Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

As crianças têm fome de quê?

Falta algo na comida fast-food e no “cardápio kids” dos restaurantes

Por Rosely Sayão
Atualizado em 13 jul 2018, 06h00 - Publicado em 13 jul 2018, 06h00

Quase todo mundo está preocupado com a alimentação. A combinação entre os alimentos, suas calorias, seus benefícios ou prejuízos, a praticidade e a rapidez no preparo, a sofisticação na apresentação de pratos, tudo sobre o assunto rende.

Rende programas de televisão, por exemplo. Aliás, dezenas deles.

Alguns se dispõem a ensinar receitas ou tipos de cardápio. Em pouco tempo em frente à TV, vemos desfilar os mais variados estilos de apresentadoras e apresentadores desses programas, tanto nacionais quanto internacionais, de forma que parece até simples aprender uma receita com eles. Não é impossível, mas fácil também não é.

Outros programas são competitivos. Com esses, eu aprendi a ficar um pouco mais distante de determinados restaurantes, porque não tenho gosto em comer uma refeição que sai de um local com tanta grosseria e gritaria.

Ah! A nossa alimentação, além desses programas, rende sites, blogs, vídeos, aplicativos e tudo o mais que couber na internet. E publicações. E escolas. E “coach culinário” e/ou “personal chef”. E pequenos e grandes estabelecimentos comerciais que vendem alimentos in natura, preparados, naturais ou o contrário disso. Nossa alimentação virou foi um grande negócio!

Enquanto isso, nossas crianças adquirem sobrepeso e apresentam problemas de saúde; alimentam-se mal, recusam a ampliação do acervo de sabores que já conhecem e ignoram as tradições culinárias da família a que pertencem.

Continua após a publicidade

Em compensação, conhecem intimamente quase todas as grandes marcas de fast-food e o nome dos restaurantes de chefs que ficaram famosos na TV e de pratos excêntricos. Por outro lado, não sabem usar faca na cozinha, tampouco conviver ao redor da mesa, em casa ou fora dela.

Nos restaurantes, o tal “cardápio kids” chega a ser ofensivo para com nossas crianças, de tão pobre que é.

Para terem mais saúde, as crianças precisam que alguém prepare as refeições carinhosa e especialmente para elas. O que dá apetite é sentir aquele cheiro gostoso de comida sendo feita em casa. Pode ser a mais simples, mas tem outro perfume, outro sabor. E, hoje, não exige muito tempo. É uma escolha, um estilo de vida.

É que tanto comida quanto bebida são mediadores sociais, ou seja, colaboram para que relacionamentos interpessoais — familiares ou não — se beneficiem de seu uso.

Não é à toa que em todas as festas oferecemos comida e bebida aos convidados, que grandes negócios são fechados em almoços, que casamentos são iniciados em torno de uma refeição.

Continua após a publicidade

Já divórcios e a extinção de negócios dificilmente ocorrem em torno de uma boa refeição, não é verdade?

Quando o assunto é comida, saúde e educação estão interligados e se aproximam da cultura, da arte, das tradições de uma família e de um povo. Entretanto, em nossa sociedade, trata-se de mais um hábito de consumo, só isso.

O que você oferece para aplacar a fome de seu filho, de sua família, ou a sua?

Publicado em VEJA de 18 de julho de 2018, edição nº 2591

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.