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Hantavírus: temor de uma nova covid-19 tem fundamento? O que a ciência diz sobre chances de uma nova pandemia

Surto em cruzeiro, com circulação de cepa rara transmissível entre humanos, levanta dúvidas sobre o potencial de disseminação do vírus e seus reais riscos

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 Maio 2026, 10h00 | Atualizado em 18 Maio 2026, 10h41
Hantavírus: temor de uma nova covid-19 tem fundamento? O que a ciência diz sobre chances de uma nova pandemia Priorizar nos meus resultados Google

Depois da covid-19, qualquer notícia envolvendo surtos e mortes por vírus acende um alerta quase automático. Foi o que aconteceu após a confirmação de 11 casos e três mortes por hantavírus ligados ao cruzeiro MV Hondius. Até então pouco conhecido para a maioria das pessoas, o vírus passou a despertar dúvidas sobre seu potencial de disseminação e até sobre a possibilidade de uma nova pandemia.

Mas o hantavírus está longe de ser exatamente uma novidade. Só no Brasil, por exemplo, já foram confirmados sete casos em 2026. Em 2025, o número ficou na casa dos 40. A diferença é que, por aqui e na maioria dos casos pelo mundo, os registros costumam envolver infecções causadas pelo contato com partículas de roedores silvestres contaminados.

O que colocou o caso do MV Hondius sob os holofotes foi a circulação da chamada cepa andina, considerada rara e com potencial de transmissão entre pessoas. A pergunta que fica no ar, então, é inevitável: existe motivo real para preocupação?

Natureza, gravidade e potencial de transmissão

Segundo especialistas — e também a Organização Mundial da Saúde (OMS) — o cenário está longe disso. E há alguns motivos importantes para explicar por quê.

O primeiro é que infectar humanos não faz parte do “plano original” do hantavírus. Ele é naturalmente adaptado para circular entre roedores silvestres. Quando uma pessoa se infecta, trata-se quase desvio acidental de rota. E, na maior parte das vezes, a cadeia de transmissão para por ali.

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Esse ponto ajuda a entender o segundo motivo pelo qual autoridades e pesquisadores tentam conter o alarde: a própria gravidade da doença.

Quando há transmissão entre humanos — algo considerado raro — os casos tendem a ser severos. Mas é justamente essa evolução rápida e agressiva que acaba dificultando uma disseminação ampla.

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Para um vírus se transformar em pandemia, ele precisa circular com eficiência. E isso normalmente exige que as pessoas infectadas continuem em movimento, mantendo contato com outras.

O hantavírus vai na direção oposta. Em muitos casos, ele leva o paciente rapidamente a um quadro grave, reduzindo bastante o tempo em que aquela pessoa conseguiria transmitir a infecção adiante.

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As variantes que circulam nas Américas costumam provocar a chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma condição que pode evoluir depressa: começa com sintomas inespecíficos, como febre e mal-estar, mas pode avançar para insuficiência respiratória e choque cardiovascular.

Outro ponto importante é o potencial de transmissão. A covid-19, por exemplo, se espalhava com bastante facilidade. No auge da pandemia no Brasil, entre 2020 e 2021, a taxa de transmissão chegou a cerca de 2,5 — isto é, cada 100 pessoas infectadas podiam transmitir o vírus para aproximadamente outras 250. Já no caso do hantavírus, a transmissão exige contato muito próximo e prolongado, o que limita bastante a capacidade de propagação.

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Então autoridades de saúde podem ficar tranquilas?

Embora especialistas descartem um risco de transmissão em larga escala, o hantavírus continua sendo uma infecção grave.

Na prática, isso significa que ele não tem potencial para provocar uma nova pandemia. Mas, para quem é infectado, as consequências podem ser graves — e é justamente por isso que o vírus deve se manter no radar.

 

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