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Os bastidores da foto do porteiro do condomínio de Bolsonaro

Equipe de VEJA ouviu dezenas de pessoas, passou um dia batendo em portas em bairro carioca e outras tantas horas na internet em busca da imagem

SOB HOLOFOTE – “Seu Alberto”: o condomínio preferiu afastá-lo do serviço até a poeira baixar

SOB HOLOFOTE – “Seu Alberto”: o condomínio preferiu afastá-lo do serviço até a poeira baixar (Reginaldo Teixeira/.)

O furo de reportagem que a revista VEJA traz na capa desta semana foi fruto do trabalho em equipe dos jornalistas da casa. Na terça-feira 29 à noite, o Brasil ficou sabendo da existência do testemunho de um porteiro do condomínio na Barra da Tijuca, no Rio, que implicava o presidente Jair Bolsonaro na trama que culminou no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Já na quarta 30, os repórteres da sucursal carioca de VEJA se puseram a procurar o homem, sem sequer saber seu nome. Os dias seguintes foram de apuração árdua, e o cruzamento de informações de diferentes fontes levou à conclusão de que Alberto Jorge Ferreira Mateus estava aproveitando as suas férias em casa, no bairro de Gardênia Azul, nem dez quilômetros distante da residência de Bolsonaro. Leia a reportagem completa.

Com essa informação em mãos, o repórter Leandro Resende foi à luta. Passou a segunda-feira 4, circulando pela região em busca de Alberto, até que, no fim do dia, encontrou a casa certa. O porteiro ouviu o jornalista se identificar, confirmou que era mesmo quem Resende estava procurando, mas disse que não podia conversar e bateu a porta. A partir daí, mudou o objetivo da busca. Era preciso achar uma imagem de Alberto. “Descobrimos como era o seu rosto, então começamos a vasculhar a internet à procura de uma foto dele”, conta o repórter.

A pesquisa começou no Facebook, passou por fotos geolocalizadas, tanto na Gardênia Azul quanto no condomínio onde ele trabalha, e chegou nas agências de foto. Milhares de retratos foram escrutinados em busca de alguma imagem em que o porteiro estivesse, ainda que no cantinho ou no meio de uma multidão. Foi quando Resende começou a olhar as fotografias do dia 1º de novembro, data em que o então juiz Sergio Moro foi à casa de Bolsonaro, acompanhado de Paulo Guedes, aceitar o convite para assumir o ministério da Justiça. No meio de tantas imagens repletas de gente, apoiadores do presidente recém-eleito que iam todos os dias para a frente do condomínio demonstrar seu apoio, Resende reconheceu o rosto que encontrou na Gardênia Azul. As fotos não eram ideais, pois Alberto só era visto de perfil ou de costas na cancela de entrada do condomínio.

Enquanto isso acontecia, o editor de fotografia de VEJA, Alexandre Reche, acompanhava de São Paulo a busca. Quando foi avisado de que havia imagens de Alberto no dia do anúncio de Moro, Reche se lembrou imediatamente que havia enviado o fotógrafo Reginaldo Teixeira ao Vivendas da Barra naquela data. A pasta em seu computador com as imagens do dia tinha centenas de arquivos. O editor passou horas olhando uma por uma, até achar o porteiro – que trazia o nome escrito no peito do uniforme de trabalho, o que confirmava sem sombra de dúvidas que se tratava do próprio.

Foram precisos um time de repórteres, um dia inteiro de buscas debaixo de sol em um bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro e horas e horas na internet em busca de uma imagem nas redes sociais e nas agências de notícias para que a foto do procuradíssimo porteiro fosse, enfim, encontrada onde estava nesse tempo todo: nos arquivos de VEJA em São Paulo.

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Comentários

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  1. Não entendi o objetivo de divulgar a foto de uma testemunha que deveria estar protegida….

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