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Moradores do Alemão querem polícia, mas não o Exército, diz deputado

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj ouve relatos de excessos dos militares, como xingamentos e até agressões. Ausência de serviços básicos também gera insatisfação

Por Rafael Lemos 7 set 2011, 17h23

Em visita ao Complexo do Alemão na tarde desta quarta-feira, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Marcelo Freixo (PSOL-RJ), ouviu depoimentos de moradores e comerciantes sobre os recentes confrontos no conjunto de favelas. Segundo o deputado, há um consenso entre a população local de que a presença de uma força policial é fundamental para impedir que o tráfico armado reassuma o controle da região. O despreparo do Exército para exercer essa função, no entanto, também é uma reclamação recorrente.

“Durante o tiroteio da noite de ontem, recebi um telefonema dos moradores. Conversei hoje com adolescentes, senhoras, comerciantes. Há um consenso. Todos querem uma força policial presente. Ninguém quer o tráfico de volta. Mas eles acham o Exército muito despreparado para isso”, conta Freixo.

A truculência com que os militares abordam os moradores é uma queixa frequente. Entre os relatos, estão xingamentos, desrespeito a idosos e, em alguns casos, até agressões físicas.

Freixo também relata uma insatisfação crescente entre os moradores. Segundo o deputado, eles reclamam que o aumento das exigências não está atrelado a contrapartidas, como a chegada de direitos e serviços básicos.

“Quando a gente chega no acesso à Grota, há flores e calçadas pintadas. Mas basta andar uns 700 metros para ver os problemas, como esgoto a céu aberto. Os moradores estão muito insatisfeitos com isso”, afirma o deputado.

Com base nãos depoimentos colhidos, Freixo pretende convocar uma audiência pública para interpelar o governo do estado. “Queremos que o governo explique quais são os planos para o Complexo do Alemão. Não é suficiente apenas prorrogar a permanência do Exército. Como será a saída dos militares? Será gradual? Quando chegam os outros serviços?”, disse Freixo.

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