Clique e assine a partir de 9,90/mês

Coronavírus: medidas drásticas podem evitar mortes, diz estudo

Pesquisa comandada por instituição britânica avaliou que, se nada for feito, 2,2 milhões de pessoas podem morrer nos EUA

Por Da Redação - Atualizado em 23 Mar 2020, 19h57 - Publicado em 23 Mar 2020, 13h03

Um estudo científico baseado em projeções matemáticas publicado na segunda-feira, 16, apontou que se nada for feito pelos governos e pela população para conter a pandemia do novo coronavírus 2,2 milhões de pessoas podem morrer nos Estados Unidos e outras 510 000 pessoas no Reino Unido.

A pesquisa foi realizada pela Imperial College London e liderada pelo reconhecido epidemiologista Neil Ferguson — que depois de lançar o modelo matemático que correu o mundo apresentou sintomas característicos do novo coronavírus e contou em sua conta do Twitter ter testado positivo para a doença.

Além das vítimas fatais por Covid-19, a pesquisa também aponta que o grande volume de casos sobrecarregaria os sistemas de saúde locais. A análise foi feita em um cenário no qual ações de contenção e isolamento fossem ignoradas pela maior parte da população e apenas fosse levada em conta pela parte da população que apresentasse grandes riscos.

LEIA TAMBÉM

Continua após a publicidade

+ Quais as semelhanças entre a Covid-19 e outras pandemias do passado?

Modelos utilizados

As duas estratégias fundamentais citadas pelo documento são a “mitigação”, que teria como papel principal afastar pessoas com quadro suspeitos e as já infectadas e seus contactantes, além de propor o isolamento em casa somente dos grupos de risco;  e a “supressão”, que levaria em consideração as ações acima e mais o distanciamento social para toda a população, com escolas e universidades fechadas, além da orientação de evitar sair de casa e frequentar ambientes com grande número de pessoas.

O documento aponta que a eficácia de qualquer intervenção isolada é limitada e que impactos efetivos só serão alcançados com a combinação de ações. A pesquisa diz que 81% da população destes países seria infectada e que o pico de mortes atingiria seu auge em 3 meses, com a ausência das medidas citadas.

Continua após a publicidade

Há ainda a desafiadora previsão de que as medidas de “supressão” deveriam ser tomadas pelos próximos 18 meses ou até quando estima-se que uma vacina específica para a doença seja desenvolvida.

O modelo foi criado levando em consideração uma estratégia britânica até então baseada na “imunização por rebanho” que, em resumo, significaria deixar que grande parte da população entrasse em contato com o vírus de forma branda e deste modo desenvolvesse imunização à enfermidade, dificultando sua propagação.

Caso apenas o modelo de “mitigação” fosse seguido isoladamente, o estudo aponta que a média de mortes para os EUA estaria entre 1 e 1,2 milhão de pessoas e de 250 000 para o Reino Unido. Ainda que o sistema de saúde atendesse a todos os infectados.

Impacto nos países citados

Continua após a publicidade

Logo após a publicação da pesquisa, o primeiro-ministro britânico passou a orientar a população que ficasse em casa e evitasse contato próximo entre si. A Casa Branca também passou a aceitar o isolamento como uma medida necessária para conter o impacto do coronavírus em todo o país.

Mas ainda há muito o que ser mudado. Na sexta-feira, 21, o Imperial College publicou mais uma pesquisa na qual diz que apenas metade dos britânicos cumpriram a orientação de evitar áreas com grandes concentrações de pessoas. Uma maior parte (82% das pessoas entrevistadas) disse ter aumentado a frequência com que lava as mãos.

Publicidade