Dieta é coroada em estudo como a melhor opção para afastar o declínio da memória
Pesquisa de Harvard que acompanhou cerca de 160 000 pessoas revela que um cardápio tem maior potencial para reduzir risco de colapso cognitivo
O que deve ter o cardápio na meia-idade se quisermos somar pontos à prevenção do declínio cognitivo, quadro que pode evoluir para demências como o Alzheimer? Uma investigação da Escola de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, ajuda a responder: ela conclui que um padrão alimentar específico se destaca na proteção do cérebro.
Os cientistas analisaram dados de quase 160 000 profissionais de saúde acompanhados continuamente por grupos de estudo e examinaram a associação entre hábitos alimentares e o risco de desenvolver o comprometimento da memória e de outras funções cognitivas ao longo dos anos.
Eles descobriram que os voluntários na faixa dos 45 aos 54 anos que aderiam a determinados tipos de dieta apresentavam uma redução significativa na propensão a ter problemas de desempenho cerebral lá na frente. Na investigação, a adoção de seis programas alimentares foi relacionada a uma diminuição significativa dos quadros de declínio cognitivo.
Entre os cardápios contemplados, destacaram-se planos que buscam controlar o diabetes, reduzir a ingestão de carne vermelha, mitigar a inflamação a que o organismo está sujeito e domar a pressão alta.
E aí que está: a dieta com maior fator de proteção e melhora cognitiva foi a DASH, sigla para Abordagem Dietética para Controle da Hipertensão. Trata-se de uma estratégia de intervenções à mesa desenvolvida nos EUA nos anos 1990 que é adotada em consultórios e ambulatórios para ajudar pacientes hipertensos a baixar a pressão arterial.
O ponto é que a DASH não faz bem apenas às artérias. Uma sucessão de estudos demonstrou que ela traz benefícios à saúde em geral. E, no caso da nova publicação, nas páginas do periódico médico JAMA Neurology, ela foi coroada como o melhor menu em prol do cérebro.
“Ela não só apresentou o menor risco subjetivo de declínio cognitivo [algo medido pela autoavaliação dos pacientes] como teve a maior relação com uma melhora global da cognição através de parâmetros objetivos”, escreveram os autores da pesquisa. E a associação entre a dieta e os índices mais favoráveis de integridade cognitiva foi mais pronunciada justamente entre as pessoas que se engajaram no menu na meia-idade.
O estudo não prova uma relação de causa e efeito, até porque existem diversas variáveis e questões de saúde e estilo de vida que impactam o risco de declínio cognitivo no futuro, mas soma evidências de que mudanças na alimentação podem repercutir na saúde cerebral.
Os resultados da pesquisa, com dados de mais de 40 anos de acompanhamento de milhares de profissionais de saúde americanos, corroboram que uma dieta balanceada, com menor presença de industrializados ultraprocessados e carne vermelha, têm efeito positivo no bem-estar neurológico.
A DASH é um programa alimentar que também pede moderação em fontes de sódio e açúcar e encoraja o consumo de alimentos naturais e de origem vegetal, ricos em fibras, vitaminas e antioxidantes – grupo do qual fazem parte frutas, hortaliças e grãos integrais.
Essa combinação é bem-vinda aos vasos sanguíneos, minimizando o risco de eles sofrerem com inflamações, obstruções e apertos. Na prática, isso não só favorece o sistema circulatório, mas também os órgãos atendidos por ele – a exemplo do coração e do cérebro.
Além disso, a ciência tem colocado a hipertensão sem o devido controle como um dos principais fatores por trás de AVC e demências como Alzheimer. Ou seja, baixar a pressão, com a ajuda da dieta e da prática de exercícios, é uma medida valiosa para resguardar a memória e outras capacidades cognitivas.





