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Coronavírus: é preciso lavar as compras usando máscara de proteção?

Especialistas rebatem novas fake news que circulam sobre o contágio da doença

Por Mariana Rosário 14 Maio 2020, 15h21

Uma mensagem que alerta para a necessidade de usar máscara de proteção ao lavar as compras do supermercado e da feira circula amplamente em aplicativos de mensagens é a mais nova fake news acerca da pandemia do novo coronavírus.

Confira a mensagem:

Reprodução/VEJA

Escrito em letras maiúsculas e em tom alarmista, o texto diz que os vírus presentes nos alimentos entregues por delivery são capazes de contaminar pessoas com o rosto desprotegido. A informação, explica o infectologista e especialista em saúde pública Gerson Salvador, é falsa.

“Existem dois tipos de contaminação, quando alguém doente tosse e outra pessoa inala as gotículas no ar — sem máscara — ou quando uma superfície contaminada é tocada e a mesma mão, não higienizada, é levada aos olhos, lábios ou nariz”, diz. Portanto, lavar os alimentos que chegam em casa é sim, necessário — tomando sempre o cuidado de não levar as mãos ao rosto, enquanto executar a tarefa — mas nesse caso, atualmente não há qualquer evidência científica conhecida de que o uso do equipamento traga alguma proteção a mais na atividade.

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A orientação dos especialistas é que cozinheiros sempre utilizem máscara de proteção quando preparam receitas  trata-se de uma boa prática de higiene em qualquer época, sobretudo atualmente.  Com a pandemia, entregadores de delivery e feirantes, por exemplo, também deve fazer uso do equipamento para ajudar no combate ao contágio da doença.

  • Esta não é a única mensagem falsa a circular nos celulares e redes sociais. O volume de textos mentirosos é tanto que o Ministério da Saúde mantém desde o início da pandemia um canal para desmentir essas publicações. Selecionamos três outras fake news recentes e explicamos por que estão erradas, confira:

    – Máscara de proteção faz com que a respiração do oxigênio seja obstruída, causando intoxicação

    Os especialistas em saúde explicam que as máscaras faciais utilizadas para proteger-se do coronavírus não filtram gases. Portanto, é absolutamente errado acreditar que há comprometimento da respiração com o uso do equipamento. “Podem sentir algum desconforto pessoas que tenham rinite, por exemplo, mas não tem nada a ver com intoxicação, não é lógica essa afirmação”, diz Salvador.

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    Reprodução/VEJA

    – Máscaras da China estão infectadas

    Circulou em redes sociais a informação de que as máscaras enviadas pela China seriam infectadas para aumentar o número de doentes no Brasil. O caso foi desmentido pelo próprio Ministério da Saúde. “Não há nenhuma evidência que produtos enviados da China para o Brasil tragam o coronavírus (Covid-19)”, diz o comunicado. A pasta argumenta ainda que os vírus geralmente não sobrevivem muito tempo fora do corpo de outros seres vivos, e o tempo de tráfego destes produtos costuma ser de muitos dias. “Geralmente, o vírus só é transmitido entre humanos e não sobrevive mais de 24 horas fora do organismo humano ou de algum animal.”

    – Consumir alimentos alcalinos seria suficiente para curar o vírus

    Em versões em português e espanhol, esta fake news afirma que por meio da alimentação seria possível eliminar o coronavírus. A ideia seria aumentar o pH do corpo para além de 8,5 para que a pessoa torne-se imune. O virologista e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, Maurício Nogueira, diz que a informação é “absurda”. “Não é possível alterar o pH do corpo por meio da alimentação e, mesmo se pudéssemos, isso não mudaria em nada a capacidade de transmissão do vírus”, diz. O especialista explica que órgãos do corpo têm diferentes tipos de pH, naturalmente equilibrados. O texto que circula nas redes sociais, ainda contém erros sobre os pHs citados. Caso do limão, ácido com pH na casa dos 2,2, citado como alcalino (9,9 no texto).

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