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Com Hugo Motta fora, crescem especulações sobre PL na presidência: ‘Tudo pode acontecer’

Presidente da Câmara estará em viagem ao Japão na próxima semana, e no lugar assume o vice Altineu Côrtes, defensor da anistia ao 8 de Janeiro

Por Marcela Mattos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2025, 14h47 • Atualizado em 24 mar 2025, 17h23
  • Como parte do acordo, após conquistar os votos da oposição durante a sua campanha ao comando da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) entregou a vice-presidência ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde então, correm especulações de que a dupla, na primeira oportunidade, aproveitaria a cadeira presidencial para dar andamento a pautas de interesse da direita.

    Na próxima semana, será a estreia do deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), fiel escudeiro de Bolsonaro, como presidente em exercício da Câmara. Ele assumirá o comando porque Hugo Motta estará acompanhando o presidente Lula em viagem ao Japão – o regimento determina que o vice ocupe a cadeira presidencial sempre que o presidente da Casa se afastar da capital federal por de mais de 48 horas.

    Com a Câmara nas mãos de Côrtes, cresceu o rumor de que ele poderia dar andamento ao projeto que anistia os vândalos do 8 de Janeiro, a principal bandeira de parlamentares bolsonaristas. Na última semana, lideranças do PL tentaram um compromisso de Motta para impor um regime de urgência ao projeto, com tramitação acelerada e votação direta no plenário, mas não obtiveram sucesso. No lugar, ficou pactuado que, durante a ausência do timoneiro, haverá uma pauta amena e voltada à agenda feminina.

    O vice-presidente, ao menos em tese, poderia reverter o quadro e pautar a anistia. Questionado, ele próprio não aplaca as suspeitas: “Tudo pode acontecer”, disse Altineu Côrtes a VEJA.

    Apesar do tom misterioso, aliados próximos veem como baixas as chances de o vice fazer qualquer movimento à revelia de Hugo Motta. Embora sejam de partidos diferentes, os dois são aliados e têm boa relação. Além disso, não é praxe na Câmara que presidente e vice não atuem em sintonia.

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    Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 2016, quando o então vice-presidente Waldir Maranhão, após ser alçado a presidente interino, anulou a sessão que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff – à época, ele substituía Eduardo Cunha, que fora afastado da presidência da Câmara por ordem judicial. Pressionado, Maranhão acabou revogando a sua própria decisão no dia seguinte.

    Mais recentemente, em 2022 o então presidente Arthur Lira (PP-AL) destituiu Marcelo Ramos (PSD-AM) da vice – Ramos era um ferrenho crítico do então presidente Jair Bolsonaro, de quem Lira era aliado. Após nova eleição, o deputado bolsonarista Lincoln Portela (PL-MG) assumiu o posto.

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