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Um país melhor

A 2ª edição do Prêmio Veja-se celebra a criatividade de brasileiros que, apesar de tudo, conseguem imaginar uma sociedade menos desigual e mais produtiva

Por Fábio Altman 30 nov 2018, 07h00

Os momentos de crise econômica são propícios para despertar a criatividade e a invenção como remédio contra a paralisia provocada pela economia sem perspectiva. Some-se aos nós da falta de dinheiro a indefinição política de um país polarizado, e o que se tem é a tempestade perfeita para a interrupção de todo e qualquer projeto. E, no entanto, como disse Tom Jobim (1927-1994) em um de seus instantes de mau humor, o “Brasil não é para principiantes”. Soa improvável, é difícil entender, mas por aqui, apesar de tudo, apesar dos escândalos, apesar da pobreza, continua a brotar uma quantidade admirável de brasileiros empenhados em construir um país melhor, mais produtivo, menos desigual. É o que se pode concluir da segunda edição do Prêmio Veja-se, que começa a definir os vencedores.

A partir desta sexta-feira, 30, e até 17 de dezembro, uma segunda-feira, será possível escolher os ganhadores no site de VEJA, por meio do voto popular, com acesso a uma reportagem e a um vídeo dedicados a cada um dos competidores. Um corpo de doze jurados de renome e um grupo de editores da revista também avaliarão cada história. Os vencedores serão divulgados em 28 de dezembro.

Das centenas de relatos acompanhados pelos jornalistas de VEJA em todo o Brasil, foram selecionados dezenove candidatos em seis categorias: Diversidade, Cultura, Saúde, Inovação, Educação e Políticas Públicas. Numa das iniciativas, na área de cultura, há um par de concorrentes, parceiros na criação de uma feira literária na periferia do Rio de Janeiro.

São dez mulheres e nove homens, todos inquietos, porta-vozes de experiências ricas, quase sempre comoventes, fruto do casamento da curiosidade com a necessidade. É o caso de Carolina Ignarra, cadeirante, que fundou uma empresa que já auxiliou cerca de 5 000 deficientes a encontrar emprego. É o caso de Priscila Gama, desenvolvedora de um aplicativo que ajuda as mulheres a proteger-se de abuso sexual em lugares públicos. E o de José Crippa, psiquiatra à frente dos principais trabalhos sobre o uso terapêutico do canabidiol, um dos componentes da maconha. E também o de Adalberto Marques, que montou um currículo sob medida para os adolescentes de um centro de menores infratores de Jaboatão dos Guararapes, nas cercanias do Recife, levando-­os a ter interesse pelas aulas.

É o caso, enfim, de todos os candidatos à premiação, cada um a seu modo. “Que não seja só da boca para fora”, resume a publicitária Anna Castanha, ao tratar de sua ideia, o permanente aperfeiçoamento dos líderes empresariais para uma acolhida correta do público LGBT. “Eu mostro às empresas as vantagens de investir em diversidade, apresentando estudos sobre como isso aumenta a produtividade.” É o Brasil em busca de uma sociedade mais solidária. Eis a missão do Prêmio Veja-se.

Publicado em VEJA de 5 de dezembro de 2018, edição nº 2611

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