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Os bastidores da foto do porteiro do condomínio de Bolsonaro

Equipe de VEJA ouviu dezenas de pessoas, passou um dia batendo em portas em bairro carioca e outras tantas horas na internet em busca da imagem

Por Da Redação - Atualizado em 8 Nov 2019, 06h42 - Publicado em 8 Nov 2019, 06h10
SOB HOLOFOTE – “Seu Alberto”: o condomínio preferiu afastá-lo do serviço até a poeira baixar Reginaldo Teixeira/.

O furo de reportagem que a revista VEJA traz na capa desta semana foi fruto do trabalho em equipe dos jornalistas da casa. Na terça-feira 29 à noite, o Brasil ficou sabendo da existência do testemunho de um porteiro do condomínio na Barra da Tijuca, no Rio, que implicava o presidente Jair Bolsonaro na trama que culminou no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Já na quarta 30, os repórteres da sucursal carioca de VEJA se puseram a procurar o homem, sem sequer saber seu nome. Os dias seguintes foram de apuração árdua, e o cruzamento de informações de diferentes fontes levou à conclusão de que Alberto Jorge Ferreira Mateus estava aproveitando as suas férias em casa, no bairro de Gardênia Azul, nem dez quilômetros distante da residência de Bolsonaro. Leia a reportagem completa.

Com essa informação em mãos, o repórter Leandro Resende foi à luta. Passou a segunda-feira 4, circulando pela região em busca de Alberto, até que, no fim do dia, encontrou a casa certa. O porteiro ouviu o jornalista se identificar, confirmou que era mesmo quem Resende estava procurando, mas disse que não podia conversar e bateu a porta. A partir daí, mudou o objetivo da busca. Era preciso achar uma imagem de Alberto. “Descobrimos como era o seu rosto, então começamos a vasculhar a internet à procura de uma foto dele”, conta o repórter.

A pesquisa começou no Facebook, passou por fotos geolocalizadas, tanto na Gardênia Azul quanto no condomínio onde ele trabalha, e chegou nas agências de foto. Milhares de retratos foram escrutinados em busca de alguma imagem em que o porteiro estivesse, ainda que no cantinho ou no meio de uma multidão. Foi quando Resende começou a olhar as fotografias do dia 1º de novembro, data em que o então juiz Sergio Moro foi à casa de Bolsonaro, acompanhado de Paulo Guedes, aceitar o convite para assumir o ministério da Justiça. No meio de tantas imagens repletas de gente, apoiadores do presidente recém-eleito que iam todos os dias para a frente do condomínio demonstrar seu apoio, Resende reconheceu o rosto que encontrou na Gardênia Azul. As fotos não eram ideais, pois Alberto só era visto de perfil ou de costas na cancela de entrada do condomínio.

Enquanto isso acontecia, o editor de fotografia de VEJA, Alexandre Reche, acompanhava de São Paulo a busca. Quando foi avisado de que havia imagens de Alberto no dia do anúncio de Moro, Reche se lembrou imediatamente que havia enviado o fotógrafo Reginaldo Teixeira ao Vivendas da Barra naquela data. A pasta em seu computador com as imagens do dia tinha centenas de arquivos. O editor passou horas olhando uma por uma, até achar o porteiro – que trazia o nome escrito no peito do uniforme de trabalho, o que confirmava sem sombra de dúvidas que se tratava do próprio.

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Foram precisos um time de repórteres, um dia inteiro de buscas debaixo de sol em um bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro e horas e horas na internet em busca de uma imagem nas redes sociais e nas agências de notícias para que a foto do procuradíssimo porteiro fosse, enfim, encontrada onde estava nesse tempo todo: nos arquivos de VEJA em São Paulo.

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