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Maia, Gilmar, Barroso, FHC, OAB, Doria e Witzel criticam ato com Bolsonaro

Autoridades repudiaram manifestação que, em meio a faixas pedindo fechando de Congresso e STF, teve discurso do presidente

Por Redação - 20 Apr 2020, 00h30

A participação do presidente Jair Bolsonaro em um ato pró-intervenção militar em Brasília, neste domingo, 19, na qual se viam faixas pedindo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), repercutiu negativamente entre a classe política e nos outros Poderes.

Além de contrariar o isolamento social e provocar aglomerações, duas das recomendações dos os órgãos de saúde internacionais, algo que já vem fazendo há semanas, o presidente discursou na manifestação. Do alto da caçamba de uma caminhonete, em um discurso entrecortado por acessos de tosse, ele não falou diretamente sobre a pandemia nem sobre sua intenção de flexibilizar o isolamento social, mas mandou recados como o de que “nós não queremos negociar nada”. Além disso, insinuou que personificava o fim da “velha política”, defendeu a obediência à “vontade do povo” e disse que fará “o que for possível para mudar o destino do Brasil”.

Principal alvo de Jair Bolsonaro e de sua militância nas redes sociais nos últimos dias, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou e repudiou a manifestação com a presença do chefe do Executivo. Por meio de sua conta no Twitter, Maia afirmou que, além do coronavírus, o Brasil está às voltas com o vírus do autoritarismo”.

Representantes do Judiciário, ao menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram, também por meio da rede social.

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Gilmar Mendes escreveu que invocar o Ato-Institucional Nº 5, que recrudesceu a repressão na ditadura militar, “é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”. Luís Roberto Barroso tuitou que “pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso [intervenção militar e ditadura]”:

Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz foi outra autoridade do meio jurídico a repudiar o ato com a presença do presidente. Para ele, “a sorte da democracia brasileira está lançada”.

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Entre antecessores de Bolsonaro no Palácio do Planalto, a ex-presidente Dilma Rousseff escreveu no Twitter que o atual mandatário “assume abertamente sua estratégia golpista, que busca implantar um governo ditatorial”, enquanto o ex-presidente Lula citou a Constituição como mecanismo para impedir o “esfacelamento da democracia” e o “genocídio da população”. O tucano Fernando Henrique Cardoso também tuitou, declarando ser “lamentável que o PR [presidente da República] adira a manifestações antidemocráticas”:

Os governadores João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, vistos por Jair Bolsonaro como rivais na disputa pela presidência em 2022 e atacados por ele desde o início da crise do coronavírus, engrossaram as críticas. Doria classificou a ida de Bolsonaro ao ato como “lamentável”, enquanto Witzel publicou que “democracia é respeitar o Congresso, as instituições e ter uma condizente com o cargo que se ocupa”:

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