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EUA aprovam novo teste com células-tronco embrionárias

Objetivo é descobrir cura para perda irreversível da visão em idosos

Por Da Redação 3 jan 2011, 14h52

“Nos próximos 20 anos, à medida em que a população envelhecer, a incidência de denegeração macular senil deve dobrar” – Bob Lanza, cientista chefe da Advanced Cell Technology (ACT)

A empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology (ACT) anunciou nesta segunda-feira ter recebido sinal verde do governo norte-americano para iniciar a segunda série de testes com células-tronco embrionárias para tratar a cegueira, desta vez em idosos. O teste avaliará a habilidade da terapia para tratar com segurança pessoas com um problema conhecido como degeneração macular senil, o tipo mais comum de perda irreversível da visão a partir dos 60 anos. Ainda não há cura para a doença, que afeta entre 10 milhões e 15 milhões de norte-americanos e outros 10 milhões de europeus, acrescentou a empresa.

Em novembro, o FDA (Food and Drug Administration), entidade que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, já havia autorizado a ACT a iniciar um teste similar com pacientes com uma forma progressiva de perda de visão juvenil, conhecida como doença de Stargardt. “A ACT agora é a primeira empresa a receber o aval da FDA para dois testes com células-tronco embrionárias humanas”, declarou Gary Rabin, presidente interino e chefe executivo da companhia.

“Representa um grande passo, não apenas na área das células-tronco, mas potencialmente para técnicas modernas de cuidado com a saúde”, continuou. A companhia espera começar os testes clínicos nos Estados Unidos nos próximos meses e pretende obter testes similares na Europa. Os mercados norte-americano e europeu para este tipo de tratamento soma entre 25 milhões e 30 bilhões de dólares, acrescentou a empresa.

Lesão na medula – O anúncio da ACT é o terceiro do tipo, depois de a empresa americana Geron inovar no ano passado com a primeira tentativa de tratamento com células-tronco embrionárias em um paciente com lesão na medula espinhal. A modalidade de pesquisa constitui um campo controverso desde que as primeiras células-tronco embrionárias foram isoladas, há mais de 12 anos. Os críticos condenam a prática porque ela envolve a destruição de embriões humanos.

No entanto, os cientistas afirmam que estas células representam uma grande promessa no tratamento do mal de Parkinson, de diabetes e uma variedade de outras doenças. Assim como em outros testes com pacientes humanos, o primeiro passo nos testes de fase I e fase II da ACT é saber se a terapia é segura. “Em uma cobaia com degeneração macular, vimos uma notável melhora no desempenho da visão com relação a animais sem tratamento, sem quaisquer efeitos colaterais”, disse Bob Lanza, cientista chefe da ACT.

Substituição de células – Doze pacientes participarão do estudo em vários locais dos Estados Unidos, inclusive a Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e a Universidade de Stanford. A terapia usa células do pigmento do epitélio retinal (RPE) derivadas de células-tronco embrionárias para substituir as células de RPE danificadas em pacientes com a doença. A degeneração macular senil causa a deterioração da visão central quando as células de RPE na mácula do paciente, no centro da retina, perdem a habilidade de funcionar.

Pacientes frequentemente experimentam um embaçamento no centro do campo de visão, enquanto a visão periférica permanece intacta. “Nos próximos 20 anos, à medida em que a população envelhecer, a incidência de denegeração macular senil deve dobrar, exacerbando esta necessidade médica, ainda sem solução”, disse Lanza.

(Com Agência France-Presse)

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