Ditadura investigou ‘parceria’ do PT com regime dos aiatolás no Irã
O então líder do partido na Câmara, Airton Soares, era apontado como um dos integrantes do 'grupo islâmico' da legenda
Os governos do PT sempre tiveram um estreitamento de relações diplomáticas com o regime dos aiatolás no Irã, acusado de financiar a criação e a manutenção de grupos terroristas, como o Hamas, na Palestina, o Hezbollah, no Líbano, e os Houthis, no Iêmen.
A relação entre o PT e os aiatolás foi uma preocupação dos governos militares durante a ditadura. Nos arquivos dessa época, há dezenas de documentos sobre o assunto. Em 1980, por exemplo, o Centro de Informações da Marinha (Ceninar) produziu um extenso relatório sobre uma viagem de militantes ao Oriente Médio..
O relatório cita uma viagem dos então deputados Airton Soares (PT) e Jorge Uequed (MDB) para uma reunião com o Partido da Revolução Islâmica. “Como resultado prático, Airton Soares buscará trazer recursos financeiros para o Partido dos Trabalhadores”, diz o documento da Marinha.
Para os militares, Soares, que foi líder do PT na Câmara, era uma das principais pontes do partido com o regime dos aiatolás. “O ‘núcleo islâmico’ do PT por assim dizer, seria integrado, entre outros, por Airton Soares, Irma Passoni, Osmar Mendonça, Francisco Weffort e Jacob Bittar. Lula não parece integrá-lo, mas busca o seu apoio”, diz o documento da Marinha.
O deputado explicou que foi ao Irã para “um foro em solidariedade ao povo, que sofria agressões dos EUA e o Xá Rez Pavhlevi”, que foi deposto na revolução de 79.
SNI destacou relação do PT com o regime do Teerã
Um documento do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) afirmou que o PT estaria interessado em trazer para o Brasil o “foquismo de massas” — táticas e técnicas que foram usadas por revoltosos iranianos para depor o governo .
O SNI apontava que o ex-deputado Jacob Bittar seria um dos incentivadores do foquismo de massas. “Sabe-se que, tendo adotado esse tipo de luta durante a greve do ABC/SP, Jacob Bittar tentou resistir, propondo barricar as ruas e enfrentar a polícia paulista”.
Em julho de 1980, o SNI produziu outro documento, mais uma vez tratando do foquismo de massas. O relatório destaca que Airton Soares, após regressar do Irã, tentava “ganhar a neutralidade das Forças Armadas no que se refere ao seu papel de instituições permanentes e apolíticas”.
Esse mesmo relatório afirma que Jacó Bittar, então presidente do Sindicato dos Petroleiros de Campinas, teria recebido instruções sobre o foquismo de massas.





