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Defesa de Vorcaro é informada que deve devolver acervo do celular-bomba do banqueiro

Conforme mostra o Radar, entre conselheiros de Vorcaro sugestão é por delação premiada

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 mar 2026, 10h24 • Atualizado em 7 mar 2026, 14h26
  • Estava tudo combinado com Daniel Vorcaro. Na última terça-feira, 3, em um movimento pouco usual, um tabelião acompanhou os advogados de defesa do ex-dono do Banco Master até a sede da Polícia Federal, em Brasília, para recolher um disco rígido com o acervo extraído de celulares do empresário apreendidos na Operação Compliance Zero. Acompanhado por uma equipe de advogados, ele recebeu um disco rígido com dezenas de terabytes extraídos de telefones celulares do banqueiro, armazenou o conteúdo em um saco plástico e o lacrou na presença de criminalistas e investigadores.

    Responsável por uma gigantesca agenda de contatos na cúpula do poder, Vorcaro estava convencido de que o protocolo não só mitigaria o risco de vazamentos de dados comprometedores como funcionaria como uma espécie de seguro para não perder apoio político com o avanço do processo em que é acusado de protagonizar o maior escândalo financeiro da história do país. Não funcionou. Ainda na noite de terça-feira, a defesa foi informada de que deveria devolver o material imediatamente, o que ainda não foi feito. O material continua lacrado.

    O acervo de Vorcaro é uma de suas principais armas de proteção política contra a investigação que apura responsabilidades no maior escândalo financeiro da história do país. Horas depois da ordem para devolver o HD que continha o acervo de mensagens, conversas e imagens registradas no celular, o ex-dono do Master foi preso por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, acusado de pilotar uma organização de verniz mafioso que, entre outras coisas, corrompeu servidores do Banco Central, invadiu arquivos internos de órgãos de investigação e discutiu como agredir desafetos e jornalistas que publicavam reportagens contrárias ao interesse do banqueiro.

    O acervo reúne agendamentos de reuniões que nunca deveriam se tornar públicas, comentários de cunho íntimo sobre festas particulares e menções nem sempre republicanas a deputados e senadores e ministros de Estado, além de referências a diferentes autoridades do Judiciário.

    Na primeira ordem judicial desde que assumiu o caso, o ministro André Mendonça também decretou a prisão do pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como braço financeiro da organização criminosa, do coordenador de segurança de Vorcaro Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”, e do policial federal aposentado Marilson Roseno, ambos responsáveis por invadir dados confidenciais da polícia e do Ministério Público e monitorar e coagir desafetos do chefe. Mourão tentou suicídio ao ser preso na quarta, 4. Dois servidores que há quase três décadas trabalhavam no Banco Central suspeitos de atuar como infiltrados do ex-banqueiro também foram alvo da PF e passaram a usar tornozeleiras eletrônicas.

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