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Foi muito difícil, mas parei de fumar

A dura missão de largar o vício

Por Silvio Nascimento Atualizado em 1 jun 2017, 19h53 - Publicado em 5 ago 2009, 22h41

Dos meus 50 anos, fumei 28. Parei em 1999, com a certeza de que não teria muito mais tempo pela frente caso continuasse fumando daquela maneira. Eram quase quatro maços por dia – sim, quase 80 cigarros diários.

A moda na época era alguns novos e potentes antidepressivos. Mas sou muito chato com remédios – não só com remédios, confesso, mas especialmente com eles. Decidi parar sem nenhuma ajuda e testar a minha chatice. Venci. Não foi fácil: foram ao menos 90 dias de reações alternadas de todos os tipos – todas ruins -, com meu corpo pedindo para queimar pelo menos um cigarrinho.

Comecei a praticar esportes, o que ajuda muito. Comprei bicicleta, comecei a ter aulas de tênis, corria várias vezes por semana, algumas de madrugada. Claro, ganhei também algumas contusões. Afinal, engordei 12 quilos no primeiro trimestre sem jogar fumaça dentro dos pulmões.

Senti varias más sensações. Tinhas dores de cabeça, tontura, dores musculares, dormência nos braços e pernas, alternava dias sem comer quase nada e outros em que era capaz de esvaziar dois ou três pratos e ainda ficar com fome. Em alguns dias, dormia uma ou duas horas; em outros, mais de 12… Amigos médicos me diziam que sofria da síndrome de abstinência. Mas os sintomas diminuíram drasticamente conforme o tempo passava. Nunca, nestes dez anos, senti vontade de fumar ou sonhei com a fumacinha. Nem me tornei um xiita, não me incomodo que fumem perto de mim.

Considero-me um vencedor, repito, não por ter parado sem ajuda, mas simplesmente ter largado o cigarro – tenho certeza de que a ajuda funciona e deve aliviar o sofrimento. E o melhor de tudo são os benefícios: hoje, faço exercícios sem sentir falta de ar, não tenho mais dores de cabeça periódicas, nunca mais sofri de inflamação na garganta, e os problemas de mal-estar, dores de estômago e resfriado se tornaram muito raros. Tudo por causa do cigarro? Gosto de pensar que sim, porque esta que tenho é outra vida. E me parece muito melhor.

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