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Carta ao Leitor: Uma lição necessária

A maioria das escolas brasileiras está só esperando as autoridades e os tribunais darem o sinal verde para retomar o contato com os alunos

Por Da Redação Atualizado em 17 set 2020, 14h34 - Publicado em 18 set 2020, 06h00

Discute-se hoje sobre muitos assuntos, mas todo mundo concorda em pelo menos um ponto: a pandemia mudou a vida das pessoas de uma maneira drástica e inédita. Para os mais idosos, da faixa etária de maior risco de contaminação, representou um obrigatório distanciamento dos netos — aspecto familiar doloroso em tempos tão difíceis. Os cidadãos de meia-idade tiveram de se reinventar no cotidiano do trabalho, com a adesão maciça ao home office. Mas, seis meses depois do início da quarentena, pode-se afirmar que as crianças e os adolescentes, apartados da escola e das atividades extracurriculares, foram talvez os mais impactados com as restrições. Houve, é verdade, um louvável empenho das instituições escolares para oferecer aulas por vídeo nesse período. No universo do ensino privado, pais e professores conseguiram se adaptar minimamente às atuais condições. Embora os resultados, dadas as circunstâncias, tenham ficado abaixo do que seriam no modo presencial.

Inaugurada uma nova fase da Covid-19 no Brasil, com redução do número de contágios e mortes, cabe indagar: se os shoppings abriram as portas, se igrejas, bares e restaurantes já funcionam, se o sol atrai pequenas multidões para as praias, não se pode pensar, seriamente, na reabertura das escolas? Em alguns estados elas reabriram e fecharam, mas a maior parte segue paralisada ao sabor das decisões judiciais, que ora autorizam, ora proíbem seu funcionamento. Há experiências isoladas de retomada, mas a indefinição segue dominante. Esperar o anúncio de uma vacina e jogar as aulas nas escolas para o ano que vem pode ser prejudicial não apenas no aspecto pedagógico, mas também do ponto de vista social e psicológico dessas novas gerações.

A experiência de países que abriram suas unidades de aprendizado enfatiza a ideia de que retornar à ativa faz sentido, ainda que elas precisem encarar uma mudança de hábitos e a nova realidade as obrigue a cerrar as portas se o vírus reaparecer. Os países que estão indo bem no regresso — Itália, França, China, Coreia do Sul, Alemanha — têm em comum políticas educacionais sérias que, neste momento, desenvolveram uma série de protocolos diante das limitações impostas pela crise sanitária. Em alguns lugares, a volta dos alunos às escolas intercalou um rodízio dentro da própria turma. Em outros, os mais velhos começaram primeiro, seguidos depois pelos mais jovens. Em resumo: o passo inicial foi dado — e com sucesso.

Será que é possível então repetir essa experiência por aqui? Para responder a essa pergunta, VEJA ouviu 120 dos melhores estabelecimentos de ensino do país. A resposta: sim. A maioria das escolas está só esperando as autoridades e os tribunais darem o sinal verde para retomar o contato com os alunos. Consultados pela reportagem, que começa na página 60, esses colégios garantem que seguirão no esquema híbrido, com um misto de aulas presenciais e lição a distância, além de todos os cuidados necessários. Detalhe: são categóricos em dizer que caberá aos pais escolher se enviam ou não os filhos, garantindo aos que seguirão em casa conteúdo de igual relevância. Por todos esses motivos, com toda a cautela e responsabilidade, a hora da reabertura das escolas chegou.

Publicado em VEJA de 23 de setembro de 2020, edição nº 2705

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