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De saída, Doria se defende: ‘Bruno Covas será um ótimo prefeito’

Favoritíssimo para vencer as prévias, prefeito contou com apoio ostensivo de aliados do vice, que herdará o comando da cidade após renúncia

Por Guilherme Venaglia Atualizado em 18 mar 2018, 17h18 - Publicado em 18 mar 2018, 14h19

O PSDB realiza neste domingo eleições prévias para definir o candidato do partido ao governo de São Paulo nas eleições de outubro com um claro favorito: o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Ao registrar seu voto, no diretório zonal de Pinheiros, na Zona Oeste, Doria falou com discurso de favorito e escancarou a dobradinha com o vice, Bruno Covas, também do PSDB.

Assim como já havia feito ao anunciar a pré-candidatura na segunda-feira, o prefeito voltou a utilizar Covas para afastar as críticas pela saída do atual cargo pouco mais de um ano depois de ter assumido. “Nós teremos um brilhante prefeito, que é o Bruno Covas, que divide todas as responsabilidades comigo. As pessoas ficarão muito felizes com ele”, defendeu o tucano.

João Doria tem sido intensamente criticado por nas redes sociais e por opositores depois da decisão de disputar a eleição. Durante a campanha para a Prefeitura, repetiu diversas vezes a promessa de que cumpriria os quatro anos de mandato, que só termina em dezembro de 2020. Para contornar a rejeição, o prefeito tem apostado em ressaltar a “convocação do partido” para que ele dispute e o discurso da continuidade com Covas.

O vice-prefeito acompanhou Doria até a urna para que ele registrasse seu voto. Do lado de fora, ao menos uma dezena de militantes da juventude tucana – influenciada diretamente por Bruno Covas – estava lá para dar o duplo apoio: ao prefeito para que seja candidato; e ao vice para que herde essa poderosa máquina que é a Prefeitura de São Paulo, com seus mais de 56 bilhões de reais de orçamento anual.

Além de Doria, outros três nomes disputam a indicação do partido: o ex-senador José Aníbal, o secretário estadual do Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o cientista político Felipe D’Ávila. O prefeito é o favoritíssimo para vencer já no primeiro turno.

De todos, Aníbal é o que mais tem criticado o prefeito paulistano. Ao jornal Folha de S.Paulo, ele, que é suplente e aliado próximo do senador José Serra, afirmou que “a coisa que ele [Doria] menos é, é candidato a governador. Ele é candidato a presidente”, insinuando que a atual postulação seria uma espécie de balão de ensaio para que Doria tente, daqui a alguns meses, tomar o lugar de Geraldo Alckmin como candidato ao Planalto.

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Questionado por VEJA, o prefeito ironizou o adversário, que chegou a entrar na Justiça para tentar impedir a votação. “Eu fico lisonjeado com a citação do José Aníbal para que eu dispute a Presidência da República, mas o meu candidato – e eu espero que o dele também – é o governador Geraldo Alckmin.”

Apesar de ter tido o poder de evitar as prévias se desse sua bênção a qualquer candidato, Alckmin preferiu se omitir, ao menos em público, de interferir na disputa. Ao votar, no Butantã, por volta das 10h, ele manteve a postura neutra. João Doria, que encontrou o governador na sequência na entrega de moradias populares, disse estar tranquilo que ele estará com o vencedor do pleito.

“Geraldo Alckmin é governador de São Paulo e também o presidente nacional do partido. A declaração do governador é a declaração da coerência. Ele apoiará o candidato do PSDB”, afirmou.

  • Votação

    Para além das disputas, as prévias tucanas estão cobertas por um clima de incertezas. Não existe uma mensuração de quantos são, de fato, os eleitores. Isso porque o diretório tem cerca de 300.000 filiados no registro junto à Justiça Eleitoral, mas só um quinto disso, em torno de 60.000, são ativos. É com o segundo número que a Executiva Estadual trabalha neste momento.

    Outro ponto questionado por adversários de Doria – que tem a preferência declarada do presidente do PSDB-SP, o deputado estadual Pedro Tobias –, as cédulas de votação foram enviadas aos diretórios de cada bairro, para que eles mesmos imprimam e coloquem em votação.

    Também serão os responsáveis de cada zona eleitoral que contarão os votos e enviarão ao diretório estadual para que sejam contabilizados. A VEJA, o pré-candidato Floriano Pesaro definiu a fiscalização do processo como “primária”. “Esse modelo de voto, o manual, permite que ocorra uma fraude”, criticou.

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