Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

General Santos Cruz é demitido por Bolsonaro

Militar acumulou desafetos no governo, como Wajngarten e Onyx, além do ideólogo Olavo de Carvalho. Substituto será o general Luiz Eduardo Ramos Baptista

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz foi demitido do cargo de ministro da Secretaria do Governo nesta quinta-feira, 13, em razão de divergências com as estratégias da equipe de comunicação da gestão Bolsonaro. O substituto dele será outro militar, o general Luiz Eduardo Ramos Baptista, atual comandante militar do Sudeste, conforme revelou o Radar

Santos Cruz é o terceiro integrante do primeiro escalão do governo a deixar o posto. O primeiro foi o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno, em fevereiro, e o segundo o ex-ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez, em abril.

O Radar informou que, ao falar com Santos Cruz, nesta manhã, o presidente lançou mão de uma de suas metáforas matrimoniais e disse ao general que “o casamento chega ao fim sem rugas, sem ressentimentos”.Por meio de nota, o Palácio do Planalto afirma que “o presidente da República deixa claro que essa ação não afeta a amizade, a admiração e o respeito mútuo, e agradece o trabalho executado pelo general Santos Cruz à frente da Secretaria de Governo”.Além da Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada pelo publicitário e empresário Fabio Wajngarten, e do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) do governo, Santos Cruz tinha sob suas atribuições na pasta a articulação política com o Congresso. A gestão do agora ex-ministro foi marcada por atritos internos: com Wajngarten, na Secom, divergia sobre o volume de investimentos em publicidade da reforma da Previdência e a respeito de entrevistas do presidente; já o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também responsável pela interlocução do Palácio do Planalto com o Congresso, considerava o militar pouco afeito ao trato com parlamentares.Ex-assessor parlamentar do Exército, o general Ramos é visto como alguém com mais traquejo para o diálogo com deputados e senadores.

Embate com Olavo

Santos Cruz trocou farpas públicas com o escritor Olavo de Carvalho, guru ideológico do presidente e de seus filhos, no auge da crise entre a ala militar do governo e os olavistas que integram a gestão Bolsonaro. Radicado na Virgínia, onde vive, o escritor publicava textos no Facebook nos quais se referia ao ministro como “bandidinho”, “fracote” e “fofoqueiro de m…”, entre outros ataques. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Santos Cruz declarou que o ideológo de extrema direita é “desequilibrado”. “Eu nunca me interessei pelas ideias desse senhor, Olavo de Carvalho. Por suas últimas colocações na mídia, com linguajar chulo, com palavrões, inconsequente, o desequilíbrio fica evidente”, afirmou. 

Em abril, Carlos Bolsonaro, o mais estridente dos filhos de Bolsonaro, fez críticas à gestão da comunicação do governo Bolsonaro. Carlos é muito próximo de Fábio Wajngarten.

“Vejo uma comunicação falha há meses da equipe do Presidente com o público. Tenho literalmente me matado para tentar melhorar, mas como muitos, sou apenas mais um e não pleiteio e nem quero máquina na mão. Infelizmente é notório que nossa esperança perde oportunidades impares de reagir e mostrar seu bom trabalho. Perder é fácil, recuperar é quase impossível! Não espero bom senso de quem não tem, apenas mais uma vez a verdade! O Brasil vencerá!”, escreveu Carlos no Facebook. 

Trajetória do ex-ministro

Em 44 anos de carreira no Exército, Carlos Alberto dos Santos Cruz chegou à patente de general de divisão, a segunda mais alta na hierarquia, abaixo apenas de general de Exército. Ele comandou as missões de paz da ONU no Haiti, entre 2006 e 2009, e na República Democrática do Congo, de 2013 a 2015 – neste caso, deixou a reserva, em que estava desde 2012, a pedido das Nações Unidas, e voltou à ativa. A missão no Congo foi a primeira em que o organismo internacional autorizou o uso da força para impor a paz.

Em janeiro de 2018, a ONU divulgou um relatório coordenado por Carlos Alberto dos Santos Cruz em que ele recomenda mudanças na atuação de soldados em missões de paz, que devem “estar conscientes dos riscos e devem ser habilitados para tomar a iniciativa de deter, prevenir e responder a ataques”. “Esperar em postura defensiva apenas dá liberdade a forças hostis para decidir quando, onde e como atacar as Nações Unidas”, diz o relatório.

“Infelizmente, grupos hostis não entendem outra língua que não seja a da força”, afirma o documento, produzido a partir de uma visita de 45 dias de Santos Cruz e outros oficiais da ONU à República Democrática do Congo, à República Centro-Africana, ao Mali e ao Sudão do Sul.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. ORLANDO DE JESUS MOREIRA

    Agora foi um míssil no núcleo…Vai fazer água…

    Curtir

  2. André Liberdade de Expressão é meu direito CF Art Quinto

    Agora, o Astrólogo de beira estrada, da Terra Plana, radicado na Virgínia, vai sugerir quem? Carlota já palpitou(ainda vou estudar Freud)? Quando parece que coisa vai andar..o jegue empaca!

    Curtir

  3. Paulo Bandarra

    Fica difícil chegar a algum lugar quando não se tem um objetivo traçado.

    Curtir

  4. Paulo Bandarra

    Estão batendo a cabeça e não avançam. Tem mais oposição no governo do que fora.

    Curtir