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‘Ajudar é um dever cívico’, diz advogada sobre doação do Itaú Unibanco

Membro da família que é a maior acionista do banco, Patrícia Villela Marino fala da importância da ação da instituição para o combate ao coronavírus

Por João Batista Jr. Atualizado em 17 abr 2020, 09h36 - Publicado em 17 abr 2020, 06h00

Qual a importância dessa doação, a maior já feita na história para uma causa no Brasil? Ela ajuda a construir um plano de nação e coletividade, que vai muito além de quatro anos de governo. Também tem o poder de engajar outras pessoas e empresas numa atuação maior para o bem comum.

O dinheiro será gerido por um comitê gestor formado pelo banco. A senhora fará parte desse grupo? Não, pois minha família faz questão de separar nossas ações filantrópicas das da empresa (o marido de Patrícia, Ricardo Villela Marino, presidente do conselho estratégico do Itaú para a América Latina, faz parte da quarta geração do clã de fundadores do banco).

Em quais causas sociais a senhora atua? Temos um projeto chamado Humanitas360, que atua no sistema carcerário e na sua maior fonte de recrutamento, a política de repressão às drogas. O objetivo é lutar pela redução da desigualdade social. A lei deve ser aplicada da mesma forma para todos, sem distinguir classe social. Não acontece o mesmo com um usuário pego com maconha em bairro rico e outro na favela.

Como a ajuda ocorre na prática? Criamos uma cooperativa para mulheres detentas aprenderem novos ofícios. Assim, elas não precisam voltar para o crime.

A senhora faz trabalho em favela e cadeias todas as semanas e seu filho de 7 anos não conhece a Disney, ao contrário dos amigos dele. Por quê? Levo meu filho em muitos trabalhos que faço. Ele vai ter uma vida muito mais próspera sabendo lidar com a realidade, não com a fantasia. Sendo uma criança abonada, ele já vive uma espécie de fantasia.

No Brasil, os ricos doam menos do que poderiam? Sim. Não tenho medo nem vergonha de ser inconveniente, falo de coisas que muitos não gostam de ouvir, seja em uma recepção social, seja em um evento corporativo. Assumi que quero dividir o sofrimento e as alegrias dos outros. Toda hora é hora de motivar as pessoas para a filantropia.

A pandemia pode funcionar como motivação? A doença traz o sentimento de escassez, do finito. Esse momento mostra que podemos ser movidos e tocados por bons exemplos. Não existe diferença de assuntos, de necessidades: favela e asfalto são parte da mesma sociedade.

Publicado em VEJA de 22 de abril de 2020, edição nº 2683

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