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O fantasma que paira sobre o STF na crise do Banco Master

Crise envolvendo ministros do Supremo reforça percepção negativa do Judiciário e amplia a distância entre a Justiça e a sociedade

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 16h29 •
  • A crise provocada pelas investigações em torno do Banco Master extrapolou o campo financeiro e atingiu em cheio o coração institucional do país: o Supremo Tribunal Federal. As suspeitas que cercam a condução do caso, somadas a questionamentos envolvendo ministros da Corte, reacenderam um desgaste que já vinha se acumulando nos últimos anos (este texto é um resumo do vídeo acima).

    Para o colunista de VEJA Mauro Paulino, o episódio chega à opinião pública como mais um elemento de confirmação de uma percepção negativa consolidada. “Esse tipo de noticiário reforça avaliações críticas que os brasileiros já têm em relação às instituições, especialmente o Judiciário”, afirmou.

    O quanto a imagem do Judiciário já vinha fragilizada?

    Dados do Datafolha ajudam a dimensionar o problema. Pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado mostrou que a avaliação negativa do Judiciário — considerada ruim ou péssima — saltou de 28% para 36% em poucos meses. No mesmo levantamento, a imagem positiva ficou em apenas 29%, abaixo da rejeição.

    Esse desgaste não é pontual. Segundo Paulino, trata-se de um processo contínuo, que atravessa diferentes governos e conjunturas. O caso do Banco Master apenas se soma a uma sequência de episódios que colocam a Justiça “na berlinda” diante da população.

    Por que o STF é especialmente afetado pelo caso Banco Master?

    O impacto institucional é maior porque o episódio envolve diretamente o STF e ministros da Corte. Além das críticas à condução do processo relacionado ao Banco Master, surgiram questionamentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o que ampliou o alcance político do desgaste.

    Na avaliação de analistas, quando suspeitas recaem sobre a instância máxima do Judiciário, o efeito simbólico é profundo: abala-se a ideia de árbitro imparcial e reforça-se a sensação de que não há instâncias plenamente confiáveis no sistema democrático.

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    A Justiça é vista como distante do cidadão comum?

    Outro dado citado por Paulino ajuda a explicar o tamanho do problema: mais de 90% dos brasileiros acreditam que o Judiciário beneficia mais os ricos do que os pobres. Essa percepção reforça a ideia de uma Justiça seletiva, distante da realidade da maioria da população.

    “Quando surgem dúvidas sobre a atuação de ministros do STF, isso se encaixa perfeitamente nessa visão já cristalizada de que as instituições não trabalham para o cidadão comum”, explica.

    Como a crise institucional alimenta a radicalização política?

    O enfraquecimento da confiança nas instituições abre espaço para discursos antissistema e para a negação da própria política. Segundo Paulino, esse processo se intensificou a partir das manifestações de 2013 e criou terreno fértil para lideranças radicais e aventureiras.

    Esse ambiente ajuda a explicar a ascensão de figuras como o deputado Nikolas Ferreira, que recentemente mobilizou apoiadores em Brasília em atos de forte apelo emocional e discurso agressivo contra instituições, incluindo o STF.

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    Qual o impacto disso na convivência democrática?

    Na avaliação do colunista, o resultado é uma política cada vez menos racional e mais emocional. O debate público cede espaço à agressividade, à desinformação e a episódios de violência simbólica — e, em alguns casos, física.

    Essa radicalização transborda da esfera institucional para o cotidiano: afeta relações familiares, ambientes de trabalho, grupos de WhatsApp e até escolhas pessoais, como onde morar. “A convivência política dos brasileiros se tornou muito mais difícil”, resume Paulino.

    O que está em jogo para a democracia?

    O caso Banco Master, ao atingir o STF, não representa apenas um problema jurídico ou administrativo. Ele se soma a um processo mais amplo de erosão da confiança democrática. Quando todas as instituições — Judiciário, Congresso e Executivos — passam a ser vistas com desconfiança, o espaço para soluções autoritárias e simplificadoras se amplia.

    Sem recuperar credibilidade, transparência e capacidade de diálogo com a sociedade, o risco é que crises como essa deixem de ser exceção e passem a integrar um cenário permanente de instabilidade institucional.

    VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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