O clima de tensão entre os deputados da Alerj após planilha de Bacellar
Parlamentares ligados ao presidente afastado temem desdobramentos pela PF
A revelação de uma planilha encontrada pela Polícia Federal que mostra o loteamento de cargos no governo do estado por Rodrigo Bacellar (União Brasil), como noticiou a coluna Radar, elevou a tensão entre deputados na Alerj. Embora hoje, sexta-feira, 27, seja um dia vazio na Assembleia, parlamentares contam que as conversas em torno do assunto não param, com a chamada “tropa de choque de Bacellar” ainda mais preocupada em ser atingida por desdobramentos de investigações da PF envolvendo o presidente da Casa afastado pelo STF. “O clima é de pânico, ainda mais com o endurecimento da atuação da PF que temos visto em todo o país”, diz um deputado.
Pedido de Rodrigo Amorim (União), líder do governo Cláudio Castro (PL) e que foi um dos deputados mais próximos de Bacellar, aparece como “sensível” no documento: ele teria pleiteado cargos para “compensar Ceperj”, numa relação com o escândalo de desvios de mais de 220 milhões de reais na Fundação Ceperj, que levará Castro, Bacellar e Thiago Pampolha, ex-vice do estado, a julgamento no dia 10 deste mês no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em nota, Amorim diz: “Como integrante da base e atual líder do governo, é meu dever institucional manter o diálogo e participar efetivamente de ações do Executivo. É minha obrigação sugerir políticas públicas. Qualquer alegação além disso representa tentativa de criminalizar a atividade política, não havendo conhecimento por minha parte de qualquer prática ou narrativa diversa desse contexto”. Outros deputados, incluindo Douglas Ruas – atual secretário das Cidades e pré-candidato a governador pelo PL-, são citados no mesmo documento.
Parlamentares da base temem ainda que o material revelado influencie no julgamento do TSE. No governo, a temperatura subiu: o medo é de que Castro acabe “arrastado” para uma condenação por causa de Bacellar.
Um parlamentar experiente disse a VEJA que a investigação da PF deixou claro “o domínio territorial da máquina”. Outro parlamentar da oposição avalia que a planilha encontrada no computador do ex-chefe de gabinete de Bacellar, com a distribuição de cargos entre deputados da base, precisa ser melhor investigada. “Indicar não está no Código Penal, o que mais político faz é indicar para cargo. E o líder e o presidente da Assembleia são os nomes mais importantes no Legislativo. Agora indicar para fazer coisa errada está no Código Penal. Isso que precisa ser analisado”, comenta.
A defesa de Bacellar – indiciado pela PF no caso do vazamento de informações para o ex-deputado TH Joias – afirma em nota que “inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas”. Os advogados ainda chamam de “descabido” o indiciamento, que teria sido “realizado muito mais para justificar a ação açodada da autoridade policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores”.





