PF mira delegado e ex-secretário suspeitos de favorecer TH Joias
Fabrízio Romano e Alessandro Pitombeira Carracena são alvo da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da Polícia Federal
A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira, 9, o delegado federal Fabrízio Romano, sob suspeita na investigação que atingiu o ex-deputado estadual TH Joias, preso por envolvimento com o Comando Vermelho. A prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atendeu a um pedido da própria PF.
O delegado foi preso na Operação Anomalia, que mira também advogados e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena. Segundo a Polícia Federal, eles agiam como intermediários de propinas do tráfico de drogas ao delegado, em troca de informações e influência.
“Os elementos de prova colhidos indicam que os investigados estruturaram uma associação criminosa voltada para a prática de crimes contra a administração pública e favorecimento de interesses atrelados ao tráfico de drogas”, informou a PF.
Os policiais federais cumprem quatro mandados de prisão e três de busca e apreensão. Os crimes investigados são associação criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
A ação faz parte da força-tarefa permanente Missão Redentor II, criada por determinação do STF na “ADPF das Favelas” para identificar as organizações criminosas em atuação no Rio de Janeiro, sobretudo suas lideranças, movimentações financeiras e conexões com grupos políticos.
A investigação aponta a participação de um homem com histórico criminal que, segundo a PF, atuaria na facilitação política e operacional do grupo em Brasília.
Advogado, Carracena foi secretário municipal de Ordem Pública da capital, na gestão de Marcelo Crivella (Republicanos) na prefeitura do Rio, em 2020, e secretário estadual de Esporte e Lazer do Rio, na gestão do governador Cláudio Castro (PL), em 2022. Ele já havia sido preso em setembro do ano passado em outra operação da Polícia Federal, a Zargun, que atingiu também TH Joias.
A prisão do ex-deputado gerou uma crise para a direita no Rio. TH Joias foi o pivô que arrastou Rodrigo Bacellar (União), presidente licenciado da Assembleia Legislativa, para o centro de suspeitas do vazamento de informações sigilosas da PF. Bacellar foi indiciado na semana passada pela Polícia Federal por organização criminosa e obstrução de Justiça. O relatório afirma que o deputado usou a “capacidade de interlocução e persuasão em todos os poderes do estado” para blindar aliados em troca de apoio político. Entre os beneficiados constam TH e o ex-governador Sérgio Cabral.





