comuns foram náuseas, diarreia e vômitos, geralmente leves, transitórios e de frequência semelhante à dose de 2,4 mg semanal. Ou seja, a maior potência não resulta necessariamente em mais reações adversas.

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    Quando chega ao Brasil?

    Ainda não há expectativa de aprovação pela Anvisa e de lançamento no mercado nacional. Mas há uma grande probabilidade de o FDA, o órgão regulatório americano, e a agência brasileira seguirem o parecer europeu.

    “Medicamentos como o Wegovy atuam em áreas do cérebro responsáveis pela saciedade e pelo controle do apetite, ajudando o paciente a comer menos sem viver em constante sofrimento”, observa Couri.

    O endocrinologista pondera, no entanto, que, por se tratar de uma condição multifatorial, as canetas precisam entrar em cena junto a ajustes na alimentação, prática de exercícios e outros cuidados que auxiliam na perda e na manutenção do peso. “Medicamentos cada vez mais eficazes ampliam as opções terapêuticas, mas não substituem acompanhamento médico e mudança de estilo de vida no longo prazo.”

    Couri ressalta que o benefício dessa nova geração de drogas visa ir além do peso em si. “Mais do que emagrecer, o objetivo é diminuir o risco de doenças cardiovasculares e outros problemas de saúde e melhorar a qualidade de vida.”

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