OFERTA 10.10! Revista impressa com o MENOR PREÇO DO ANO! 🤑 Assine agora!

Como as canetas emagrecedoras podem salvar seus rins

Novas pesquisas atestam papel da semaglutida na contenção de doenças renais e cardíacas

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 set 2026, 16h00 | Atualizado em 10 set 2026, 14h09
Como as canetas emagrecedoras podem salvar seus rins Priorize VEJA no Google

Quando pensamos nos estragos que o excesso de peso provoca no corpo, quase sempre olhamos para o coração, para o fígado, para as articulações. Os rins raramente entram nessa história.

E aí que mora um dos equívocos mais silenciosos da medicina contemporânea: a obesidade adoece os rins, e faz isso de um jeito discreto, sem dor, sem aviso, ao longo de anos. Quando o paciente descobre, boa parte do caminho já foi percorrida.

Há mais de uma forma de agressão. A obesidade sobrecarrega os rins de maneira direta, obrigando-os a filtrar o sangue em ritmo acelerado — uma hiperfiltração que, com o tempo, desgasta a delicada arquitetura do órgão.

Mas o dano também chega por vias indiretas, e talvez mais conhecidas. O excesso de peso é um dos principais motores do diabetes tipo 2 e da hipertensão, as duas maiores causas de doença renal crônica no mundo. E, como pano de fundo, a inflamação de baixo grau que acompanha a gordura em excesso corrói vasos e tecidos de forma persistente.

Continua após a publicidade

Diabetes, pressão alta e inflamação: um mesmo problema, a obesidade, alimentando três incêndios ao mesmo tempo.

Existe ainda uma verdade pouco divulgada, e que reorganiza toda a maneira de encarar o assunto: quem tem doença renal crônica morre mais do coração do que dos próprios rins.

Continua após a publicidade

Coração e rins não são vizinhos distantes; são sócios do mesmo negócio. Quando um adoece, o outro entra em risco. O rim doente eleva a pressão, retém líquidos, altera sais e acelera o entupimento das artérias. O coração enfraquecido, por sua vez, irriga mal os rins. É um círculo vicioso que a medicina levou tempo para enxergar por inteiro — e que, agora, começa a ganhar tratamento à altura.

Canetas em ação

É nesse ponto que entra a semaglutida, a molécula que ficou famosa por tratar diabetes e obesidade. O que os estudos mais recentes revelam é que seu alcance vai muito além da balança.

Continua após a publicidade

No estudo FLOW, publicado no New England Journal of Medicine, mais de 3.500 pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica foram acompanhados por cerca de três anos e meio. O resultado foi tão consistente que a pesquisa precisou ser encerrada antes do previsto: a semaglutida reduziu em 24% o risco de eventos renais graves e de morte por causas renais ou cardiovasculares. Reduziu ainda em 20% o risco de morte por qualquer causa e em 18% os eventos cardiovasculares graves, além de frear a perda de função dos rins ao longo do tempo. Não é pouca coisa para uma injeção semanal.

No Brasil, esse reconhecimento já é oficial. Em fevereiro de 2026, a Anvisa aprovou a nova indicação da semaglutida justamente para reduzir a progressão da doença renal e o risco de morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Não se trata, portanto, de promessa futura, mas de uma ferramenta já disponível — desde que para o perfil certo de paciente, com diabetes e comprometimento dos rins, e sempre sob prescrição.

Continua após a publicidade

O reconhecimento internacional veio na sequência. As novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), elaboradas em parceria com a Associação Renal Europeia, fizeram algo inédito: reuniram coração e rim em um único documento, tratando-os como o que sempre foram, um sistema só.

Nele, a semaglutida é recomendada para pacientes com doença renal crônica, diabetes tipo 2 e presença de albumina na urina, justamente para reduzir a progressão do dano renal e os eventos cardiovasculares. Ao lado de outras classes de medicamentos, ela passou a integrar o que os especialistas chamam de pilares da proteção cardiorrenal.

Continua após a publicidade

E há novidade ainda mais fresca. Um estudo publicado na revista Lancet Diabetes & Endocrinology reuniu os dados de três grandes pesquisas — SELECT, FLOW e SOUL — para examinar, em conjunto, o efeito da semaglutida sobre os rins. A análise reforça a ideia de que o benefício renal se estende a um espectro amplo de pacientes, incluindo pessoas com obesidade mesmo sem diabetes. A conclusão dos autores é direta: a semaglutida se firma como um dos pilares da saúde renal.

Convém, no entanto, manter os pés no chão. Nenhum remédio dispensa o essencial: controle do peso, boa alimentação, atividade física, sono, cuidado com a pressão e o açúcar no sangue. A semaglutida não cura a doença renal nem substitui o acompanhamento médico individualizado — ela tem indicações precisas, custo relevante e não serve a todos. Seu uso deve ser decidido caso a caso, por quem conhece a história completa do paciente.

Ainda assim, o recado que emerge desses estudos é animador e muda a forma de pensar. Proteger os rins deixou de ser uma tarefa isolada do nefrologista para se tornar parte de uma estratégia mais ampla, que enxerga o corpo como um todo interligado. Cuidar do peso é, também, cuidar dos rins.

 

Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA 10.10

Digital Premium

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver, + programa de benefícios Prata.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 10,10/mês
ECONOMIZE R$ 325 - 45% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).