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Abuso de drogas pode modificar o cérebro de mulheres de forma permanente

Segundo estudo, a volume da substância cinzenta do cérebro das mulheres é menor mesmo após um ano de abstinência -- nos homens, por outro lado, não foram registradas alterações significantes

Por Da Redação 15 jul 2015, 13h51

Um novo estudo publicado recentemente na revista científica Radiology revelou que mulheres que abusam de drogas ilícitas podem sofrer alterações permanentes no volume cerebral, com consequências a longo prazo. No caso dos homens, por outro lado, não houve nenhuma mudança relevante.

Para realizar o experimento, os pesquisadores analisaram a estrutura do cérebro com imagens de ressonância magnética de 127 homens e mulheres. Do total, 59 deles tinham histórico de dependência em cocaína e metanfetamina por, em média, quinze anos. O outro grupo era composto por 68 pessoas saudáveis. Os exames mostraram que mesmo após um período de pouco mais de um ano sem utilizar drogas, as mulheres tiveram alterações significantes no cérebro quando comparadas com as voluntárias saudáveis. De acordo com os resultados, houve redução da substância cinzenta nas regiões frontal, límbica e temporal — estruturas do cérebro associadas à recompensa, ao aprendizado e ao controle das funções executivas.

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“Essas regiões são importantes para tomar decisões, sentir emoções, processar recompensas e criar hábitos”, diz Jody Tanabe, autor do estudo e professor da Escola de Medicina de Denver, na Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. Segundo Tanabe, um menor volume da substância cinzenta está associado ao comportamento impulsivo, além de um maior potencial de abuso. Os pesquisadores acreditam que as descobertas podem ajudar a descobrir as diferenças biológicas do uso de drogas entre homens e mulheres e, dessa forma, estabelecer tratamentos mais específicos para cada gênero.

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