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‘Não falei nada contra qualquer outro Poder’, diz Bolsonaro

Um dia após participar de ato contra Congresso e STF, presidente adota outro tom e afirma que críticas são tentativas 'de incendiar a nação'

Por Da Redação - Atualizado em 20 abr 2020, 10h54 - Publicado em 20 abr 2020, 10h19

Um dia após participar de atos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro mudou o tom e afirmou, na manhã desta segunda-feira, 20, que não falou “nada contra qualquer outro Poder”. “Democracia e liberdade acima de tudo”, disse na saída do Palácio da Alvorada.

“Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade”, disse o presidente da República.

No início da tarde do domingo 19, Bolsonaro compareceu a uma manifestação em frente ao quartel general do Exército, em Brasília, contrariando as recomendações de autoridades sanitárias. O protesto, organizado por grupos bolsonaristas no Dia do Exército, tinha como motes ataques ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pedidos como o de intervenção militar e de volta do AI-5, o mais brutal ato do governo militar durante a ditadura, responsável pelo fechamento do Congresso e por limitações aos direitos individuais.

Em seu discurso, em cima da caçamba de uma caminhonete, o presidente afirmou que não quer “negociar nada” e defendeu a obediência à “vontade do povo”. Bolsonaro, afirmou, ainda, que fará “o que for possível para mudar o destino do Brasil”.

“Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção no Brasil, têm de ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou, acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder. Mais do que o direito, vocês têm obrigação de lutar pelo país de vocês. Contem com seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado entre nós, que é a nossa liberdade. Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza: todos nós juramos um dia dar a vida pela Pátria e vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil. Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, discursou ele.

A presença de Bolsonaro na manifestação deste domingo gerou forte repercussão. Principal alvo de Jair Bolsonaro e de sua militância nas redes sociais nos últimos dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), repudiou a manifestação com a presença do chefe do Executivo. Por meio de sua conta no Twitter, Maia afirmou que, além do coronavírus, o Brasil está às voltas com o vírus do autoritarismo”.

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O ministro Gilmar Mendes, do STF, escreveu que invocar o Ato-Institucional Nº 5, que recrudesceu a repressão na ditadura militar, “é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”. O ministro Luís Roberto Barroso tuitou que “pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso [intervenção militar e ditadura]”.

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