A herança soviética

Um século depois, os sucessos provisórios e o longo fracasso da Revolução Russa ainda hoje reverberam na política, na economia, na sociedade e na cultura

Por Da Redação - 6 out 2017, 06h00

“Sempre é cedo demais para avaliarmos o impacto de grandes acontecimentos históricos, porque esse impacto nunca é estático e está sempre se transformando conforme mudam as circunstâncias do presente e nossa perspectiva do passado”, escreve a historiadora Sheila Fitzpatrick no livro A Revolução Russa. Os conturbados eventos que, há 100 anos, encerraram quase quatro séculos de monarquia czarista e instauraram a primeira experiência de um Estado socialista fizeram mais do que selar o destino dos russos e levar, anos depois, à Guerra Fria com os Estados Unidos. O impacto da Revolução Russa no mundo não terminou com o colapso da União Soviética, em 1991, como imaginavam os teóricos do fim da história, que decretaram a vitória da democracia liberal como modelo de governo. Ao contrário: muitos fenômenos e princípios inaugurados, evidenciados ou amplificados no período que vai das insurreições populares de 1917 na Rússia à morte de Stalin, em 1953, sobrevivem na sociedade, na vida pública e nas esferas culturais da atualidade, ainda que em nova roupagem. As reportagens a seguir tratam desses legados da Revolução Russa, cujos personagens e expressões principais, além de uma cronologia dos fatos, são apresentados nas próximas páginas. Todas as datas citadas são do calendário juliano, que só em 1918 foi substituído na Rússia pelo nosso calendário, o gregoriano. Assim, a abdicação do czar ocorreu em 2 de março (15 de março, no nosso calendário) e a tomada do poder pelos bolcheviques deu-se em 26 de outubro (8 de novembro, para nós). Para a história, e daí a razão de VEJA adotar o velho calendário russo, o movimento que pôs os comunistas no poder será sempre lembrado como o Outubro Vermelho.

CRONOLOGIA
Os principais acontecimentos no ano da revolução, personagens e glossário

LIDERANÇA
Lenin, os “revolucionários profissionais” e os ativistas do século XXI

POLÍTICA
A longevidade dos vícios da nomenklatura e da perseguição aos dissidentes

IDENTIDADE
A volta do embate entre cosmopolitismo e nacionalismo

ARTIGO
A dificuldade de associar socialismo com democracia, uma herança de 1917

ECONOMIA
Como o fracasso do planejamento centralizado se tornou um consenso

SOCIEDADE
A aplicação dos ideais de igualdade de gêneros durou pouco, mas plantou sementes

CULTURA
A vanguarda artística e o perigo de se submeter aos desígnios do Estado

LIVROS
Os principais lançamentos e os clássicos preenchem uma lacuna

 Museu de Moscou, AP, Getty Images, Apic/Shutterstock

Publicado em VEJA de 11 de outubro de 2017, edição nº 2551

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