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Prisão de Temer é ‘espetáculo midiático’, diz Tasso; veja repercussão

Em nota oficial, PT afirma esperar que detenções ‘tenham sido decretadas com base em fatos consistentes, respeitando o processo legal’

Políticos da oposição e correligionários do ex-presidente da República Michel Temer (MDB) que foi preso na manhã desta quinta-feira, 21, pela Operação Descontaminação, um desdobramento da Lava Jato comentaram a prisão do emedebista. A conta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Twitter diz que “instituições poderosas como o MP e a PF não podem ficar fazendo espetáculo” e que “a Lava Jato tenta desviar a atenção do descrédito em que estava caindo”.

O petista afirma, ainda, que “todo aquele que cometer um crime, se o crime for provado, tem que ser punido. Seja o Temer, ou o Lula”, mas que “ninguém pode ser preso sem o devido processo legal”.

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O ex-ministro Carlos Marun disse que a prisão de Temer, a qual classificou como “desnecessária” e “ilegal”, é mais um caso de “exibicionismo do Judiciário”.

Ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que apresentou duas denúncias contra Temer, afirmou que “o MP e seus membros não comemoram e nem se sentem felizes com a prisão de ninguém”.  No Twitter, Janot disse, ainda, que “o combate à corrupção é um processo, com marchas e contramarchas. Exige coragem e, sobretudo, resiliência”. 

Marcio Bittar, senador pelo MDB no Acre, afirmou que “não tem um partido santo”. “Aconteceu, aconteceu. Tem que absorver. Pensa em uma coisa que foi democrática: foi a apuração de irregularidades. Se tem uma coisa que ficou provada nesses anos todos é que o sistema não poupou ninguém. Não tem um partido santo. Um do bem e um do mal. Somos da ética e vocês não são”, afirmou o emedebista.

O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que também é alvo de investigações, disse que quer ler a fundamentação do pedido que motivou a prisão antes de comentar o assunto, mas considera que toda prisão “que é técnica e bem justificável tem que ser compreendida”. “Eu vou me inteirar, estou chegando agora no gabinete, não quero falar antes de me inteirar”, disse.

O presidente em exercício Hamilton Mourão lamentou a prisão de Temer, lembrando também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril do ano passado. “Já falei a respeito da mesma situação do ex-presidente Lula. É muito ruim para o país ter um ex-presidente preso. Agora seguem as investigações”.

A nota oficial do PT, assinada por Gleisi Hoffmann – presidente do partido -, pelo senador Humberto Costa e pelo deputado federal Paulo Pimenta, também recordou o ex-presidente Lula e afirmou que a sua prisão foi por especulações e delações sem provas. “O Partido dos Trabalhadores espera que as prisões de Michel Temer e de Moreira Franco, entre outros, tenham sido decretadas com base em fatos consistentes, respeitando o processo legal”.

O PT, na nota, criticou a Operação Lava Jato que decretou as prisões dos dois ex-presidentes. “Temer assumiu a presidência em um golpe deplorável. Sua agenda no governo levou ao aumento da desigualdade e da miséria, no entanto é somente dentro da lei que se poderá fazer a verdadeira Justiça e punir quem cometeu crimes contra a população. Caso contrário, estaremos diante de mais um dos espetáculos pirotécnicos que a Lava Jato pratica sistematicamente, com objetivos políticos e seletivos”.

Também em nota, o PSOL afirma que “cabe ao povo se mobilizar e exigir que todas as medidas ilegítimas aprovadas na época em que o Temer foi presidente sejam revogadas”. Segundo o partido, os projetos foram aprovados “com muita corrupção” para manter a base parlamentar do então presidente e “os privilégios de sua equipe”.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) criticou a prisão de Temer e considerou a ato como um “abuso de autoridade”. Em sua visão, o reflexo disso é uma desmoralização “cada vez maior” da classe política, que ele considera ser “fundamental para a democracia”. Ele afirmou, ainda, que a operação seria um espetáculo midiático para agradar alguns setores. “Está passando de todos os limites, a meu ver”.

“As pessoas têm que ter bom senso neste País e não é espetáculo para as redes sociais que vai melhorar isso, só vai piorar. Não vejo nenhuma razão para prender um presidente da República que tem endereço conhecido, não está fugindo, não está fazendo nada e está à disposição das autoridades”, afirmou Jereissati.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) usou a tribuna para falar que não se podia comemorar a prisão de ninguém. “Nós não podemos defender uma prisão. Respeitamos as garantias constitucionais de todos os brasileiros”, afirmou.

Já o senador Major Olimpio (PSL-RJ), líder do partido no Senado, disse que a prisão do ex-presidente é um indicativo de que “o Brasil está mudando”. “Cadeia para todos aqueles que dilapidaram o patrimônio do povo brasileiro, envergonharam a política e nesse momento tem que pagar sim na Justiça. Não interessa se é ex-presidente, se era ministro, membro do Poder Executivo, do Legislativo e até mesmo do poder Judiciário”.

O senador Paulo Paim (PT-RS), disse que recebeu “sem nenhuma surpresa” a notícia da prisão do ex-presidente. Segundo ele, “é um fato previsto por todos aqueles que estão na vida pública”.

“Claro que não é bom para a imagem do Brasil perante os outros países e perante o mundo. Mas pau que bate em Francisco bate em Chico. Aqueles que provocaram essa situação estão sendo chamados a responder por seus atos. A linha do combate à corrupção tem que ser mantida, doe a quem doer. Mas tem que ser com enorme cuidado para que essas operações não cometam nenhuma injustiça”, afirmou Paim.

O líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que os parlamentares tentaram que o ex-presidente prestasse explicações na casa, mas ele usava a força do cargo para impedir que as denúncias avançassem. “Felizmente, agora ele começa a responder perante a Justiça. Trata-se do chefe de uma quadrilha, cujos comparsas já foram presos”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)