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Covid-19: vetar eventos é mais eficaz que quarentena para evitar a doença

Uma análise com mais de 100 países determinou as medidas que mais impactam na redução da taxa de transmissão do novo coronavírus

Por Giulia Vidale Atualizado em 22 out 2020, 19h40 - Publicado em 22 out 2020, 19h31

Desde o início da pandemia do novo coronavírus diversas medidas de distanciamento foram implementadas para tentar controlar a propagação da doença. Um estudo publicado nesta quinta-feira, 22, na revista científica The Lancet Infectious Diseases, analisou quais providências tiveram maior impacto na redução da taxa de contágio da Covid-19 e também no aumento desse índice, após seu relaxamento.

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, analisaram medidas implementadas em 131 países, incluindo fechamento de escolas, de locais de trabalho, proibição de eventos públicos, proibição de reuniões e encontros de mais de dez pessoas, exigência de permanência em casa e restrição na circulação de pessoas. A eficácia dessas medidas foi avaliada individualmente e em conjunto.

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Impacto na redução da taxa

Ao olhar para as medidas individualmente, a proibição de eventos públicos apresentou a maior redução (24%) na taxa de transmissão,medida também conhecida como R ou número de reprodução, que tem papel fundamental na análise da disseminação da epidemia. Uma taxa de contágio (R) está acima de 1 indica que a epidemia está crescendo. Por outro lado, um valor abaixo de 1 indica desaceleração. Vale lembrar que nesta semana o Brasil completou um mês com a taxa dentro deste nível de controle.

O fechamento de escolas e de locais de trabalho causaram uma redução de 15% e 13%, respectivamente, 28 dias após sua introdução. Já a restrição da circulação de pessoas e a quarentena tiveram um impacto menos relevante: 7% e 3%.

Em seguida, eles analisaram a eficácia dessas medidas combinadas de quatro formas diferentes. O pacote de medidas menos abrangente, composto apenas pela proibição de eventos públicos e de reuniões de mais de dez pessoas, reduziu a taxa em 29%, 28 dias após sua introdução. A segunda opção – fechamento dos locais de trabalho associado à proibição de eventos públicos e reuniões de mais de dez pessoas – gerou uma redução de 38% no mesmo período.

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A terceira alternativa – fechamento dos locais de trabalho, proibição de eventos públicos e reuniões de mais de dez pessoas e restrição da circulação – reduziu a taxa de transmissão em 42%. Por fim, o pacote mais abrangente, que comporta todas as medidas – fechamento de escolas e locais de trabalho, proibição em eventos públicos e encontros de mais de dez pessoas, restrição da circulação de pessoas e uma exigência de permanência em casa – e é o que mais se assemelha a um lockdown, reduziu o índice em 52%.

“Descobrimos que a combinação de diferentes medidas mostrou o maior efeito na redução da transmissão da Covid-19. À medida que experimentamos um ressurgimento do vírus, os legisladores precisarão considerar combinações de medidas para reduzir o R. Nosso estudo pode informar as decisões sobre quais medidas introduzir ou suspender e quando esperar ver seus efeitos, mas isso também dependerá do contexto local – o R no momento, a capacidade de saúde local e o impacto das medidas nas condições sociais e econômicas.”, disse o professor Harish Nair, da Universidade de Edimburgo, em comunicado.

  • O efeito do relaxamento

    Em iniciativa inédita, o estudo analisou também os efeitos do relaxamento dessas medidas na taxa de transmissão. Autorizar encontros e reuniões com mais de dez pessoas e a reabertura de escolas foram as iniciativas mais fortemente associadas a um aumento no R: 25% e 24%, respectivamente, no 28º dia após o relaxamento. Em seguida está a liberação de eventos públicos (aumento de 21%), relaxamento das restrições de circulação (13%) e parar de pedir que as pessoas fiquem em casa (11%).

    Em relação à volta as aulas, Nair afirma que “são necessários mais dados para compreender o papel específico das escolas no aumento da transmissão do SARS-CoV-2”. Os pesquisadores definiram um período de análise de 28 dias após a introdução ou relaxamento das medidas de prevenção porque seu efeito não é imediato. Levou em média 8 dias após a implementação de uma ação para ver 60% de seu efeito na redução da taxa de transmissão e cerca de 17 dias após o relaxamento para ver a mesma proporção no aumento do R.

    Papel da população

    Uma análise secundária, realizada com base em dados do Google Mobility de 101 países, mostrou que a população demora para modificar seu comportamento e aderir às medidas, o que explicaria o atraso no aparecimento dos resultados. “O sucesso de intervenções preventivas não farmacêuticas em larga escala requer adesão da população. A taxa de transmissão pode estimular as populações a agir e dar-lhes um feedback sobre o fruto de seu trabalho”, disse Chris T Bauch, professor da Universidade de Waterloo, no Canadá, em um comentário vinculado ao artigo.

    As médias móveis de novas mortes e casos registrada nesta quinta-feira, 22, no Brasil, são de 23.321,1 e 491,4, respectivamente.

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