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Conselho de Ética instaura processo contra deputado envolvido com doleiro

Colegiado agendou reunião para a próxima quarta-feira, quando deve dar início ao processo contra Luiz Argôlo (SDD-BA) na Câmara

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados vai instaurar na próxima quarta-feira processo contra o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA), suspeito de receber dinheiro do doleiro Alberto Youssef. Preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal, Youssef aparece em conversas telefônicas com um interlocutor identificado como “LA”, que o pressiona para receber pagamentos.

Conforme revelou VEJA, em uma mensagem de 16 de setembro do ano passado, o doleiro recebe orientação para enviar dinheiro para o apartamento funcional de Argôlo em Brasília. O parlamentar trocou recentemente o Partido Progressista (PP), legenda também envolvida com as remessas de recursos feitas por Youssef.

De acordo com as interceptações telefônicas obtidas pela PF, “LA” pede que o doleiro pague suas contas e deposite recursos para uma loja de decoração e uma agropecuária no município de Entre Rios (BA), base eleitoral de Argôlo. Contra o parlamentar também há suspeitas de ter recebido um caminhão de bezerros do doleiro.

O Conselho de Ética já avalia a conduta do ex-vice-presidente da Câmara André Vargas (PR), também flagrado em conversas e negociatas com Youssef. Vargas e Argôlo podem ter a cassação recomendada pelo colegiado – na sequência, cabe ao Plenário decidir se os dois devem ou não perder os mandatos.